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Carmo faz campanha contra abuso de crianças e adolescentes

Por Nathália Araújo / Especial

18 de Maio de 2020

Pit Stop da campanha Maio Laranja, em Carmo do Rio Claro. / Foto: Divulgação

CARMO DO RIO CLARO – A Secretaria Municipal de Assistência Social de Carmo do Rio Claro, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e o Conselho Tutelar se uniram para promover uma ação de conscientização para a campanha “Maio Laranja – Contra o Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes”. Trata-se de um pit stop realizado no semáforo da rua Delfim Moreira, localizada no centro da cidade.

A atividade é desenvolvida por uma equipe de profissionais que abordam os motoristas com panfletos e cartazes informativos sobre os crimes de abuso e violência e incentivam o registro de denúncias. A proposta, que teve início na sexta, 15, e deve continuar até esta segunda-feira, 18, tem como principal objetivo mobilizar, sensibilizar, informar e convidar a sociedade a participar da luta em defesa aos direitos das crianças e adolescentes.

Para destacar sobre a importância da abordagem do tema, a presidente do Conselho Tutelar, Andreza de Fátima Santos, ensina sobre a conscientização. “A melhor prevenção vem da orientação dos pais. Embora o abuso sexual infantil seja um assunto complicado, sua discussão é fundamental. Cabe aos responsáveis falar com seus filhos sobre as partes íntimas e os limites do corpo e incentivar o diálogo em família, sempre observando o comportamento das crianças”, explicou.

Com o slogan “Faça Bonito – Proteja Nossas Crianças e Adolescentes” a campanha também orienta as instituições de ensino e educadores a incluírem a questão no ambiente escolar. “As crianças devem entender o que são situações perigosas ou que possam se configurar como abuso sexual. Também é necessário treinar o olhar dos educadores para que identifiquem aqueles que sofrem com a violência. A relação de confiança com a criança é uma ótima maneira de fortalecê-la contra o abuso sexual ”, ressaltou Andreza.

As denúncias sobre quaisquer tipos de violência, exploração ou abuso infantil devem ser encaminhadas para a equipe especializada do Conselho Tutelar ou para a Polícia Civil. O governo federal também possui uma plataforma virtual de proteção aos menores, que é o Serviço de Proteção de Crianças e Adolescentes com Foco em Violência Sexual, vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. O sistema é encontrado na ouvidoria online do site www.ouvidoria.mdh.cov.br; no Disque 100 e no aplicativo Proteja Brasil, disponível para Android e iOS.

Três vítimas estão em acompanhamento

CARMO DO RIO CLARO – O mês escolhido para campanha Maio Laranja foi determinado para se alinhar ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, que é promovido nesta segunda, 18. A data foi motivada pelo assassinato de Araceli Cabrera Sánches Crespo, ocorrido no dia 18 de maio de 1973, em Vitória. Com apenas oito anos, ela foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada, no estado do Espírito Santo.

Entre os meses de janeiro e maio de 2020, o Conselho Tutelar de Carmo do Rio Claro registrou três casos de abuso sexual contra crianças e adolescente. As vítimas possuem idades entre quatro e 14 anos e estão em acompanhamento pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

A coordenadora do Creas, Silvana Aparecida Fonseca, revelou que os suspeitos das ocorrências registradas não foram presos, mas passam por processo de investigação.

Estes ainda não foram levados para a prisão, haja vista que os inquéritos estão em fase de averiguação pelo setor responsável. Dos três casos em nosso município, apenas em um deles o suspeito tem laço familiar com a vítima, por isso o nosso trabalho com os assistidos também envolve os que possuem grau de parentesco e convivem com os menores”, esclareceu.

Silvana também fala sobre os métodos utilizados para ajudar no processo de superação a violência.

Acolhemos não só o indivíduo que passou pelo abuso, como também a família. Em seguida, realizamos a escuta qualificada individual, para compreendermos suas necessidades particulares e assim, supri-las. O atendimento é realizado de forma periódica, por uma equipe multiprofissional formada por uma psicóloga, uma assistente social e uma educadora social. Também fazemos o encaminhamento de cada caso específico, ou seja, de acordo com cada situação, encaminhamos para o setor de saúde ou para a promotoria”, contou.

Além das questões voltadas a sexualidade, o Creas e o Conselho Tutelar também atendem outras ocorrências, como as de crianças e adolescentes infratores, violência doméstica e evasão escolar.