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Alcione lança ‘Tijolo por Tijolo’

Danilo Casaletti/ Especial

13 de junho de 2020

Depois de sete anos, Alcione lança um novo álbum com músicas inéditas em edição física e digital. / Foto: Divulgação

Ao longo de quase 50 anos de carreira, a maranhense Alcione nunca parou, mas já estava há um bom tempo sem lançar um álbum de músicas inéditas – nos últimos anos, ficou na estrada com o show Eu Sou a Marrom, de caráter retrospectivo, para comemorar seus 70 anos. Nada que lhe cause ansiedade. A cantora sabe que tem seu público consolidado – o qual, segundo ela, gosta de ouvir canções românticas.

Não por acaso, são elas que dão o tom de seu novo trabalho, “Tijolo por Tijolo” (em edição física e digital pela Biscoito Fino), título emprestado da canção que abre o trabalho, de autoria de Serginho Meriti e Claudemir.

Alcione conta que desenvolveu um jeito próprio de selecionar as centenas de canções que recebe dos compositores, logo que anuncia que está preparando um novo projeto.

Imagino a plateia cantando comigo – esse é meu termômetro”, revela.

Usando esse critério, ela selecionou músicas de colaboradores antigos, como Altay Veloso, Paulo César Feital, Roque Ferreira e Telma Tavares, e gravou Jorge Vercillo pela primeira vez. Com saudade do palco, ela segue atenta ao que acontece no País e no mundo.

Já passou da hora de o preconceito de cor e de religião acabar. Todo mundo merece respeito”, diz, sobre os recentes protestos nos Estados Unidos e no Brasil.

O novo álbum chega sete anos depois de seu último trabalho com músicas inéditas. Por que demorou tanto tempo?

Tem que demorar! Não posso dar minha cara, todo ano, por aí com um novo trabalho. Lanço algo, deixo o repertório ecoar, faço bastante shows. Aliás, como eu amo cantar ao vivo, estar com o público. Ando com muita saudade de um palco. No começo da carreira, era obrigatório lançar um disco por ano. Mas, agora, não preciso disso”, reponde Alcione.

Na época do lançamento do single com a canção que dá nome ao disco, Alcione disse que ela representava muito sua carreira. E, para isso, teve de batalhar muito:

Tudo foi feito com batalha. Outro dia, achei uma foto em que eu estava no programa do Bolinha (o apresentador Edson Cury, morto em 1998). Fiz tudo quanto foi programa de TV, ia a todas as emissoras de rádio. Bati perna de norte a sul do País. Valeu a pena”, diz.

Para escolher o repertório, Alcione conta que os compositores mandam e ela ouve exatamente tudo.

O que me guia na escolha é o meu instinto, algo que desenvolvi ao longo da carreira. Sei o que vai pegar o público. Ouço e imagino a plateia cantando comigo – esse é meu termômetro”, conta.

No novo disco há uma canção em homenagem ao Pelé, chamada O Homem de Três Corações.

Pelé é um ídolo para mim. Fiquei muito feliz de fazer essa homenagem para ele. Quando o Altay Veloso (o autor, ao lado de Paulo César Feital) me mandou a música, logo gravei uma versão voz e violão e enviei para o Pelé. Ele adorou, me mandou um vídeo para agradecer. Não foi encomenda. Em toda a minha carreira, só duas músicas foram feitas por encomenda (segundo ela, Obrigada e Estrela Luminosa). O resto veio até mim. Veja, Não Deixe o Samba Morrer caiu no meu colo, foi um sucesso e virou uma marca minha. Nada foi encomendado”, diz.