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Aumento no preço da carne agrada suinocultores da região

Por Nathália Araújo / Redação

13 de agosto de 2020

Os novos preços para a carne de porco conseguem impulsionar os lucros e o comércio. / Foto: Divulgação

PASSOS – O segundo semestre do ano é sempre muito aguardado pelos produtores da região, já que costuma ser um período de valorização de todos os tipos de carne. Diante dos novos preços e da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, a carne suína passou a ser muito procurada. Os profissionais que atuam neste setor estão empolgados com o aumento da demanda, uma vez que, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a cotação para o quilo do suíno vivo está em R$ 7,39.

Alguns dos principais fatores capazes de determinar o reajuste deste tipo de carne são o elevado índice de exportações e a alta do dólar, que hoje está avaliado em R$ 5,47. Com isso, o mercado interno passa a ter menos opções do produto, resultando em uma valorização de cerca de 30% – em junho, o quilo do suíno vivo estava cotado em R$ 5,50. Outra condição que interfere nos custos é a elevação do preço dos grãos que compõem a alimentação dos animais.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (SinRural), Elder Maia dos Reis, explica que, embora o momento seja favorável para realizar bons negócios, o setor sofreu muitas oscilações no início do ano.

Esse reajuste foi necessário, porque os valores não eram suficientes nem para cobrir as despesas, mas o mercado passou por uma fase de recuperação e, agora sim, encontramos um preço melhor. As vendas estão aquecidas, principalmente para quem produz carnes do tipo exportação”, disse.

Há 35 anos neste ramo, Roberto Silveira Coelho está entre os principais suinocultores do país e destaca que, mesmo com a alta nos investimentos, os novos preços para a carne de porco conseguem impulsionar os lucros e o comércio.

Com a grande taxa de exportações, nosso mercado interno está desabastecido. Apesar disso, a procura por aqui ainda é grande, especialmente neste momento de crise, porque os consumidores estão pensando no quanto suas compras pesarão no bolso”, esclareceu o produtor.

Empresários revelaram que a diferença na demanda também foi vista em alguns açougues da cidade.

Mesmo com o encarecimento, as vendas estão muito boas e o consumo de suínos realmente aumentou. A procura por aves costuma ser alta durante todo o ano e não sei se os preços influenciam neste aspecto, porque se trata de outro tipo de produto. Sabendo que a economia está bem lenta, muita gente optou por trocar a carne bovina”, informou Fabiana Santos, que trabalha em um estabelecimento do ramo.

Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa) apontam que a exportação de carne suína in natura e processada voltou a ultrapassar o índice mensal de 100 mil toneladas.