Destaques Dia a Dia

As famílias e as escolas!

Por Décio Martins Cançado

4 de agosto de 2020

Após o término desta pandemia do Corona Vírus, a Escola deverá ser repensada e, depois de profunda análise, reestruturada. Seguir como esteve até o início de 2020 é incorrer nos mesmos erros, sem avançar na qualidade que é, cada vez mais, urgente.

“Anos atrás, uma mãe que residia em Paris, foi matricular seu filho numa escola pública. Recebida por um simpático diretor, ela começou a fazer muitas perguntas sobre a escola, a disciplina, o método de ensino, e o diretor mudou de humor: – “Vá para casa, mamãe. Nós somos especialistas em educação. Sabemos cuidar do teu filho.” Absurdo!! Como conseguir uma boa educação sem a participação da família?

Mudando de país, um relatório de mais de trinta anos atrás, descrevia alunos da Coreia do Sul fazendo deveres em suas casas. Sentados com os alunos, estavam os pais. Continuavam lá, sentados perto dos filhos, mesmo quando não conseguiam mais ajudá-los nos deveres.

Viajando pelo mundo, analisando os diversos olhares sobre a educação, temos agora o testemunho de A. Oppenheimer, em sua visita à China: – “Educação é o principal valor das famílias e, em escolas particulares, ela é muito maior. Cerca de duzentos e cinquenta milhões de crianças e adolescentes estudam inglês”. O jornalista assistiu a várias aulas. Edifício simples, métodos tradicionais e alunos sentados nas primeiras filas. Mas, o que chamou a sua atenção foi que, no fundo das salas, estavam sentados muitos adultos. Questionado, o diretor explicou. Eram pais, avós e tios dos estudantes que estavam ali para “responsabilizarem” as crianças e adolescentes no cumprimento das tarefas, bem como, para aprenderem algo também.

Voltando ao Brasil, verifica-se que há uma enorme preocupação com a ineficiência do nosso sistema educacional. O diagnóstico que se vê, em todas as análises já feitas, em todos os resultados apresentados, em todos os meios de comunicação ou em publicações especializadas no assunto “educação”, é que o nosso ensino não é bom por culpa do gerenciamento, da administração do mesmo.

É comum que as propostas apresentadas ou que as reivindicações de diretores e professores sejam, quase sempre, no sentido de privilegiar a eficiência de seu trabalho, usando simplesmente incentivos já enraizados, tradicionais, com a visão distorcida de que isso deva ser feito baseado em outras atividades econômicas, tal qual na indústria ou no comércio, como idealizaram economistas e burocratas.

Já se verificou e se constatou que são propostas de fracasso fácil. Por mais refinadas que sejam, o processo político, o desenrolar das ações tendem a destruí-las. O mais grave é a visão da educação como não sendo da conta da Família, como na opinião do citado diretor francês. É inacreditável como os relatórios dos especialistas ignorem as famílias, pois sabemos perfeitamente que somente elas podem dar valor à educação de seus filhos e fazer as escolhas necessárias. As famílias que têm renda suficiente já fazem tais escolhas. Por que não dar poder às mais pobres, oferecendo-lhes condições de fazer suas escolhas?

Os defensores do sistema de ensino público usam dois argumentos. Um é que, pelo mundo afora, a educação é pública. O outro é que as experiências com bolsas de estudo ainda não chegaram a nenhuma conclusão. Ambos os argumentos não levam a lugar nenhum. O que deve ficar claro é que o ensino público precisa ser de qualidade, como algo natural e lógico, já que é patrocinado pela população, através da enorme carga tributária a que é submetida. Mas, e os nossos governantes, pensam assim? Bem sabemos que a resposta é não, e, para que algo possa mudar, os pais devem usar sua força, que é muito grande, através do voto e da pressão sobre os políticos, para que eles tomem as providências necessárias, e já tardias. A atitude dos pais tem que ser firme, sem trégua, ininterrupta.

O que se sabe é que a “esquerda caviar” na França defende escola pública para o povo, mas coloca os filhos em escolas particulares, ou exerce enorme pressão para que as escolas públicas dos seus filhos sejam boas. E com relação às experiências com bolsas, quase sempre é dinheiro carimbado, com muitas restrições e pouquíssimas opções para os pais. A escola pública pelo mundo é como a universidade pública no Brasil; concentradora de renda, pois a melhor educação vai para os ricos.
Enfim, como terminam as histórias relatadas acima? A mãe francesa colocou o filho numa escola particular.

A Coreia, que já foi sinônimo de pobreza, ficou rica. E os chinesinhos foram pelo mesmo caminho. Sem liberdade, qualidade, e sem a escolha dos pais, a educação se torna medíocre e inútil. É como diz o velho dito popular: “Acorda, Brasil!”.