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Apple Watch Series 6 é produto morno

17 de novembro de 2020

A partir de R$ 5,3, Apple Watch Series 6 ganhou acabamento nas cores azul e vermelho. / Foto: Divulgação

É difícil escrever sobre o novo Apple Watch Series 6, lançado em setembro passado pela Apple e vendido no Brasil desde metade de outubro por salgados R$ 5,3 mil. Continua a ser o melhor relógio inteligente para quem tem um iPhone? Sim. É uma evolução ante a versão anterior, o Series 5 (2019)? Sim. Mas as novidades deste ano são escassas.

Para complicar, há o “azar” de ser lançado em 2020. É um produto morno que nasceu em um ano caótico.
Primeiramente, é preciso notar que o isolamento social provou que os relógios inteligentes da fabricante de iPhones são mais necessários em espaços públicos. Seja durante um exercício de corrida no parque, ditando uma mensagem no ponto de ônibus ou somente como um acessório de moda: trata-se de um produto feito para as ruas, e não para ficar em casa.

Depois do redesign do Apple Watch com o ótimo modelo Series 4 (de 2018), as atualizações do relógio ficaram cada vez menos empolgantes e perderam o fator surpresa, que arranca um “uau” da concorrência. Se antes havia saltos entre uma geração e outra, este Series 6 subiu apenas um degrau na linhagem dos relógios inteligentes.

Oxigênio no sangue

O grande carro-chefe da vez é o medidor de oxigênio no sangue, cujos sensores instalados na parte traseira do relógio emitem luz infravermelha sobre o pulso e medem a quantidade de oxigênio circulando na corrente sanguínea. O oxímetro funciona ao ser acionado por meio de um aplicativo nativo do sistema, o “O2 no Sangue” ou em segundo plano, fazendo a medição regularmente conforme o nível de atividade diário do usuário.

O oxímetro provou-se bastante indiferente no dia a dia e, em contexto de isolamento social em casa, é difícil saber o que fazer com a novidade. É legal ter o registro da minha oxigenação ao longo do dia, mas não faz muita diferença no cotidiano. É fácil imaginar que deva ser uma ótima função durante uma viagem a Machu Picchu ou a La Paz, onde a alta altitude prejudica a circulação de oxigênio no sangue. Mas as possibilidades de utilização não vão muito além disso.

Importante dizer: não, o oxímetro não ajuda a antecipar resultados de covid-19, que afeta o pulmão e, com o agravamento da doença, abaixa os níveis de oxigênio do sangue. Médicos dizem que outros sintomas aparecem antes de faltar oxigênio no sangue, como febre, dor de cabeça e perda parcial do olfato ou do paladar. Não espere que o relógio preveja isso para você. Ainda é mais seguro continuar vestindo máscara, manter o isolamento social e, ao sentir os primeiros sintomas, procurar um hospital para fazer o devido tratamento.

A Apple garante que o oxímetro não tem fins médicos e que é um dispositivo de “bem-estar” (seja lá o que isso quer dizer). Na prática, a afirmação isenta a empresa de ser a responsável por gerar diagnósticos precipitados nos consumidores aflitos e incentiva que se busque ajuda profissional.

No fim das contas, o oxímetro é muito parecido com a mensuração de frequência cardíaca, apresentada na primeira edição do Watch, lá em 2014, e o sensor de eletrocardiograma, inaugurado no Series 4. É uma adição legal à família de relógios inteligentes, principalmente porque reforça o apelo de saúde do aparelho. Mas está longe de ser essencial para se ter.