Destaques Opinião

Brasil país rico, povo pobre

POR ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS

28 de novembro de 2020

Por que o Brasil, um país rico, mantém índices de pobreza da população ao nível de países do Terceiro Mundo dos mais subdesenvolvidos? O Brasil sempre aparece nas listas entre as dez maiores economias do mundo e, no entanto, por outro lado, se mantém no vexatório 75º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) internacional. O que significa isto, uma vez que em tese somos um país livre, democrático e inserido no mercado internacional como grande importador e exportador?

Nossos bancos públicos e privados mantêm altas taxas de lucros semestrais e anuais comparáveis aos grandes bancos do mundo. Na lista Forbes já constam 238 bilionários brasileiros em 2020, cujas fortunas somadas, chegam a R$ 1,6 trilhão, alta de 33% em relação à soma do ano passado. Este valor é quase igual ao PIB (Produto Interno Bruto) do Chile, que foi de R$ 1,63 trilhão. Além de tudo isto o país tem grande extensão territorial com vários biomas com características bem diferentes em cada um deles com as maiores reservas de água doce do mundo, milhares de quilômetros de litoral e a maior parte de floresta equatorial do mundo. Somando-se ainda as riquezas minerais em abundância.

Enfim, sobre os aspectos econômicos, com razão, o que vêm primeiro à nossa mente quando falamos na categoria dos países “ricos” e/ou desenvolvidos, com todos esses potenciais citados poderíamos incluir o Brasil! Sob esse ponto de vista, o país rico é aquele que se destaca na produção, circulação e consumo de bens e serviços. Possui sistema bancário altamente desenvolvido, parque industrial diversificado, mão-de-obra qualificada e altamente produtiva, recursos naturais abundantes e investimentos vultosos em inovação tecnológica.

É aquele país cujo Produto Interno Bruno (PIB) alcança os patamares mais significativos, repercutindo, também, sobre a renda per capita. Este Brasil aí descrito existe dentro do nosso território, mas é para poucos brasileiros.
Será que esses dados são suficientes para compreender a “realidade” do país? Logicamente, não! Necessitamos ao lado dos aspectos econômicos o de inserir os fatores de caráter social e político, no que diz respeito a ampliar o escopo dessa análise para indicarmos os entraves que faz deste país rico ser um povo pobre. Em termos sociais, veremos que o Brasil não é país tão “rico” assim, pois a concentração de renda e as desigualdades sociais com disparidades regionais obstaculizam o desenvolvimento e “jogam” milhões de pessoas na pobreza e na miséria, ainda hoje. Um levantamento de dados ainda que parcial, revela um quadro desolador sobre o país.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro atual é de 0,754 (a escala varia entre 0 e 1), ou seja, é considerado alto. Mesmo assim, nosso país ocupa o 75º lugar na lista global elaborada pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). O Brasil está pior classificado do que, por exemplo, a Coréia do Sul (17º), a Grécia (29º), a Argentina (40º), o Chile (42º), Portugal (43º), Rússia (50º), Uruguai (52º), Panamá (60º), Cuba (67º), Costa Rica (69º) e México (74º). Apesar de relativamente alto, como qualquer indicador estatístico, o IDH brasileiro não consegue expressar, plenamente, as desigualdades sociais/regionais. Portanto, a realidade, em se tratando de qualidade de vida da população, pode ser pior ainda do que os dados revelam. Imagina este quadro atualmente, sob o impacto da pandemia e do emblemático governo Bolsonaro.

Nós podemos ter expectativas em mudar este dantesco quadro social tão avassalador nas desigualdades e injustiças sociais? A riqueza está aqui, próxima de nós, até porque produzida por todos nós, porém concentrada em poucas mãos, imperceptível para a maioria. Um abismo a separar os ricos dos pobres e à medida que se aprofunda o “abismo social”, os direitos fundamentais dos brasileiros em sua maioria vistos, de perto, são cada vez mais ignorados.

Por tudo isto, a palavra de orrem é, abaixo a política econômica neoliberal improvisada do faz decreto e desfaz, dessa esdrúxula dupla Bolsonaro-Guedes, que a continuar aprofundará ainda mais o fosso entre ricos e pobres. E o pior é que a recente relação trisal entre STF/Centrão/Bolsonaro retira qualquer expectativa de mudança. Segundo o jornalista Reinaldo Azevedo, “o governo (Bolsonaro) não tem mais a remota noção do que está fazendo”. Eu tenho a certeza de que nunca teve! Até quando o povo suportará?

ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História