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Cães fazem parte de projeto terapêutico em hospital psiquiátrico

1 de Maio de 2020

S.S. PARAÍSO -Estimular a troca de afeto entre o ser humano e os bichos de estimação tem sido uma estratégia do Hospital Psiquiátrico Gedor Silveira, em São Sebastião do Paraíso, no tratamento de seus pacientes. Desde o ano passado, a instituição trabalha com a Terapia Assistida por Cães (TAC) e conta com o seu próprio canil. Todo o trabalho é realizado com animais resgatados das ruas.

Psicólogo e Coordenador da Equipe Multidisciplinar do Hospital Gedor Silveira, Frederico Teruaky explicou que a ideia de se trabalhar com os cães para ajudar no tratamento dos pacientes surgiu no primeiro semestre de 2019. Segundo ele, o educador físico da instituição naquela época, Rubens Santini, sugeriu o trabalho com os cães, uma vez que já havia realizado trabalho semelhante em outros locais.

Segundo o psicólogo, a implementação da TAC veio para ampliar as estratégias de tratamento do hospital, que já tem em seu programa terapêutico várias modalidades de atendimento com profissionais de diversas áreas. “Os pacientes que chegam até o hospital estão em um momento difícil e delicado de suas vidas. À medida que a sociedade se transforma, o sofrimento também adquire novas formas de expressões e com isso, novos sintomas. Por vezes o sintoma é novo, mas o sofrimento é antigo. Assim, cada um desenvolve à sua maneira suas formas de enfrentamento da realidade. Essa maneira única de interpretar e enfrentar a realidade marca a singularidade de cada um. Torna-se então, cada vez mais importante que haja uma maior abrangência nas estratégias de tratamento para estas modalidades de sofrimento”, disse.

Conforme explicou Teruaki, a principal finalidade do projeto é o trabalho terapêutico com os pacientes. “Existem duas modalidades que são mais utilizadas neste tipo de terapia com animais: a Terapia Assistida por Animais e a Atividade Assistida por Animais. Geralmente na terapia assistida é pensado desde as características próprias da raça e da personalidade do animal, para se traçar os objetivos do tratamento de acordo com as necessidades do paciente. No hospital tem sido mais utilizado a atividade assistida, onde eles atuam principalmente como facilitadores e auxiliam nas atividades propostas. Porém, é importante que possa haver cada vez mais a capacitação dos profissionais para que a terapia assistida possa ser realizada da forma mais eficaz possível”.

 

Programa trabalha só com animais abandonados

S. S. PARAÍSO – Outra finalidade considerada importante pelo psicólogo é a humanização do ambiente de trabalho. De acordo com ele, alguns cães selecionados, são identificados e autorizados a transitarem nas áreas livres da recepção e administração, fora do complexo hospitalar. “A interação com estes cães contribui para a quebra da tensão provocada pela rotina e permite um ambiente mais harmonioso e descontraído”, completou.

Questionado sobre a decisão do hospital de se trabalhar apenas com animais abandonados e montar seu próprio canil, Frederico Teruaky disse que o projeto contempla algumas finalidades consideradas importantes para toda a equipe do hospital, entre elas a causa animal. “Fizemos essa escolha para que os animais pudessem ser treinados e acompanhados de perto. Atualmente estamos com 21 cães. Todos eles foram acolhidos na rua em estado de sofrimento e maus tratos e abrigados, dentro das possibilidades e capacidade da própria Instituição. Assim que chegam são tratados pela veterinária, que os mantém cuidados e saudáveis. Temos também uma pessoa contratada especialmente para os cuidados e limpezas diárias dos cães e do canil. Após estarem em condições, eles passam a serem treinados e também colocados para adoção, para que possam ter novos cuidadores. Os cães que estão para adoção são divulgados nas mídias sociais do hospital”, concluiu.