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Aumento no salário-mínimo é insatisfatório, dizem trabalhadores

Por Mayara de Carvalho/ Redação

11 de janeiro de 2021

Antônio Claré diz que reajuste do salário mínimo não melhora na hora das compras para casa. / Foto: Divulgação

PASSOS – O aumento no salário-mínimo (R$55) tem deixado muitos trabalhadores insatisfeitos. O reajuste em 2021 foi de 5,26%, em relação ao valor do ano passado, e o salário ficou em R$1,1 mil. Para a dona de casa Sandra Mara Santos Costa, que fez compras no último sábado, é difícil equilibrar todas as contas com um salário.

R$ 207! Não estou levando nada! Comprei um pacote de arroz, dois litros de óleo, dois quilos de feijão, verduras, frutas e um quilo de carne. É complicado. Para quem paga aluguel, água, luz e gás, fica praticamente impossível”, disse ela.

O aposentado Pedro Pinheiro Ribeiro disse acreditar que o aumento do salário-mínimo teria que ser de, pelo menos, 15% em comparação com o ano anterior. “Com R$55 a mais dá para comprar mais dois pacotes de arroz”, disse atônito. Antônio Claré, assistente de acadêmia, saiu às compras e disse estar indignado.

Saio com a lista e anoto tudo. Acredito que essa compra vai ficar um pouco cara. É muito complicado. Precisamos comer. A pandemia fez os preços subirem de forma ridícula. O preço dos produtos hoje não é o mesmo de ontem. Os fiscais da época do Sarney deveriam voltar nesse governo. Estamos precisando”, desabafou Claré.


Para Dieese, valor atualizado deveria ser de R$ 5.289,53 por mês

Estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico, (Dieese), mostram que o valor salário-mínimo está cinco vezes menor que o necessário para sustentar uma família com quatro pessoas. O levantamento leva em consideração uma série de fatores, dentre eles o preço da cesta básica.

Em dezembro de 2001, o valor deveria ser de R$ 1.101,54, para que a população pudesse manter o básico. Contudo, na época, o salário era R$ 180,00. Em novembro de 2020, a atualização do Dieese mostrava que o salário nominal de R1.045,00 deveria ser de R$5.289,53.

Para João Pedro Pereira Barbosa, professor de economia da Universidade Estadual de Minas Gerais, (Uemg), não é possível ver o reajuste como uma adição significativa.

O preço da carne subiu, o arroz subiu, está tudo mais caro. O Governo Federal está tentando um pequeno reparo para compensar tantos acréscimos que tivemos nos produtos, principalmente nos últimos dias de 2020. Todavia não é possível ver uma melhora de grande impacto para o trabalhador”, disse.

Segundo Barbosa, o problema de um reajuste muito alto é que o montante afetaria a Previdência Social.

Se fosse dado um aumento muito grande, conforme a realidade que a população precisa, ficaria complicado para o governo, que tem a função de manter esse lado social para o povo. A população não pode passar fome. No entanto, com esse valor é complicado viver”, disse o economista.

Para ele, uma solução seria que houvesse um aumento gradativo no valor do salário-mínimo.

Seria bom se fosse possível um aumento percentual regular duas vezes ao ano. Como essa opção parece um sonho distante, o que posso dar de dicas para o trabalhador é que as pessoas busquem outra opção. A gente vê que o empreendedorismo tem crescido. Então, se você pode abrir seu negócio próprio, pode ser uma boa saída”, afirma. No último levantamento realizado pelo Procon da Câmara Municipal de Passos, entre os dias 21 e 23 de dezembro de 2020, o valor da cesta básica no município, variava entre R$238,21 e R$355,49.