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Belas Artes libera acesso gratuito até 15 de abril

11 de abril de 2020

Opção voltada a quem já cansou do conteúdo mais pop encontrado nas plataformas de streaming clássicas, como Netflix e Globoplay, o Petra Belas Artes à la Carte disponibilizou seu acervo gratuitamente em meio à pandemia do novo coronavírus. Criado pelo cinema de rua de São Paulo Petra Belas Artes, o serviço destaca filmes cults e clássicos, abrindo mão das produções hollywoodianas para abrigar uma coleção multicultural, de diversos países e épocas. Os interessados só precisarão acessar o site www.belasartesalacarte. com.br e fazer.

Estão lá, por exemplo, longas dirigidos por Fritz Lang, Andrei Tarkovski, Luchino Visconti, Jean-Luc Godard, Kenji Mizoguchi e o brasileiro José Mujica Marins, morto em março. O acesso é liberado a todos que se cadastram na plataforma, até o dia 15 de abril. Depois disso, é preciso assinar por R$ 10,90 ao mês.

A gratuidade vem na esteira de outra novidade do serviço: antes hospedado pelo portal de aluguel de filmes Looke, ele mudou de casa. Repaginado, o Petra Belas Artes à la Carte agora tem endereço próprio.

E um dos destaques do acervo é um dos filmes mais cultuados de Luchino Visconti, “Morte em Veneza”. A adaptação do romance de Thomas Mann se passa em Veneza assolada pela cólera. Aschenbach, o personagem interpretado por Dirk Bogarde, é um esteta, um compositor. Identifica um ideal de beleza no garoto andrógino, Tadzio. Persegue-o pelos canais venezianos, sem ligar muito para os cartazes afixados nas portas das casas e que alertam para o risco de pandemia. Contamina-se, e a sua patética tentativa de rejuvenescimento – a pintura do cabelo – escorre pelo rosto, expondo a decadência.

“Morte em Veneza” é de 1971. Recebeu o prêmio do 25º aniversário no Festival de Cannes, no mesmo ano em que a Palma de Ouro foi atribuída a “O Mensageiro”, de Joseph Losey. Na época, Losey e Visconti tentavam adaptar a obra monumental de Marcel Proust, “Em Busca do Tempo Perdido”. Terminaram inviabilizando o projeto um do outro, mas os dois filmes, pelo brilho na reconstituição do tempo passado, fazem sonhar com o que foi irremediavelmente perdido.