Destaques Dia a Dia

Bom humor

7 de julho de 2020

Que gostoso que é darmos boas risadas de uma situação engraçada ou de uma boa piada! Que bom estarmos em companhia de pessoas de alto astral e bem humoradas! O quanto nos faz bem quando estamos alegres e despreocupados, mesmo cientes de que os problemas continuam existindo e que teremos que enfrentá-los, mais cedo ou mais tarde…

Evidente estarmos falando aqui do ‘bom’ humor, porque de ‘mau’ humor o mundo já anda cheio. O bom humor, como remédio precioso e salvador, para que tenhamos uma vida melhor e saudável, é o que estamos bem precisados nestes dias de tantas inquietações. Quando nos referirmos a ele, em seguida, o denominaremos apenas com a conotação positiva, que é o que realmente nos interessa.

Ele tem sido objeto de sérias reflexões, desde os primeiros tempos da humanidade, quando filósofos, como Platão e Aristóteles, dele se ocupavam e, ultimamente, tem recebido atenção especial, merecendo até estudos científicos a respeito de sua ação e seus efeitos. É que, além de contribuir para o bem-estar individual, promovendo “limpeza cotidiana no espírito” de cada um, o humor facilita o convívio social, melhorando o relacionamento entre as pessoas, tanto em casa como na escola ou no trabalho.

Além disso, ele serve para nos acalmar, ajudando a liberar as tensões. Certamente é o único tranquilizante ao alcance de todos, e sem efeitos colaterais. Só que não se encontra à venda nas farmácias. Depende de nós, da nossa disposição interior para encarar a vida e os seus tropeços. Todos sabem que o grau de estresse que cada um sofre se liga à maneira pela qual cada pessoa enxerga a realidade e, consequentemente, a ela reage. Enquanto uns buscam soluções, outros cuidam de achar problemas e os culpados, ou pior, entregam-se a lamentações que, por sua vez, só aumentam suas aflições e afastam os seus companheiros (já tentou ficar perto de uma pessoa ranzinza, mal humorada, que só sabe reclamar e por defeito em tudo e em todos?).

A mesma noção de como o humor nos ajuda a conseguir as coisas aparece em outros tempos e lugares. Os esquimós, por exemplo, utilizam-no para renovar suas energias, reunindo-se de vez em quando, em pequenos grupos, onde cada qual dramatiza as próprias experiências embaraçosas, ou desastrosas, enquanto todos riem juntos do que lhes vai sendo relatado.

Eles nos dão uma lição de como cultivar formas bem-humoradas de lidar com as nossas dificuldades, temperando-as com aquela graça, que nos cabe descobrir, capaz de reduzi-las a dimensões mais fáceis de tratar.

Essa base crítica do humor, que nos permite encarar os fatos diários sob uma nova ótica, levando-nos, pelo menos, a sorrir deles, possui tal força que, às vezes, consegue inverter as relações do poder. Na Antiguidade, o bobo da corte era o único que conseguia dizer as verdades aos poderosos, elevando-se, portanto, acima das outras pessoas.

Uma caricatura inteligente, por exemplo, vale páginas de crítica.

Uma charge bem feita corresponde a um editorial sem palavras. Exemplo disto são as charges do “Vascoli”, publicadas em nosso jornal, que satirizam as mais variadas situações, tanto locais quanto nacionais. Ambas estabelecem comunicação emocional e imediata com o público.

Ao longo dos tempos, grandes pensadores, escritores, dramaturgos, cineastas, humoristas e outros artistas têm utilizado esse recurso para demonstrar pontos de vista, desnudar hipocrisias, derrubar ideias, levar à reflexão. Essa aproximação entre o humor e a criatividade também transparece nas ciências, pois facilita a geração de novas hipóteses; e o “brincar” com elas, possibilita a busca de provas e o consequente avanço dos conhecimentos.

Quem exprimiu bem a estreiteza dessa associação foi o matemático e poeta Paul Valéry, quando afirmou que “uma pessoa sisuda (séria, carrancuda) tem poucas ideias, enquanto uma pessoa de ideias jamais é sisuda”. (Baseado no texto de Ethel Bauzer de Medeiros)