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Ano mais quente

21 de janeiro de 2021

O serviço europeu de observação da Terra, o Copernicus, informou na semana passada que 2020 foi o ano mais quente do registro histórico, empatando com 2016, que detinha até então o recorde de calor. Os últimos seis anos foram os mais quentes do registro, assim como a década de 2011 a 2020 como um todo, de acordo com a agência, o que aumenta o alerta para a urgência de agir contra o aquecimento global.


O que você também vai ler neste artigo:

  • Média
  • Impactos
  • Análise
  • Efeitos

Média

O planeta registrou, no ano passado, uma temperatura média 1,25°C superior à observada entre 1850 e 1900 (antes da Revolução Industrial). O aumento foi o mesmo que tinha ocorrido em 2016, com a diferença de que naquele ano houve a ocorrência de um forte El Niño, fenômeno marcado pelo aquecimento das águas do Pacífico. Em 2020, ao contrário, teve a presença de um La Niña, que promove resfriamento, mas não foi capaz de conter o aumento das temperaturas promovido pelas mudanças climáticas.

Impactos

De acordo com a Nasa e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o El Niño havia contribuído entre 0,1 e 0,2°C para o aumento da temperatura naquele ano. “É claro que sem os impactos do El Niño e do La Niña nas respectivas temperaturas, [2020] teria sido o ano mais quente já registrado”, disse à France Presse Zeke Hausfather, climatologista do Breakthrough Institute.

Análise

A OMM, que em breve publicará sua análise da temperatura do planeta no ano passado combinando os dados de vários órgãos oficiais, já havia indicado em dezembro que 2020 estaria sem dúvida entre os três anos mais quentes. O período 2015-2020 foi o mais quente já registrado e a última década (2011-2020) também foi a mais quente desde o início da era industrial. “2020 se destaca por seu calor excepcional no Ártico e um número recorde de tempestades tropicais no Atlântico Norte. Não é nenhuma surpresa que a última década foi a mais quente já registrada e é mais um lembrete da urgência de reduções ambiciosas de emissões para prevenir impactos climáticos adversos no futuro”, afirmou em nota à imprensa Carlo Buontemmpo, diretor do Copernicus.

Efeitos

Esses efeitos já são visíveis em todo o planeta, por exemplo, com o derretimento das calotas polares, ondas de calor excepcionais, chuvas diluvianas e temporadas recordes de furacões, como a última no Caribe. A expectativa dos cientistas é que o pior ainda está por vir. Com o aquecimento já observado no planeta, houve uma multiplicação das catástrofes climáticas. Mas o aquecimento continua. E embora o Acordo de Paris preveja esforços para contar o aquecimento abaixo de 2°C e, se possível, a 1,5°C até o fim do século, os compromissos nacionais para reduzir as emissões estão longe de ser suficientes e conduzem para um aumento de pelo menos 3°C na temperatura.