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Capela do CIC: cem anos de tradição e fé

Por Adriana Dias / Da Redação

31 de outubro de 2020

Foto: Douglas Arouca

PASSOS – A Capela do Colégio Imaculada Conceição comemorou em julho deste ano o centenário de fundação. As irmãs Concepcionistas receberam a imagem e o altar por meio de doações feitas pelo povo, e a igreja foi inaugurada no dia 1º de julho de 1920. Dom Antônio Augusto de Assis, bispo da Diocese de Guaxupé foi quem admitiu a obra concepcionista em Passos. Para enriquecer o vídeo desta semana o violonista Celso Faria solou o Estudo em Sol menor, de Mauro Giulian.

De acordo com a atual diretora do CIC, irmã Catarina Salviano da Cunha, que se valeu de arquivos da própria instituição, é impossível falar da capela sem contar a história do Colégio. No início do século XX, funcionava, em Passos, o Colégio São José, fundado pelas irmãs da Providência, numa casa doada por Dona Maria Bárbara de Melo, esposa do Barão de Passos. Em 1917, as irmãs resolveram encerrar seus trabalhos na cidade.

Na cidade de Machado, o padre Eduardo de Oliveira Batista conheceu a comunidade das irmãs Concepcionistas. Quando foi transferido para Passos, ficou sabendo que as irmãs da Providência estavam deixando o Colégio, então fez todo possível para trazer as irmãs Concepcionistas, de Machado, para continuarem a obra educacional.  No dia 20 de junho de 1917, chegaram a Passos, as cinco primeiras irmãs Concepcionistas, que eram as madres Maria Del Camino Hualde, Mercedes D’Ávila, Sóror Mariana Cuenca, Rafaela Pérez e Rosa Alcalde. Imediatamente começaram as aulas, pois a senhora Maria Bárbara de Melo fez a doação da casa e do terreno contíguo, ao todo 4.410m², para a obra Concepcionista de Ensino.

Padre Eduardo e Dona Maria Bárbara iniciaram uma campanha de doações para se construir um colégio no terreno, ampliando assim o antigo colégio. Formaram uma comissão na qual os dois eram os presidentes. Conseguiram 50 mil reis, com ajuda do povo e da imprensa local. Bárbara, como grande benemérita, doou a quantia de 90 mil reis.
Em 1918, foi inaugurado um “palacete confortável” construído pelo mestre de obras David Baldini, onde passou a funcionar o novo Colégio no sistema de internato e externato. O programa de ensino constava de curso primário, secundário e normal. Atualmente, é a casa onde residem as irmãs. A casa grande inicial continuou abrigando salas de aula e a capela.

Maria Bárbara não tinha filhos e se afeiçoou muito às irmãs. Quando ficou viúva, foi morar com elas. Morreu em 1933, nos braços de Irmã Josefa. Em novembro de 1919, outras religiosas chegaram a Passos, que eram as irmãs Sacrário Aramburu, Adoración Gastón, Augusta Alcubilla, Patrocínio Siseto, Javieira, Terezinha Nunes e Casemiro Lipuzcoa. No ano de 1934, na gestão de irmã Rosário Tejel, formou-se uma comissão de senhores beneméritos da cidade para angariar os fundos necessários para construção de uma nova capela. As irmãs Gonzaga e Patrocínio, com muito entusiasmo, saíram de casa em casa solicitando donativos para a construção. A casa antiga foi derrubada e o lançamento da pedra fundamental se deu em 1º de novembro de 1934.

O sino, que ainda hoje se encontra no alto da capela, foi doado por Joaquim Gomes de Pádua. Dois anos depois, em 14 de abril de 1936, a nova capela foi inaugurada com muita solenidade pelo bispo Dom Ranulfo da Silva Faria. Os cantos da missa foram entoados a três vozes pelas alunas. O “Te Deum” foi entoado pelo Bispo e cantado em dois coros. Uma testemunha declarou: “Era um quadro encantador ver a capela repleta de alunas e ex-alunas com carinho e fervor, ante o altar de Nossa Senhora”. À noite se fez uma linda festa teatral.

A primeira visita pastoral foi feita por seu sucessor, Dom Ranulfo da Silva Faria, em 1921. A Superiora Geral, Irmã Lourdes Alonso, visitou as religiosas em 1923. Fez várias reformas no Colégio e incentivou a gratuidade, uma constante desde a fundação.

A capela mede 14 metros e 20 centímetros, com capacidade de acomodar 184 pessoas. Passou por duas reformas: a primeira em 1961, quando foram colocados os vitrais coloridos, imitando o estilo medieval gótico o que lhe empresta rara beleza, e foram doados por benfeitores do colégio. A segunda foi na década de 1970. A superiora irmã Renata Rovay, convidou o arquiteto, Paulo Pimenta Esper, para fazer um estudo para a sua modernização. Sendo responsável pela reforma o engenheiro Dedé Veloso, e tendo ao teto um moderno desenho do Espírito Santo.

Em 1967, celebraram-se as bodas de ouro da fundação do colégio. A rua recém-asfaltada, continuação da Rua Cristiano Stockler, recebeu o nome de Rua Madre Carmen Sallés, hoje Santa Carmem Sallés. Nesse ano, as irmãs extinguiram o internato e então os dormitórios e quartos de asseio das internas passaram por uma reforma, construindo-se mais salas de aula. No bojo das mudanças, o Colégio, em 1969, abriu matrículas para os meninos no curso Primário, passando a ser um colégio misto.

A sagração do altar foi feita no dia de São José, pelo bispo Dom José Batista de Almeida Pereira. Foram guardadas no altar, numa caixinha de prata, as relíquias de santos, junto com a seguinte declaração escrita por Dom José: “No ano de 1971, no dia 1º de março, consagrei este altar em honra da Imaculada Conceição de Maria, incluindo nele relíquias dos santos mártires, e concedi a todos os fiéis, hoje, a indulgência plenária, na forma costumeira da Igreja”.
O projeto Roteiros da Fé foi idealizado e produzido pela jornalista Adriana Dias, conta com as imagens e filmagens de Douglas Arouca, músicas ao violão de Celso Faria, gravação e mixagem de Denilson César dos Reis, criação do logo de Armando Vidigal. Das 24 igrejas, este é o 17º vídeo e pode ser visto em https://clicfolha.com.br/folhaplay/roteiros-da-fe-capela-do-colegio-imaculada-conceicao/.


Colégio se equiparou ao Estudo Normal

PASSOS – A Superiora Geral, Irmã Lourdes, voltou a visitar o colégio quando iniciou a revolução de 1930, que levou Getúlio Dornelles Vargas ao poder. Devido às dificuldades de comunicação e os conflitos entre Minas e São Paulo, irmã Lourdes permaneceu longo tempo em Passos.

Em 1923, o supervisor de ensino do estado de Minas Gerais, Joubert de Vasconcellos, anotou no livro próprio: “As irmãs Concepcionistas aliam à sua comprovada competência uma delicadeza no trato, uma afabilidade e uma modéstia verdadeiramente comovedoras”. (…) “Passos, esta bela e encantadora cidade, que no dizer de um seu ilustre filho e talentoso poeta é: “… à princesa senhoril, formosa e linda princesa do sul pode se orgulhar de possuir um ótimo estabelecimento de ensino como é o Colégio Imaculada Conceição, atestado vivo e palpitante da sua cultura, do seu progresso e do seu adiantamento”.

Em 2 de março de 1939, (mesmo dia da eleição de Pio XII), conseguiu-se a equiparação do Colégio à Escola Normal, através do decreto de número 1777, publicado no diário oficial de Minas Gerais. A Escola Normal ou Curso Normal, também conhecido como Magistério de 1º grau ou pedagógico, era um curso de habilitação para o magistério nas séries iniciais do ensino fundamental. Também era um curso frequentado pelas moças para serem bem-educadas e boas donas de casa.

Foram seis as primeiras formandas diplomadas professoras normalistas, em 1939. O paraninfo delas foi o Monsenhor Messias Bragança, pároco da igreja Matriz do Senhor dos Passos. Tudo aconteceu no dia da Imaculada, 8 de dezembro, seguindo-se grande procissão pelas ruas da cidade. Em 1946, houve uma reforma educacional no país e o Colégio passou a chamar-se Ginásio da Escola Normal Imaculada Conceição. Em 1972, voltou à denominação antiga: Colégio Imaculada Conceição a qual continua até nos dias de hoje.

O reconhecimento do Curso Normal impulsionou as matrículas, inclusive no curso primário. Por isso as irmãs resolveram, através de empréstimos com pessoas conhecidas, comprar o terreno ao lado para alargar o prédio do lado da capela. A construção iniciou-se no dia 24 de outubro de 1949.

As Concepcionistas se orgulham pela contribuição na história e no progresso da região ao longo destes 103 anos. A obra concepcionista tornou-se parte importante da história de Passos. Os 103 anos do colégio é um orgulho para a cidade. Para as Concepcionistas e para o povo de Passos, cumpre-se o sonho da fundadora, Santa Carmem Sallés (que no dia 21 de outubro celebramos o 8º ano de sua canonização, em Roma pelo papa Bento XVI): “Adiante, sempre adiante!” Deus proverá!