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Adolescente ganha salão de cabeleireiro do pai

Por Ézio Santos/ Especial

5 de Maio de 2021

Os primeiros cortes de Luiz foram feitos gratuitamente. / Foto: Divulgação

PASSOS – O adolescente Luiz Fernando Oliveira Domingos, de 14 anos, é um exemplo de como planejar o futuro profissional. O jovem, de família humilde, mora em Passos e há pouco mais de três meses teve o sonho de ter um salão de cabeleireiro realizado pelo pai, Erasmo Carlo Domingos, e deu início à sua carreira, pelo menos até completar os estudos, quando poderá escolher outra profissão, fazer faculdade ou um curso técnico.

Luiz vai completar 15 anos no dia 27 de outubro e é órfão de mãe. Andréia Alves de Oliveira Domingos morreu vítima de parada cardíaca quando o primeiro e único filho estava com apenas um ano de dez meses de idade. Hoje, o adolescente está cursando o 9º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Nazle Jabur, no bairro Santa Luzia.

Desde que Erasmo, de 47 anos, servente de pedreiro, se tornou viúvo, a avó materna, Maria das Dores Alves de Oliveira, de 70 anos, moradora da rua Rio Branco, no mesmo bairro, fez, e ainda faz, também o papel de mãe. No período da manhã, o neto se dedica aos estudos, e à tarde vai para o salão. Após o expediente, pernoita em casa com o pai, no final da rua Rio Pardo, no bairro Recanto da Harmonia.

Apesar da ausência da mãe quando Luiz tinha quase dois anos, não fez com que ele fosse criado sem a atenção dos familiares mais próximos.

Meu filho foi cuidado com muito amor e carinho, mas também severidade por mim, a dona Maria, tios e amigos mais chegados. Por isso, hoje é um menino educado, inteligente e obediente. É um orgulho vê-lo estudando e já trabalhando por conta própria. Graças a Deus não foi para o caminho errado da vida. Não tem nenhum vício, ainda está vivendo o início de sua adolescência, sabe de suas responsabilidades, e mesmo assim se diverte com seus verdadeiros amigos”, assegura Erasmo.


Salão

Com mais tempo disponível por causa da pandemia do novo coronavírus, em meados de 2020, Luiz conversou com o pai, que o autorizou a frequentar aulas de um curso de cabeleireiro com duração de três meses. Em agosto, o jovem recebeu o diploma, que está dependurado no salão.

As primeiras ferramentas como secador de cabelo e o espelho usado nos primeiros cortes foram comprados por Erasmo, e Luiz começou a atender amigos e vizinhos utilizando uma cadeira de madeira comum, e sem cobrar nenhum centavo pelos serviços. Com o aumento da demanda, o pai resolveu transformar um dos quartos da casa em salão de cabeleireiro.

O primeiro passo foi comprar a cadeira adequada para lavar o cabelo. A mesa pequena onde coloca e guarda os acessórios foi presente de um tio. Depois, Erasmo abriu a porta principal do estabelecimento comercial onde havia uma veneziana, colocou vidro temperado, instalou o portão de entrada no muro frontal da casa, que também dá acesso à garagem, e mandou um grafiteiro personalizar o local.

Já tem uns dois meses que venho só no período da tarde e noite. De manhã, fico na casa da vovó, enquanto meu pai vai trabalhar. Estou gostando muito da profissão. Ainda ganho pouco, mas o dinheiro é só meu e já deu para comprar uma blusa e outras coisinhas. Se Deus quiser, quando eu e meu salão ficarmos conhecidos no bairro, vou juntar a quantia que dê para adquirir uma motocicleta, nem que seja usada. Hoje ando a pé ou de bicicleta”, conta Luiz.