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Agronegócio tem saldo de 242 novas vagas na região em 2020

Por Nathália Araújo / Redação

8 de outubro de 2020

A produção mineira de grãos foi recorde atingindo a marca de 15,4 milhões de toneladas. / Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PASSOS – Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelam que, entre janeiro e agosto, o setor do agronegócio registrou saldo positivo de 242 novos postos de trabalho gerados nos municípios da região. As atividades no campo, assim como na construção civil, registraram balanços positivos no emprego. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as contratações são resultado do grande volume produzido na safra de 2020, especialmente em relação aos grãos. Enquanto, para muitos setores, a covid-19 foi prejudicial, no caso do agronegócio, os efeitos foram contrários por conta do aumento nas exportações.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (Sinrural), Darlan Esper Kallas, afirma que o saldo de empregos podia ser ainda maior, considerando que a falta de chuvas tem atrasado as plantações e, consequentemente, as novas contratações.

Neste período, os agricultores já deviam dar início ao processo de semeadura, no entanto, a longa estiagem tem nos prejudicado. Estamos enfrentando um ano atípico por conta da pandemia e de tanta seca. Alguns trabalhos absorvem a mão de obra, mas sabemos que muitos profissionais estão aguardando que o clima favoreça os trabalhos e, assim, o surgimento de mais oportunidades”, explicou.

Além das estatísticas apresentadas no levantamento do Caged, que registram o emprego com carteira assinada, o agronegócio também conta com muitas vagas informais. Conforme Paulo César Stripari, engenheiro agrônomo na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), isso contribui com a economia local de forma significativa. Embora os números sejam favoráveis, o profissional ainda destaca que o avanço da tecnologia e a mecanização dos trabalhos têm refletido negativamente na quantidade de contratações do setor.

A informalidade ainda é muito grande em nossa região, principalmente durante a época de colheita do café, já que recebemos, temporariamente, muitos trabalhadores que vêm do Norte do estado e também da Bahia. Este ano, com as restrições de deslocamento por conta do coronavírus, a mão de obra foi bem reduzida. Além disso, a cana também é muito forte por aqui, mas, no momento, a usina açucareira local tem passado por uma forte crise. Sabemos que a tendência é que os empregos nesta área diminuam cada vez mais, porque os equipamentos mecânicos são muito práticos, econômicos e estão conquistando o mercado. Diante de tudo isso, espero que a sociedade consiga se adequar às mudanças”, pontuou o especialista em agropecuária.

No estado de Minas Gerais, entre janeiro e agosto, os setores agropecuário e da construção registraram balanços positivos na geração de empregos. No campo, foram 54.572 admissões com carteira assinada e 45.987 demissões, o que representa 8.585 novos postos de trabalho. Na construção, foram 161.359 contratações e 144.448 desligamentos, com saldo de 16.911 novas vagas. O comércio (-41.483), a indústria (-13.147) e setor de serviços (-40.850) registram desempenhos negativos no mesmo período.