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Capela Santa Rita de Cássia, de madeira e de alvenaria: muito amor pela santinha

Por Adriana Dias / Redação

17 de outubro de 2020

Foto: Douglas Arouca

PASSOS – Uma das santas mais requisitadas em orações, considerada a Madrinha dos Sertões é Santa Rita de Cássia. Na cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, ela é sua padroeira, inclusive lá está a maior estátua católica do mundo, com 56 metros de altura. Os santuários com seu título são dos mais procurados, tanto na Itália quanto nos países onde são erguidos. Na região, a igreja de Santa Rita de Cássia, em Cássia, da qual é padroeira, recebe milhares de fiéis todos os anos. Em Passos, a devoção à santinha fez com que um grupo de católicos levantasse, a princípio uma capela de madeira, em 1983 e, depois em 2000 a construção do que é hoje a Capela Santa Rita de Cássia, no bairro Exposição. O casal Jorge Pio dos Santos, de 91 anos e a esposa Alaíde Faria dos Santos, 79, contou a história da capela para o 15º vídeo da série Roteiros da Fé. A música escolhida especialmente é o Estudo em Lá menor, de Dionísio Aguado, gravada ao som do violão de Celso Faria.

Nós morávamos em Monte Belo e viemos para Passos em 1972. Não tinha igreja aqui, e nós, resolvemos construir uma capelinha de madeira. A comunidade ganhou uma área, então a primeira foi feita de forma bem rudimentar, simples mesmo, era de madeira. Passados alguns anos, ela estava para cair, então resolvemos montar uma comissão e construir uma nova. Eu era presidente da comissão que começou a arrecadação dos recursos para a construção, em setembro de 1996. A inauguração foi em 2000. Conseguimos arrecadar R$126.131,73 em 27 setores com carnês para a construção na época. O engenheiro foi meu genro Edson Gomes Parreira e o pedreiro meu filho Mário Augusto dos Santos. O esboço da igreja foi feito por Alaíde”, disse Santos.

Conforme explicou Alaíde, a imagem era pequenina, quando a capelinha era de madeira. “Ganhamos a imagem original, que ainda está na igreja. Quando construímos a capela que é a atual, a Zenaide Pádua Santos Ferreira fez a doação da imagem maior. E, também temos uma relíquia de Santa Rita. Mas, sofremos muito para fazer a capela. Passamos por vários tipos de resistências. Era uma pracinha e alguns vizinhos consideravam que a construção iria escurecer suas residências, mas, vencemos esta batalha, e, hoje todos praticamente são fiéis”, afirmou.

Sobre a escolha do nome de Santa Rita, Jorge Pio afirma que foi quando fizeram o loteamento e doaram a área, conforme escritura que está sob os cuidados da Paróquia Nossa Senhora das Graças, o próprio nome do loteamento já era da santa.

Joaquim Lemos Pádua e sua esposa Ivone Conte doou para a Paróquia Nossa Senhora das Graças, em 26 de junho de 1983, um terreno medindo 1.186,22 metros quadrados no Loteamento Santa Rita, valendo Cr$100.000,00 (cem mil cruzeiros)”, aponta a escritura.

Anualmente, no dia de Santa Rita, que é em 22 de maio, são celebradas várias missas, distribuídas imagens e pétalas de rosas. “É sempre uma festividade com todos os horários lotados. Neste ano não aconteceu por conta da pandemia. Somos muito felizes por termos participado da construção das duas igrejas, a de madeira e a de alvenaria. Na época da de madeira, me recordo que foram para a zona rural pedir madeira, telha, foi uma alegria”, disse Alaíde.

As pinturas sacras da capela foram feitas por frei Lázaro Aparecido Diogo, natural de Andradas e que, conforme Alaíde, se hospedou em sua residência durante o período dos trabalhos. “Ele terminava o serviço, vinha e tomava banho e voltava para celebrar”, contaram.O casal se diz feliz em saber que tantos devotos vão à capela que eles idealizaram. “Somos felizes também por termos feito 3 comemorações de bodas na igreja. A de 45, 54 e 60 anos de casados”, afirmaram.


Santa Rita teve vida de sofrimento e dor

Santa Rita de Cássia era filha única. Nasceu em maio do ano de 1381, nas montanhas em Roccaporena, perto de Cássia, região da Umbria, Itália. Ela queria ser religiosa, mas os pais a obrigaram a casar. O marido escolhido foi Paolo Ferdinando. Não foi uma boa escolha, pois Paolo era um infiel no matrimônio e tinha o hábito de beber demais. Por causa dele, Santa Rita sofreu por 18 anos, período em que foi casada. O casal teve dois filhos. Durante o tempo de casada, Rita demonstrou muita paciência e resignação por tudo que sofreu.

Mesmo sofrendo, ela nunca deixou de rezar pela conversão dele. Por fim, a mansidão e o amor de Rita transformaram aquele homem rude e bruto. Paolo se converteu e mudou sua vida conjugal de tal forma que as amigas de Rita e as mulheres da cidade vinham aconselhar-se com ela. Paolo, embora verdadeiramente convertido, tinha deixado um rastro de violência e rixas entre alguns grupos da cidade. Assim, um dia ele saiu para trabalhar e não voltou para casa. Santa Rita de Cássia teve a certeza de que algo horrível tinha acontecido.

Ele foi encontrado morto. Tinha sido assassinado. Seus dois filhos, que já eram jovens, juraram vingar a morte do pai. Santa Rita, então, pediu a Deus que não deixasse eles cometerem esse pecado mortal. Logo os dois ficaram muito doentes, de forma incurável. Antes que eles morressem, porém, Santa Rita ajudou os dois a se converterem, ao amor de Deus e ao perdão. A graça foi tão grande que os dois conseguiram perdoar o assassino do pai, e morreram. Parece estranho, mas a morte dos dois filhos de Santa Rita quebrou uma corrente de ódio e vingança que poderia durar anos, causando muito mais sofrimentos e mortes. Depois disso, Santa Rita de Cássia teve a certeza em seu coração de que os três estavam juntos no céu. Assim, tudo tinha valido a pena.

Santa Rita, estando sozinha na vida, quis entrar para o convento das irmãs Agostinianas, obedecendo ao chamado que sentia desde menina. As irmãs, porém, estavam em dúvida sobre sua vocação, visto que tinha sido casada, o marido fora assassinado e os dois filhos morreram de peste. Por tudo isso, elas não queriam aceitar Rita no convento. Então, numa noite, Santa Rita dormia, quando ouviu uma voz chamando: Rita. Rita. Rita. Ela abriu a porta e estavam ali, São Francisco, São Nicolau e São João Batista. Eles pediram que ela os seguisse e depois de andarem pelas ruas, os santos desapareceram e Rita sentiu um suave empurrão. Ela caiu em êxtase e, quando voltou a si, estava dentro do mosteiro, estando este com as portas trancadas. Então as freiras não lhe puderam negar a entrada. Rita viveu ali por quarenta anos.

Em dúvida se vocação de Rita era verdadeira, a superiora mandou-a regar um pedaço de madeira seca que estava no jardim do convento. Ela deveria fazer aquilo por um ano. Rita obedeceu com paciência e amor. Depois de um ano, para a surpresa de todos, mais um milagre aconteceu: o galho se transformou numa videira que dá uvas até hoje. Orando aos pés da cruz Santa Rita de Cássia pediu a Jesus que pudesse sentir um pouco das dores que ele sentiu na sua crucificação. Então, um dos espinhos da coroa de Jesus cravou-se em sua cabeça e Santa Rita sentiu um pouco daquela dor terrível que Jesus passou.

O espinho fez em Santa Rita uma grande ferida, de tal forma que ela tinha que ficar isolada de suas irmãs. Assim, ela fazia mais orações e jejuns para Deus. Santa Rita de Cássia ficou com a ferida por 15 anos. A chaga só foi curada quando Irmã Rita foi a Roma, no ano santo. Quando voltou ao mosteiro, porém, a ferida se abriu novamente. No dia 22 de maio de 1457, o sino do convento começou a tocar sozinho. Santa Rita estava com 76 anos. Sua ferida cicatrizou-se e seu corpo começou a exalar um perfume de rosas. Uma freira chamada Catarina Mancini, que tinha um braço paralítico, ao abraçar Santa Rita de Cássia em seu leito de morte, ficou curada.

No lugar da ferida apareceu uma mancha vermelha que exalava um perfume celestial que encantou a todos. Logo apareceu uma multidão para vê-la. Então, tiveram que levar seu corpo para a igreja e lá está até hoje, exalando suave perfume, que a todos impressiona. Santa Rita de Cássia foi beatificada no ano 1627, em Roma, pelo Papa Urbano VIII. Sua canonização foi no ano de 1900, no dia 24 de maio, pelo Papa Leão XIII e sua festa foi é comemorada no dia 22 de maio de todo ano.

O projeto Roteiros da Fé foi idealizado e produzido pela jornalista Adriana Dias, conta com as imagens e filmagens de Douglas Arouca, músicas ao violão de Celso Faria, gravação e mixagem de Denilson César dos Reis, criação do logo de Armando Vidigal. Das 24 igrejas, este é o 15º vídeo e pode ser visto em https://clicfolha.com.br/folhaplay/roteiros-da-fe-capela-santa-rita/