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Agricultura familiar tem queda de 60% nas vendas

3 de abril de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS- Com a pandemia do novo coronavírus (covid-19) e a suspensão de feiras livres em municípios como Passos e Carmo do Rio Claro, alguns agricultores familiares aderiram à entrega em domicílio para tentar driblar os impactos das quedas nas vendas dos produtos. As feiras livres são um dos principais mercados da agricultura familiar. A queda nas vendas chega a cerca de 60%.
Passos, São Sebastião do Paraíso, Carmo do Rio Claro, Piumhi e Cássia são algumas das cidades que suspenderam as feiras livres, seguindo as medidas sanitárias protetivas à disseminação do vírus.
No Carmo, a feira atende a 40 famílias de agricultores e, segundo o secretario municipal de Agropecuária e Piscicultura, Alexandre Anestor Alves, a orientação é para que os produtores façam as vendas e entregas programadas. Porém, muitos têm a feira como única fonte de renda e não estão conseguindo escoar a produção. O secretario informou, também, que a partir da semana que vem serão realizadas visitas aos produtores para ver como está o escoamento.
João Carlos da Silva é produtor rural e comercializa folhosas há seis anos na feira do Carmo. Ele afirma que o escoamento não foi afetado, mas as vendas sim. O produtor, que tem a agricultura familiar como principal fonte de renda, estima em 60% a queda nas vendas.
“Eu tenho várias entregas no comércio local, fazemos entrega todo dia.As vendas caíram drasticamente mais para os restaurantes. Com a feira suspensa, partimos para as entregas no fim de semana, onde criamos um grupo no Whats App, pelo qual o cliente compra e nós entregamos. Mas para alguns feirantes que moram mais distante não é viável fazer as entregas, eles estão perdendo seus produtos. Nós (os feirantes) devemos estar vendendo 30% da produção e isso é muito pouco”, declarou o produtor.
O horticultor Geraldo Cesar Pereira, que participa da feira de Passos há 10 anos, é um dos que não estão fazendo as vendas pela internet. Antes da pandemia, ele possuía um ponto em uma avenida, vendia na feira e para alguns supermercados. Agora, com a suspensão, a única renda dele é proveniente da comercialização para os mercados. De acordo Geraldo, como reside em uma zona rural, a entrega em domicílio não é viável.
“Vendíamos três vezes por semana neste ponto, essa renda sumiu. Tenho algumas entregas em mercados que ajudam um pouco, mas me cortou um braço. Estou perdendo a lavoura e estou ficando sem recursos e sem rendimento. Eu estou na zona rural, para fazer entrega teria que ser uma venda de pelo menos de R$40. Imagina eu fazendo isso de automóvel, fica caro e gastamos muito tempo.
Não é que não queremos vender, mas precisamos ter lucro, dessa forma eu estaria pagando para trabalhar”, comentou Pereira.

Novo decreto

Em Passos, há 18 famílias que são da agricultura familiar e estão cadastradas para comercializarem na feira. Segundo o diretor de departamento municipal de Associativismo e Produção, Gilberto Ribeiro, a administração também tem estimulado os agricultores para que vendam seus produtos através das redes sociais. E, como não é todos que têm essa facilidade, está sendo estudado um decreto para que volte gradativamente a feira no município, priorizando a agricultura familiar e as normas sanitárias.
“Faz dois finais de semana que a feira está interditada e deve ficar mais este, para os outros estamos estudando um decreto onde possa voltar as funções essenciais, como o alimento e para ser levado para casa. A gente prevê que vai ter uma queda brusca, não dá para fazer um prognóstico, mas trabalhamos em uma lógica de 60% de queda nas vendas, no mínimo, por isso estamos trabalhando para que voltem pelo menos os agricultores familiares para a feira, aqueles que estão mais distantes da zona urbana têm pouca informação e acesso à internet”, explicou.
Segundo Ribeiro, o auxílio emergencial de R$600, sancionado pelo Governo Federal nesta quarta-feira, 1º, vai ajudar as pessoas que atuam na agricultura familiar, uma vez que eles se enquadram nos requisitos para o recebimento. “Estamos aguardando essa movimentação do Governo Federal. Aí a Secretaria Municipal de Assistência Social vai dar informações e orientações para esses feirantes acessarem esse voucher”.