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Antônio de Pádua Risolia Barbosa, da Bio-Manguinhos/Fiocruz, fala sobre a produção das vacinas

Por Nana de Minas

20 de janeiro de 2021

Antônio de Pádua Risólia Barbosa. / Foto: Divulgação

No domingo (17), a ANVISA aprovou o uso emergencial das vacinas CoronaVac e AstraZeneca no Brasil. Na segunda-feira (18), Antônio de Pádua Risolia Barbosa, Tecnologista Sênior de Bio-Manguinhos/Fiocruz e Coordenador de Transferências de Tecnologia de vacinas, biofármacos e kits para diagnóstico, a pedido desta colunista que enviou algumas perguntas sobre o tema, deu um parecer esclarecedor sobre a vacinação no Brasil:

As vacinas de Oxford e Coronavac tiveram aprovação para uso emergencial dos quantitativos solicitados, ou seja, a ANVISA autorizou o uso emergencial dos seis milhões de doses de vacinas que o Butantan trouxe para o Brasil, suficientes para vacinar três milhões de pessoas, visto que o espaçamento entre a primeira e segunda dose é de 21 dias. A autorização emergencial para a vacina de Oxford é para os dois milhões de doses que Bio-Manguinhos/Fiocruz está trazendo da Índia. Após essas doses, os produtores precisarão do registro definitivo para aplicar um quantitativo maior de doses na população.

No caso de Bio-Manguinhos, o pedido de registro definitivo foi iniciado em setembro, através de um processo chamado submissão contínua em que a documentação vai sendo enviada para a ANVISA à medida que os resultados vão sendo obtidos e analisados. Já foram submetidos três conjuntos de documentação até dezembro e até o final de janeiro deverá ser enviado o último pacote de informações necessários para o registro definitivo, para que se possa aplicar as vacinas que serão produzidas aqui na Fiocruz.

Vamos iniciar a produção em Bio-Manguinhos ainda esse mês ou no início de fevereiro, dependendo da chegada de insumos de Wuxi, na China, uma das empresas qualificadas pela AstraZeneca para produzir o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). Serão produzidas e disponibilizadas até abril 50 milhões de doses, suficientes para imunizar os profissionais de saúde e a população prioritária definida pelo MS. Até julho serão entregues um total de 100,4 milhões de doses com o IFA importado.

A partir de abril, Bio-Manguinhos iniciará a produção do IFA no Brasil e ao longo do segundo semestre disponibilizará mais 100 milhões de doses, ou seja, serão entregues à população 200,4 milhões de doses em 2021. Somadas às doses do Butantan, da Pfizer, que o governo está negociando, e talvez outras vacinas já registradas, teremos a população imunizada até o final do ano.

Como as vacinas não têm eficiência de 100% é muito importante que a cobertura vacinal atinja o maior número de pessoas possível. Quando um número suficiente de pessoas é vacinado contra uma doença infecciosa como a covid-19, a disseminação pode ser efetivamente interrompida, pois haverá poucas pessoas para infectar. Isso é conhecido como imunidade de rebanho.

Alcançar a imunidade coletiva significa que mesmo aqueles que não podem receber a vacinação (por exemplo, devido a doenças pré-existentes) estão protegidos. Em relação ao tempo que o anticorpo da vacina vai durar após a segunda dose, é muito cedo para dizer, ninguém sabe ainda. Somente com o passar do tempo e com as pesquisas é que iremos ter essa resposta.