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Arquiteta cria projeto para aproveitar sobras do setor moveleiro

Por Adriana Dias / Redação

17 de Maio de 2021

O custo de uma peça fica em R$0,50 e o artesão pode comercializar por até R$20 colocando algum adereço como uma corda de sisal, linha ou a pintura. / Foto: Divulgação

PASSOS – O polo moveleiro de Passos utiliza madeira de demolição como matéria-prima e, após a finalização dos produtos, as fábricas acumulam sobras que somam cerca de 760 toneladas por mês de serragem e pequenos pedaços. Parte desse material é reutilizado em pequenas peças, inclusive para o efeito de marchetaria. Contudo, o restante ainda virava descarte. Pensando neste subproduto que vai para o lixo ou é queimado, a arquiteta Denise Salgado desenvolveu um projeto para o aproveitamento em peças artesanais e para a transmissão desse conhecimento por meio de curso para artesão de Passos.

De acordo com Denise, que é conhecedora do setor, devido ao uso da madeira de demolição em seus projetos e também por ser parceira da Associação Comercial e Industrial de Móveis de Passos (Acimov), principalmente durante a Expomóveis Rústicos, ela trouxe para Passos um processo de reaproveitamento destes resíduos para o artesanato. A profissional procurou o vereador Plínio Andrade para, juntos, viabilizar a implementação em Passos com a estruturação do projeto, parcerias, cronograma de implantação, e, depois de uma série de reuniões, a ideia começa a ganhar forma.

Por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Renda (Sedest) foi possível inscrever a primeira turma de artesãos que terão encontros semanais durante um mês para aprendizagem e depois multiplicar o conhecimento. A primeira reunião já foi realizada e a próxima está prevista para o dia 19. O projeto tem como objetivo atingir a geração de emprego e renda. Para alguns, uma única renda, para outros um ganho complementar e a Acimov segue como parceira doando a matéria prima.

Além de uma renda, o produto criado pelo artesão terá um valor social agregado e ecológico. Com o tempo e a criatividade, novas peças surgirão, inclusive com a possibilidade de disseminar a identidade cultural de Passos, seja pela pintura ou até mesmo no formato, delineando a arquitetura da cidade, pontos turísticos, e outras belezas naturais do município e região. Fiz uma peça piloto na qual traz a pintura da igreja de São Francisco”, disse Denise.

O grande desafio, agora, é continuar angariando parceiros, principalmente para aquisição das peças como decoração e cestas para outros produtos. Um estabelecimento comercial pode apoiar esta causa social com um mostruário e até mesmo para compor seu mix de atendimento e recepção ao cliente (porta revista, bandeja de produtos).


Estudo

Um estudo realizado em 2015 pelo professor Willian Graciano apontava que mais de 760 toneladas de resíduos são dispensados por mês em Passos. São 5.628 quilos diários de cavacos, 16.244 quilos de tocos, 10.252 quilos de serragem grossa e 4.919 quilos de serragem fina.

Eu acompanhei a reunião que teve com o vice-governador do Estado de Minas e eu vi, também, eles apresentando a Acimov, a indústria moveleira de Passos, e dentro dessa apresentação ainda teve esse questionamento sobre o descarte dos resíduos, que precisavam dar uma finalidade pra eles também. Então, eu procurando, porque eu gosto de ficar pesquisando também os vídeos no YouTube, eu vi um vídeo de uma artesã de Ibitinga (SP), que chama Tânia Caruso, e ela apresentou em um desses programas de TV voltado pra artesanato, ela apresentou essa técnica com o bagaço de cana e a cola feita com farinha de trigo”, explicou Denise.

A arquiteta conta que pesquisou a metodologia para uso com serragem e que ela já usava amido de milho.

Pesquisei preço de amido de milho, vi que tem marcas bem mais baratas. Então eu fui associando, como é descarte a serragem, então não tem custo de produção, o amido, a água, não é tão exagerado o consumo, e precisa também do vinagre, que também não era caro porque usa muito pouca quantidade, porque o vinagre entra na bio-cola como conservante”, afirmou.

Ainda conforme Denise, a técnica é conhecida no Brasil, mas em Passos ninguém faz. “O custo de uma peça fica em R$0,50 e o artesão pode comercializar por até R$20 colocando algum adereço como uma corda de sisal, linha ou a pintura”, garante a arquiteta.