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Arte da relojoaria se mantém atemporal

Por Ézio Santos / Especial

27 de junho de 2020

Foto: Helder Almeida

Se engana quem aposta que a profissão de relojoeiro estará extinta nos próximos anos. Apesar das inovações tecnológicas, sempre haverá uma ou mais pessoas em lojas que comercializam qualquer tipo de relógio ou uma pequena oficina que conserte um dos acessórios usados pelo ser humano.

Hoje, dia 27, é lembrado em todo o Brasil o Dia do Relojoeiro, que, de acordo com o dicionário, é aquele que fabrica, vende ou conserta relógios. Em Passos existem ao menos seis lojas exclusivas do ramo, mas algumas delas comercializam também ouro, prata e outros metais preciosos que são denominadas de ourivesarias e joalherias. Outros pontos de vendas são vendedores de adornos e bijuterias.

Vicente Andrade Reis, de 76 anos, talvez seja o relojoeiro com maior tempo em atividade hoje em Passos. “Comecei a trabalhar com 12 anos de idade”, afirmou o proprietário da Relojoaria e Ourivesaria Reis, revelando que a demanda de serviços para consertos vem diminuindo aos poucos com o passar do tempo.

“É uma profissão que não vai acabar tão cedo. Ainda tem existem muitos relógios antiquíssimos que viram peças luxuosas de colecionadores e de quem recebeu como presente. Um dia eles vão necessitar de manutenção”, salientou.

A Relojoaria Big Ben ainda é uma das mais tradicionais de Passos e chegou a ter seis funcionários, mas hoje é uma simples loja de vendas e consertos de maquinismos que servem para marcar o tempo e indicar as horas.

Com o passar dos tempos, vem e vai crises acabei ficando sozinho. Hoje me limito a comercialização e principalmente reparos de relógios, peças de ouro e prata. Serviço nunca vai acabar para aqueles manuais, automáticos, mecânicos, digital, analógicos ou qualquer outro tipo”, afirmou Olaídes Francisco Rodrigues, aposentado de 78 anos, e 40 anos no ramo.

Tradicional e uma das mais completa relojoaria de Passos, inclusive com filial, a Lanco, já está no mercado também de joias na cidade há aproximadamente 67 anos. Márcio Simões, trabalhando mais de 33 anos como relojoeiro conta que a profissão nunca vai acabar.

Enquanto tiver relógios no mundo, novos ou antigos, sempre haverá um profissional da área. Dificilmente haverá um que nunca vai precisar um dia de concerto da máquina ou pequenos reparos como troca de pulseira, vidro bateria etc”, comentou.

Márcio revelou um dado curioso: “mulheres são as que mais compram relógios. Elas são consumistas também em roupas no geral, sapatos e diversos acessórios como joias e bijuterias”, acentuou.

Joaquim Ourives

Talvez a loja mais antiga no ramo em Passos seja a Joaquim Ourives, Joias e Relógios, fundado por Joaquim Justiniano dos Reis, pai do atual prefeito Renatinho Ourives e sócio-proprietário do estabelecimento. De acordo com José Aílton Lima Reis, de 65 anos, irmão do político, nos últimos anos o relojoeiro teve seus trabalhos diminuídos em razão da tecnologia, principalmente por causa da fabricação de produtos considerados descartáveis.

Não se fabrica mais nada que dure anos e anos sem levar ao conserto, com poucas exceções. Relógios são exemplos claros porque a grande maioria é descartável. Não compensa trocar peças”, assegurou.

Para Aílton, um ótimo marcador de horas e datas tem alto custo e poucas pessoas têm condições financeiras de comprá-los. “Os modelos, matéria prima, funcionalidade etc, reflete no seu encarecimento. Os que compram, usam apenas em eventos sociais especiais, porque para o dia a dia a pessoa usa no pulso um mais barato. O relógio, inclusive de parede, com ponteiros ou digital, nunca vai acabar em razão de sua precisão e facilidade de manusear, apesar das opções de consultar horas são inúmeras, como aparelho celular, no painel do carro, computador, televisor, forno micro-ondas e até geladeira”, discorreu.

José Roberto de Oliveira, de 59 anos, mais conhecido com Peixinho, começou a trabalhar no ramo em 1972, na loja do Joaquim Ourives. Na época, aos 11 anos de idade, Peixinho aprendeu a arte da ourivesaria e, oito anos depois, em 1980, abriu seu próprio estabelecimento, a Peixinho Ourives. No mercado há 40 anos, Peixinho afirma que ainda tem muito movimento no segmento de relojoaria. “Tem muito conserto de relógio, tem muitos modelos diferentes e as pessoas continuam a nos procurar”, afirma.

Igrejas

Das nove paróquias em Passos, três possuem torre com relógios de porte grande, e hoje apenas um, o do Santuário de Nossa Senhora da Penha, está em funcionamento. Os da igreja matriz da cidade, Senhor Bom Jesus dos Passos, e do São Bendito estão sem marcar horas e badalar.

Sandro Henrique Almeida Santos, pároco do Senhor dos Passos revelou que o relógio está inativo há cinco meses e explicou o motivo:

O peso de um dos pêndulos, feito de concreto, fez com que o suporte quebrasse em razão do desgaste. Ao despencar, a peça quebrou até parte das tábuas de madeiras que servem como o andar inferior. Temos que chamar um profissional para promover os serviços de reparos, mas vamos esperar passar a pandemia”, declarou o padre.

O relógio da matriz São Benedito está sem funcionar há vários anos disse o pároco Gilvair Messias da Silva.

Quando cheguei à paróquia, já encontrei o relógio da igreja com problema de funcionamento. No momento, a sua reativação não é nossa prioridade, visto que iniciaremos em breve a reforma da matriz. Serão várias as etapas de execução do projeto e o relógio está nas etapas finais. Primeiramente, cuidaremos da parte essencial do templo. Depois reformaremos as demais, como relógio, jardins, etc”, afirmou o padre que vai completar, em agosto, três anos à frente de uma das mais tradicionais paróquias da cidade.