Destaques Dia a Dia

Casca D’Anta

POR JÚLIA DE FARIA FERNANDES

27 de novembro de 2020

Na região da Serra da Canastra havia um fazendeiro chamado José. Ele possuía uma grande fazenda com diversos animais: porcos, patos, galinhas, pavões, inclusive uma bela criação de antas. A fazenda de José se localizava próximo a uma belíssima cachoeira, onde ele e seus filhos iam aos finais de semana, pois durante a semana eles ficavam na cidade — para José trabalhar e seus filhos poderem estudar. A família também era bem receptiva e gostava de receber visitas. Quando iam para “roça”, as crianças adoravam ficar cuidando e brincando com os animais.

Todos os animais eram saudáveis e bem cuidados. Um dia, José levantou-se e como de costume saiu na varanda para ver se seus animais estavam bem. Percebeu que Tunica estava doente. Ele e sua família olharam ao redor para ver se havia alguma cobra ou outro animal venenoso, mas não encontraram nada. Com o passar dos dias, o animal foi ficando cada vez pior. Foi preciso chamar um veterinário para descobrir a razão da doença. Constatou-se que ela estava bem velha e já não tinha a mesma vitalidade, mas não foi encontrado nenhum problema grave.

No dia seguinte, ao acordarem, as crianças foram direto ver como estava Tunica e, infelizmente, encontraram-na morta. Todos os moradores da fazenda ficaram abalados com a morte da anta. José enterrou Tunica no chão, embaixo de uma árvore, onde há muito enterrara sua primeira anta. Essa árvore ficava à beira da cachoeira. Ele voltou para casa e continuou com suas atividades.

Após um tempo, uma série de doenças atacou os animais da região. O fazendeiro se preocupou bastante, mas até então nenhum de seus animais havia sido atingido. Em uma tarde chuvosa, quando foi colocar as antas para dentro do abrigo, percebeu que estavam doentes. Ficou sem saber como agir e se descontrolou. Logo, contou para os filhos sobre a situação, para que pudessem lhe ajudar.

Quando José já estava sem esperanças de salvar as antas, o filho mais velho deu a ideia de levá-las para se refrescarem na cachoeira quando parasse de chover. E assim foi feito. Chegando lá, as antas começaram a comer a casca da árvore que havia brotado da cova de Tunica. No próximo dia, José acordou triste pensando que as antas restantes estariam mortas. Mas teve uma bela surpresa, todas continuavam vivas. Então, ele percebeu que aquela árvore possuía propriedades medicinais e contou para todos da região. Assim, o homem conseguiu ajudar muitos animais com essa descoberta. Devido a isso, por conta da casca medicinal da árvore, a cachoeira recebeu o nome de Casca D’Anta, em homenagem à anta de José.

Esta e outras 100 histórias regionais estão reunidas em um livro organizado por Maria Mineira. São textos de seus alunos do 3º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, ano de 2018. Com o apoio da Cooperativa Educacional de São Roque de Minas foi lançado em 2019: “ Letras da Canastra- Cooperativa Educacional Escrevendo História”. Para adquirir um exemplar entre em contato pelo e-mail: mariamineira2011@yahoo.com.br