Destaques Dia a Dia

Ainda o ‘’Amazonas”, o cargueiro

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

13 de outubro de 2020

Início este texto com uma correção. Um leitor, natural de Passos, mas, residente em Belo Horizonte, o dr. Geraldo Maia, engenheiro mineral que trabalhou na região da Amazônia e a conhece, alertou-me sobre umas discrepâncias no artigo do roubo das sementes de seringueira. Dr. Geraldo Maia me disse ter adquirido boa experiência na região e saber muito bem a importância dela para nós brasileiros. Quanto às informações que não combinam, vamos a elas.

As datas de nascimento e falecimento de Mackintosh (1868-1928) não permitem que a capa de gabardina, inventada por ele, tenha sido lançada em 1824, ele ainda não havia nascido. Há uma informação na internet que afirma o nascimento em 1766, não informa a data de falecimento. Há duas outras fontes que confirmam as primeiras datas acima. Uma delas é a Enciclopédia Larousse. Nela consta: 1868-1928. Se confirmadas estas datas, temos de buscar fontes mais seguras do lançamento da capa.

Quanto às autoridades portuguesas que foram burladas no roubo das sementes, é o que consta no livro. Por ser ainda o Brasil governado por uma monarquia, os autores, penso eu, acreditaram que eram autoridades portuguesas. O que nos interessou lembrar aos leitores é exatamente a importância da Amazônia, pela quantidade de imensas riquezas que a região possui. Sua maior extensão está no Brasil. Nós sabemos que muitos dos medicamentos produzidos pelos grandes laboratórios do mundo, são resultados de plantas originárias da Amazônia e que só lá existem. Além delas, há ainda uma imensa variedade de riquezas que qualquer um de nós pode pesquisar livremente em diversas publicações periódicas ou mesmo em publicações científicas especializadas.

Os interesses de muitas nações do mundo são enormes e nem sempre honestos. Dizem que o brasileiro quer sempre levar vantagem em tudo. Esta frase ficou célebre quando um excelente jogador de futebol, campeão de mais de uma Copa do Mundo, ao fazer propaganda de uma marca de cigarros, a pronunciou. Ficou marcado por isso. Cheguei a vê-lo na televisão dizendo que se o Brasil fosse um país sério, não o crucifixariam pelo que fez. Ele ainda era jovem, foi convencido a fazer o comercial movido, provavelmente, pelo dinheiro. Bem, estou lembrando tal frase, para dizer que não é só o brasileiro que deseja levar vantagem em tudo. Eu acredito que qualquer outro país do mundo esteja sempre tentando conquistar alguma coisa, levando vantagens.

Cada caso tem de ser analisado individualmente. Se um país vem para acrescentar, para ajudar nas pesquisas e na exploração, levando para si apenas o que é justo e combinado, tudo bem! Mas, se há más intenções, interesses escusos e com trapaças, é preciso que o Brasil não caia na esparrela. O nosso grande problema é a falta de patriotismo “por parte” de muitos brasileiros. Principalmente, aqueles que têm o poder nas mãos, ou seja, maus servidores públicos e péssimos políticos, aqueles que só pensam neles e em vantagens próprias. Pouco se importam com os interesses da nação e com o futuro do povo brasileiro. Há muita corrupção no país, infelizmente! Corrupção acontece em todos os países do mundo, só que, em alguns, as leis são mais duras e são cumpridas, quando alguém é pilhado no mal feito. Todavia, não generalizo, refiro-me aos maus!

Criticam ruidosamente o desmatamento e o fogo que colocam na região. Muitas das queimadas são criminosas. Há como colocar um policial, um militar, um fiscal, a cada cem metros quadrados da mata, para evitar isso? É claro que não! O certo é denunciar às autoridades, sempre que alguém presenciar tal crime. Hoje, aceitam denúncias anônimas, ninguém precisa correr o risco de ser descoberto e sofrer represálias! Mas, é preciso coragem!
Enfim, a Amazônia pode ser de interesse universal, mas, ela é nossa, na sua maior extensão. Precisamos defendê-la e preservá-la.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino técnico comercial formado no Curso Normal Superior pela Unipac.