Destaques Dia a Dia

As precursoras de nossas farmácias: as boticas

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

11 de janeiro de 2021

Almanaques publicados e distribuídos gratuitamente nas farmácias até alguns anos passados, podem nos trazer informações interessantes e importantes. Em um deles, do Laboratório Catarinense, de vinte anos atrás e com propaganda de seus produtos, localizamos estas curiosidades sobre as antecessoras das nossas atuais farmácias. Há uma série de nomes de instrumentos e objetos descritos que nós conhecemos. Alguns, nós consultamos. Os farmacêuticos formados e os que trabalham no ramo há muitos anos devem conhecer tais nomenclaturas. É história para nos fazer entender melhor o presente.

Conhecidas como boticas ou apotecas, elas foram as precursoras de nossas farmácias. Eram estabelecimentos que tinham uma organização com várias exigências, pois, precisavam ser funcionais. Eram dotados de celeiros, porões, despensas, armários, prateleiras, aparadores, arcas, mesas e cadeiras. Era comum pendurar animais empalhados no teto, principalmente crocodilos.

Caixas de madeira eram utilizadas para conservar os materiais do boticário. Medicamentos para problemas de estômago eram guardados em caixas feitas de couro. Os potes feitos de estanho eram utilizados para conservar gorduras e pomadas. Para guardar os óleos medicinais eram utilizados recipientes de ferro e chumbo. Os potes de cerâmica acondicionavam vinhos e vinagres.

Um bom tempo depois estes recipientes foram trocados por potes de majólica (ou: maiólica), que era a cerâmica esmaltada. Mais tarde ainda, surgiram as vasilhas de porcelana. No período, apareceram frascos, garrafas, alambiques, funis, frascos de medidas, serpentinas, retortas, filtros, peneiras, prensas para extrair o sumo das plantas, tesouras, espátulas, colheres e piluladores.

Os boticários ou apotecários tinham como instrumentos de trabalho as seringas, garrafas de couro e cânulas. As famosas boticas de antigamente foram as precursoras das nossas farmácias. Hoje, muitas delas levam o nome de “drogaria e farmácia”. Não sei o motivo do nome “drogaria”, pois dá uma certa conotação pejorativa. Acredito ser por um motivo conhecido de todos, ou seja, que todo medicamento tem efeito colateral, que dá a impressão de ser uma droga. Portanto, não se fala aqui, de uma droga alucinógena, que acaba com a saúde física e mental do usuário dela.

Cumpre-nos saber, que o homem evolui a cada dia que passa, apesar de alguns involuírem, mas, o que se há de fazer! Desde que se tem notícia do homem no nosso planeta, dotado de inteligência e razão, sabemos que a espécie, para sobreviver, teve de trabalhar, procurar e achar cada vez mais melhores meios para manter sua vida no planeta. As adversidades foram enormes, inclusive da própria natureza que, se ela se apresentou benigna por muitas vezes, também sempre teve seus momentos de destruição. Aliás, sempre foi assim e continua sendo.

São catástrofes naturais, mas, que destroem e matam. Além disso, o homem, cada vez progredindo mais, também é culpado por muito do que aconteceu de ruim na natureza. Mas, muitos ainda persistem na destruição! Lembro-me de uma frase dita pelo artista Moacyr Franco, na televisão: “Precisamos entender que a natureza não precisa de nós, mas, somos nós que precisamos dela.” Não sei se a frase é de sua autoria e ele apenas a repetiu, mas, é um pensamento repleto de verdade.

O importante é deixar os erros para trás e não mais insistir neles. Não aceitamos continuem maltratando a natureza atualmente, com todo o conhecimento já existente e toda a tecnologia à disposição da humanidade. Os erros cometidos, ainda que por ignorância, precisam ser corrigidos. Os maus-tratos propositais, por questões políticas, de vingança, para contrariar ou culpar alguém, são inconcebíveis.

Descobertos, os culpados precisam ser severamente punidos. É a natureza que fornece a nossa sobrevivência e a matéria prima para a pesquisa de medicamentos e que estarão nas prateleiras das drogarias e farmácias. Daí, entrarmos no assunto sobre ela! Com o tempo e o avanço da tecnologia na área da saúde e dos laboratórios farmacêuticos com suas pesquisas e descobertas de novos medicamentos dia após dia, tudo foi se modernizando. Assim, temos as farmácias tais como as conhecemos hoje. O passado é história, para entendermos as mudanças.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial em São Paulo com registro no MEC, formado no Curso Normal Superior pela Unipac.