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Cadeirantes reivindicam acessibilidade em postos de saúde

10 de setembro de 2020

De acordo com o secretário de Saúde, Evandro Bogo, a lei de acessibilidade é recente. / Foto: Divulgação

PASSOS – A inclusão social é um dos temas mais enfatizados no debate público, devido à importância que o tema tem em um mundo cada vez mais conectado e atento às necessidades básicas das pessoas. No entanto, cadeirantes de Passos relatam que não estão conseguindo acessar adequadamente os Programas de Saúde da Família (PSF) para atendimentos ou consultas médicas. O estudante Pedro Felipe Moreira de Freitas afirma que já teve acesso de boa qualidade, mas hoje em dia enfrenta dificuldades.

Eu morava no Jardim Itália e o posto de saúde do bairro tinha uma boa acessibilidade. Porém me mudei há uns anos para o bairro Exposição e eu tenho muita dificuldade, pois o PSF daqui é uma casa e não tem rampa. A entrada mais fácil é uma garagem, mas tem um degrau e é preciso ajuda para que eu consiga subir. Já aconteceu de não terem a chave do portão dessa garagem e eu ter que esperar na rua até chegar a pessoa para abrir. Por conta disso tudo, acabo perdendo consultas”, contou.

A diretora da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Terezinha de Lourdes Pereira, diz que a cidade precisa evoluir muito na questão da acessibilidade.

Até para os carrinhos de bebês não tem [acesso adequado]. Precisamos de entradas e saídas, rampas em geral, transportes, além de ensino de Libras e braile para as pessoas com deficiência auditiva e visual também. Então, pelo que vejo, nenhum projeto vai muito além, fica só no papel e nada acontece, visto que precisamos de um outro paradigma: olhar para as pessoas com necessidades e vê-las como cidadãos que precisam de inclusão para ter uma qualidade de vida melhor”, declarou.

Ela ressalta que é necessário ter uma acessibilidade atitudinal, que pode ser definida como o conjunto de práticas que elimina as barreiras sociais.

É importante ter uma visão do todo, olhar para a pessoa e o ser humano acima de qualquer coisa. É diminuir as diferenças e ter ações que favorecem a inclusão, não só uma rampa, mas entender e conviver com o outro com atitudes acessíveis. Conseguindo isso, as outras acessibilidades físicas virão automaticamente”, finalizou.

De acordo com o secretário de Saúde, Evandro Bogo, a lei de acessibilidade é recente, por isso a maioria das edificações não atendem à legislação.

Hoje, não se aprova nenhum projeto se não houver acessibilidade, isso é cobrado na análise e na liberação de Habite-se, tanto para projetos residenciais quanto comerciais e prédios públicos”, explicou.

Não há um levantamento de quantas edificações são acessíveis a cadeirantes, mas, segundo o secretário, há um projeto – sem previsão para ser implementado – para adequar aquelas que ainda não estão aptas a atender esse público.