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Agronegócio responde Science

23 de julho de 2020

Entidades do setor produtivo estão se mobilizando para responder ao estudo publicado na revista científica Science de que cerca de 20% da soja e pelo menos 17% da carne produzidas na Amazônia e no Cerrado e exportadas para a União Europeia estariam “potencialmente contaminadas” com o desmatamento ilegal. Na semana passada, associações que representam o setor de soja criticaram o estudo por gerar uma “visão distorcida” da produção.

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  • Dados
  • Vilã
  • Entidades
  • Equívoco

Dados

No trabalho, um grupo de pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha cruzou dados de satélite sobre a perda de floresta, com informações de registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Os cientistas estimam que, embora somente 2% das propriedades na Amazônia e no Cerrado sejam responsáveis por 62% do desmate ilegal na região, uma parte dessa devastação está ligada a commodities agrícolas de exportação. O trabalho foi liderado por Raoni Rajão, coordenador do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais, da Universidade Federal de Minas (UFMG).

Vilã

Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que a agropecuária não pode ser “vilanizada” e que os dados da amostra do estudo demonstram que mais de 90% dos produtores rurais não estiveram envolvidos com qualquer tipo de desmatamento ilegal. O Ministério afirmou que vai convocar um grupo de cientistas para avaliar detalhadamente cada conclusão do artigo.

Entidades

A Confederação da Agricultura de Pecuária do Brasil (CNA) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a entidade está avaliando a questão e um possível posicionamento. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) disse, também por intermédio de sua assessoria de imprensa, que ainda está analisando a metodologia adotada pela revista, principalmente no que diz respeito à confirmação se as áreas destacadas realmente correspondem a desmatamentos e queimadas ilegais.

Equívoco

A Abiove apontou, também em nota, que o estudo da Science gera um valor elevado de soja associada a desmatamento “de forma equivocada”, uma vez que “não indica quanto das áreas identificadas com desmatamento ilegal já estão efetivamente embargadas pelas autoridades competentes” e “não demonstra as áreas de desmatamento legal e ilegal em que há produção de soja, optando por demonstrar o imóvel como um todo”. A associação disse que é responsabilidade da indústria verificar se a soja a ser originada foi produzida de acordo com a legislação vigente.