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Capela Santos Reis e Santa Luzia nasceu como cumprimento de promessa

Por ADRIANA DIAS / Da Redação

19 de setembro de 2020

Foto: Douglas Arouca

PASSOS – Fruto de uma promessa a Capela Santos Reis e Santa Luzia foi erguida pelo devoto Francisco Chagas Mestre, no início da década de 1980. Segundo informações colhidas com sua família para a produção de um informativo no ano de 2009, a pedido do então pároco Dirceu Soares e feito pelo jornalista José Reis Santos, o fiel prometeu construir uma capela em homenagem a Santos Reis e Santa Luzia como cumprimento de uma promessa por uma graça alcançada. A música deste vídeo é de autoria de Napoleon Coste e se chama Estudo em Ré maior, que ganhou os dedilhados do violonista Celso Faria. As imagens foram feitas por Douglas Arouca.

De acordo com sua filha Elizabete Chagas Duarte, a Bete, que atualmente trabalha na secretaria paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – da qual a Capela faz parte –, contou à reportagem que era muito criança quando seu pai faleceu.

Ele fez a promessa por ter tido bom êxito em uma cirurgia no coração. Em 1982, ele começou a obra num terreno doado por uma senhora que tinha bastantes imóveis no bairro Recanto da Harmonia, só sei que se chamava dona Belinha. Com a ajuda da comunidade, meu pai acabou comprando outros terrenos, onde a capela começou a ser erguida”, lembra Bete.

Um dos filhos do devoto, Francisco de Assis Chagas, contou que o lançamento da pedra fundamental ocorreu após uma procissão entre a Paróquia Nossa Senhora Aparecida e a área onde seria erguida a capela. “Tudo em volta era mato”, informou Chagas. Ainda conforme os relatos dos filhos, em 1983, Francisco Chagas faleceu. Porém, seus pais – o pedreiro Expedito Mestre e dona Ana Erotilde Mestre –, assumiram a promessa do filho único. Lutaram durante dez anos, com todas as dificuldades, para construir a capela. Os dois saíam com uma Companhia de Folia de Reis angariando recursos para a obra. Os filhos de Francisco Chagas relataram que quando as companhias iam para o Estado de São Paulo, as esmolas eram mais vultosas.

“As Companhias de Reis eram mais respeitadas, naquela época”, disseram os filhos Expedita dos Reis Chagas, Janete Chagas Rita, Marlene Chagas de Oliveira e Francisco de Assis Chagas. Maria Aparecida Donizette Alvarenga, a Dona Zete, é vizinha antiga das imediações da capela. Filha da finada Maria Marta de Jesus conta que a promessa foi cumprida e que, ainda hoje os familiares e amigos saem com a Companhia de Reis para pagar promessas de muitos devotos que querem agradecer os pedidos.
As obras, no início, foram feitas em regime de mutirão. Por fim, apenas Expedito e dona Ana (esta atuava como servente) trabalhavam na construção da capela. Quando foi iniciada a construção, padre Luiz Lemos – na época, o responsável pela comunidade – pediu autorização do bispo Dom José Alberto para que os idealizadores da capela montassem um sistema de carnês para levantar recursos. Os filhos e amigos do idealizador da capela contam que chegavam doações de todos os lados. Por fim, quando a obra ficou pronta, o pároco era padre Marcelo Prado.

Além da comunidade (por meio de carnês, quermesses e esmolas arrecadadas pelas companhias de reis), os familiares de Francisco Chagas citam algumas pessoas que apoiaram a construção da obra: a esposa de Francisco Chagas, Gasparina Damasceno Chagas, Ana Erotildes Mestre, José Francisco de Assis, Sebastião Queiroz, Márcio Maia, padre Luiz Gonzaga Lemos, os pedreiros Laércio e Airton, que trabalharam na construção da base; além da família de dona Marta Maria de Jesus, e ainda os amigos de Chagas, Geraldo da Silva, José Francisco da Silva e José Rita Filho.

Nova obra

A obra da nova Capela Santos Reis e Santa Luzia entrou numa nova etapa em setembro de 2009. Além da igreja foi construído o Centro de Catequese, que serve de piso para a igreja. A construção tem 1.048 m², englobando o Centro de Catequese (parte inferior) e a nave da igreja (parte superior). De autoria do arquiteto André Nery, de Poços de Caldas, o projeto seguiu as orientações do Concílio Vaticano II. Buscou retornar à essencialidade da fé cristã: o próprio Cristo. O jeito novo/antigo de ser Igreja. Além da nave, a igreja tem seis salas de catequese e um salão de reuniões. A obra esteve paralisada por algum tempo, mas foi finalizada e atualmente atende aos fieis dos bairros Santa Luzia, Recanto da Harmonia e Jardim Polivalente.

De sua arquitetura pode-se destacar a grande cruz e logo abaixo a grande estrela que remete à estrela guia seguida pelos Três Reis Magos – os Santos Reis -, que pode ser vista tanto do lado de fora quanto de dentro da igreja. No altar uma grande pintura do ícone chamado Pantocrator, que em grego significa ‘todo-poderoso’. A pintura foi feita por Patricia Medrano Bravo, esposa do arquiteto André Nery, responsável pela obra. Ela levou cerca de quatro meses para finalizar o desenho. A capela, que comporta 836 pessoas sentadas, conta com algumas imagens, dentre elas os Santos Reis Baltazar, Belchior e Gaspar. Também tem uma imagem de Santa Luzia, uma do Sagrado Coração e de Nossa Senhora Aparecida.

O pároco Darci Donizetti da Silva que está há poucos meses em Passos, afirma que a Festa aos Magos do Oriente e à Santa Luzia é celebrada em duas ocasiões pela Capela a eles dedicada, que são na Festa da Epifania, que acontece em janeiro, em que se concentra a parte religiosa, e em julho, quando há o Encontro Regional das Companhias de Reis.

Essa festa de julho conta, geralmente, com a participação de em torno de 10 mil pessoas. Somente para o almoço desse encontro, 3 mil refeições são servidas de forma gratuita. A festa tem um caráter não apenas local, mas como mencionado acima, ela é Regional, concentrando Companhias de Reis das mais diferentes localidades. No dia 13 de Dezembro, a Comunidade se reúne para celebrar Santa Luzia; padroeira de grande devoção da comunidade local, que a têm como nome do Bairro. Ambas as festas são importantes momentos de encontro, confraternização e fé. Do ponto de vista social, essas festividades, além de reunirem pessoas de diferentes pontos da cidade e também da região, se revelou como uma forma de organizar a vida da comunidade local, despertando lideranças preocupadas com as questões sociais, religiosas e com o bem estar da população do bairro”, finalizou.

O projeto Roteiros da Fé foi idealizado e produzido pela jornalista Adriana Dias, conta com as imagens e filmagens de Douglas Arouca, músicas ao violão de Celso Faria, gravação e mixagem de Denilson César dos Reis, criação do logo de Armando Vidigal. Das 24 igrejas, este é o oitavo vídeo e pode ser visto em https://clicfolha.com.br/folhaplay/roteiros-da-fe-capela-santos-reis-e-santa-luzia.