Destaques Entrevista de Domingo

‘Acolha e abrace o Santuário de Santa Rita de Cássia’

Por Adriana Dias / Da Redação

17 de Maio de 2021

Foto: Divulgação

Faltando um ano para a inauguração do Santuário de Santa Rita de Cássia – o maior templo dedicado à santa no mundo -, que será um presente entregue pelo empresário Paulo Flávio de Melo Carvalho em 22 de maio de 2022, em cerimônia que deve receber mais de 100 mil pessoas, a Folha entrevista o jovem padre Júlio César Agripino, que, aos 34 anos, em breve, se tornará reitor do santuário.
Natural de Guaxupé, o pároco cursou propedêutico e Filosofia, em Guaxupé e Teologia, em Pouso Alegre. Ele está à frente da Matriz de Santa Rita de Cássia desde 2016, porém, chegou a paróquia de Cássia em Dezembro de 2015 ainda quando diácono. Foi ordenado padre em 29 de abril de 2016 e assumiu a função pároco desde o dia 14 de setembro do mesmo ano, com a transferência do até então pároco, padre Sandro Henrique dos Santos para a Matriz Senhor Bom Jesus dos Passos, em Passos.
A obra está em fase de acabamento, sendo que dentro de 3 meses deve chegar a praticamente 90% da finalização. E, até o final de 2021 estará praticamente pronta, restando apenas a ‘perfumaria’. Caminham para trabalhar o pátio que vai receber o asfalto do estacionamento dos carros e em seguida dos ônibus, a parte da drenagem, esgoto praticamente prontos. Em 3 meses vai receber a pintura de primeira demão. Em outubro completará o paisagismo.
As 48 lojas já estão em fase de chamamento público sendo que aproximadamente 96 pessoas de Cássia se mostraram interessadas e muitas outras de fora da cidade também apresentaram propostas. Para falar sobre a grandiosidade da obra, a projeção regional que deve promover o turismo religioso em nível estadual, nacional e até internacional e a enorme responsabilidade que deve enfrentar, padre Júlio conversou com a reportagem para esta Entrevista de Domingo.

Folha da Manhã – Como foi a sua primeira experiência na cidade de Cássia?
Padre Júlio – Cheguei aqui em Cássia em dezembro de 2015, ainda como diácono. Fui enviado para servir à comunidade e auxiliar o até então pároco, padre Sandro Henrique dos Santos. Passados os 6 meses de minha ordenação diaconal, fui ordenado padre aos 29 de abril de 2016. Depois de alguns meses o padre Sandro foi transferido e eu assumi a paróquia no dia 14 de setembro do mesmo ano. Sem sombra de dúvidas, um belo e precioso presente e uma enorme responsabilidade.

FM – Em pouco tempo o senhor vai de diácono a reitor. Como tem enfrentado esta responsabilidade?
Padre Júlio – Indubitavelmente será, na verdade já está sendo, uma responsabilidade muito grande. Tenho apenas 5 anos de padre, mas, quis Deus, que eu estivesse em Cássia nesse momento. Já rezei e refleti muito sobre isso. Então, acredito que respaldado por boas pessoas, por uma equipe capacitada, nós daremos conta do recado. Nós temos, com o Santuário de Santa Rita de Cássia, um grande potencial. Portanto, temos que desenvolvê-lo ao máximo. Isso dependerá dos nossos trabalhos. Com certeza é uma grande responsabilidade assumir a reitoria, estar à frente, na administração de um Santuário com capacidade para mais de 5 mil pessoas, como você mesma disse, o maior Santuário de Santa Rita no mundo, até então.

FM – O senhor está no processo do recebimento desse presente desde o início, desde quando o Paulo Flávio de Melo Carvalho resolveu presentear Cássia com o Santuário?
Padre Júlio – Sim, desde o início. Eu fui convidado psra uma reunião na Câmara Municipal, na qual se daria o lançamento de um livro intitulado “A história de um empreendedor”, de autoria do empresário cassiense Paulo Flavio de Melo Carvalho e, naquela ocasião, ao final, ao tomar a palavra, dirigiu-se a mim com palavras similares a essas: “Padre, daqui a quatro anos entregarei em suas mãos um santuário para 5 mil pessoas, para tantos ônibus, tantos carros, casa dos padres, sanitários, isso e isso mais”.

FM – Foi uma surpresa?
Padre Júlio – Uma enorme surpresa. Confesso que fiquei assustado, sem reação, na verdade, completamente sem reação. Mas depois fui pensando, refletindo, absorvendo tudo aquilo que me foi despejado de uma vez só. Comuniquei o Bispo Dom José Lanza Neto sobre o acontecido, sobre a intenção dele em construir um novo santuário. Passados alguns meses, em agosto, o movimento de máquinas e homens deu início ao longo processo de terraplanagem da construção. Era, então, o início de tudo.

FM – E o senhor acha que tendo participado dessa construção, da ideia até o que está hoje, é mais fácil para assimilar toda a responsabilidade que o senhor tem pela frente?
Padre Júlio – Com certeza. Eu acompanhei todo o processo de desenvolvimento. Estive presente e vi desde o colocar da primeira coluna até a fase atual, que está sendo a colocação dos pisos. Então, a gente vai vivendo e se sentindo parte dessa história. Até aquela reunião na câmara municipal de Cássia era o sonho apenas do senhor Paulo Flávio, mas, desde então, tornou-se também o sonho de todos nós. A cada etapa iniciada e concluída, a cada novidade, o encantamento foi aumentando. Dessa forma, o amor vai se transformando em motivação que, por sua vez, alimenta a enorme responsabilidade.

FM – É uma sensação de pertencimento?
Padre Júlio – Exatamente isso. Já me sinto pertencente a essa obra. O doador Paulo Flávio tem tido bastante contato conosco, estamos em bastante comunhão e sintonia. Dessa forma, hoje, me sinto realmente participando de tudo aquilo que está relacionado ao Santuário, abraçando essa obra junto com Paulo Flávio.]

FM – E com relação à questão religiosa, uma vez que lá vai ser esse santuário com essa grandiosidade toda, como que funciona a questão de padres? Vai necessitar de mais pessoas?
Padre Júlio – Hoje a paróquia conta com o auxílio de mais um padre, um vigário paroquial, que é o padre Leandro José de Melo, que chegou em fevereiro para nos ajudar. O que, com certeza, será pouco diante da demanda de peregrinos que esperamos um dia receber lá em Cássia. Mas, tudo isso se dará com o passar do tempo. Será preciso estarmos sempre atentos à necessidade e sempre em sintonia com o nosso bispo.

FM – Este aumento no número dos padres é automático, depende do Bispo, como que funciona isso?
Padre Júlio – Depende da necessidade e, é claro, do bispo. Tudo é processual. Vamos ter que ir analisando e sentindo as necessidades. Estamos vivendo tempos difíceis, muito incertos, diante da realidade da pandemia. É claro que estamos nos preparando para uma grande inauguração e esperançosos por tempos muito melhores, mas, não tem como sabermos ao certo como se dará. O que caracteriza um santuário, na verdade, é o acolhimento, a missa diária, o atendimento também diário de confissões. Conforme o aumento do número de peregrinos e devotos em Cássia, maior será a necessidade de mais padres para bem atender o nosso povo.

FM – Não é só pelo tamanho do templo?
Padre Júlio – Não, de forma alguma. Não é só o tamanho que caracteriza um santuário. Existem vários santuários pequenos por aí. São alguns elementos essenciais que caracterizam a vida de um santuário, como, peregrinação, devoção, milagres que vão acontecendo a partir da experiência de fé naquele lugar, salas das promessas (os ex-votos), missas diárias, atendimentos contínuos de confissão, todos esses são elementos que vão caracterizando a vida de um Santuário. Um santuário deve ser o lugar da acolhida!

FM – O combinado, a promessa de Paulo Flávio é de que a inauguração aconteça em 22 de maio de 2022. Isso, com pandemia ou sem pandemia, essa data tem sido acordada com o senhor e com a diocese?
Padre Júlio – Nós estamos trabalhando para isso, para que a grande inauguração aconteça nos dias 20, 21 e 22 de maio de 2022.

FM – A data é escolhida por conta de ser dia 22, o dia de Santa Rita?
Padre Júlio – Exatamente! O dia 22 de maio é o dia de Santa Rita de Cássia. No próximo ano cairá num domingo. Então pensamos em três dias de festa, dia 20, 21 e 22. A Sagração da igreja possivelmente se dará no dia 21, na parte da tarde, com a presença do Bispo de Guaxupé, quem vai presidir a celebração. É uma celebração belíssima na qual cada parte do novo Santuário será abençoado e consagrado a Deus, as paredes, o altar, a capela do santíssimo, etc. Desejamos e esperamos que essas celebrações sejam abertas à comunidade. Dependerá muito de como estará a nossa realidade em 2022. Esperamos que o cenário seja outro e possamos acolher a muitos peregrinos.

FM – O senhor falou de uma comissão que foi organizada para ajudar no que está acontecendo e já preparar o futuro para um turismo religioso, que é a ideia, tendo esse espaço preparado. E como vêm trabalhando essa comissão, e como é composta?
Padre Júlio – Essa comissão foi constituída em agosto do ano passado, fazem parte: Andrea Salerno, que é da DTTV, trabalha na parte de comunicação; a Dora Borges, trabalha na parte de marketing; Marcos Alessandro Marquete Barbosa, que é contabilista; Renata Souza que é advogada, trabalha no Fórum de Cássia; Tiago Castro que é arquiteto; Padre Leandro José de Melo que é atual vigário da nossa paróquia, mas já fazia parte da comissão; Adriana Cristina Araújo, que é a nossa secretária paroquial e também faz parte da equipe e a Olga Bastos, Secretária Municipal de Assistência Social de Cássia. Essa é a composição da comissão, e eu que a presido. Esta comissão foi subdividida em outras comissões. Temos a comissão de cerimonial, que é a Andrea e o Padre Leandro, ela da parte mais institucional e o Padre Leandro da parte religiosa; temos a subcomissão do marketing, com a Dora Borges e a Adriana; a subcomissão para a área comercial e outras questões legais, com o Tiago Castro, o Alessandro e a Renata; a Olga tem me auxiliado bastante na busca de patrocinadores para o nosso projeto de marketing; o padre Leandro e eu ficamos responsáveis pelas questões pastorais, onde vamos deliberar com relação à vida pastoral do Santuário e as atividades do seu dia a dia após a inauguração e também nos dias da inauguração. A comissão tem trabalhado bastante, incansavelmente, muitos passos já foram dados. Atualmente, estamos contando com a ajuda e parceria do Sebrae.

FM – O Santuário tem um espaço comercial com 48 boxes. A distribuição é por processo licitatório?
Padre Júlio – Nós já começamos com esse processo. Inicialmente pedimos que os interessados deixassem no escritório paroquial uma carta de intenção. Nós fizemos o modelo dessa carta e disponibilizamos para que os interessados pudessem preenchê-la e devolver. Nesse primeiro momento queremos dar prioridade e oportunidade para as pessoas de Cássia. Mas, vale ressaltar que temos também muitos interessados de outras localidades. Recebemos muitas cartas. Depois disso, fizemos a primeira reunião com os interessados. Dividimos em dois grupos para que não houvesse aglomeração. Ao todo, aproximadamente 100 pessoas se mostraram interessadas pela área comercial. Nessa reunião apresentamos a proposta, valores  e os requisitos para a escolha das pessoas interessadas. Todos se mostraram bastante animados e, também, esperançosos com relação ao novo santuário. A partir da apresentação da proposta estamos agora recolhendo uma espécie de carta compromisso daqueles que participaram da reunião e realmente se mostram desejosos de locar um espaço e fazer parte do nosso projeto.

FM – E vai ter divisão destes boxes para alimentação e outros itens?
Padre Júlio – Sim, parte das lojas será para alimentação e a outra parte para o comércio em geral. Nós fizemos uma divisão a partir da procura e daquilo que acreditamos ser necessário para o espaço. Se não me engano, pouco mais da metade ficou para a alimentação e as outras para o comércio de souvenirs, roupas, floricultura, essas outras coisas que sempre encontramos por aí, nos santuários onde visitamos.

FM – E a questão do acesso, que vocês estavam buscando fazer uma saída para a estrada sem ter que os ônibus trafegarem dentro da cidade, isso avançou?
Padre Júlio – A prefeitura está em um processo de licitação do projeto. Porém, essa primeira licitação frustrou, ou seja, não apareceu ninguém para participar. Com isso a prefeitura está vendo, analisando a questão jurídica de como fazer, se faz outra licitação, para que atraia novas pessoas, ou se há outra possibilidade legal.

FM – Faltando um ano para a inauguração, o que o senhor quer falar ou pedir para a população de Cássia e região?
Padre Júlio – Acho que o nosso slogan, que temos usado bastante, ‘acolha e abrace o Santuário de Santa Rita de Cássia’. Cássia está recebendo um grande presente, que não só vai fomentar ainda mais a fé que, logicamente, é o alicerce e a inspiração de tudo isso, mas o desenvolvimento da nossa cidade e região. Para isso, precisamos nos sentirmos participantes dessa obra, acolhe-la com carinho. Todas as pessoas que pisam no canteiro de obras percebem ali um potencial gigantesco de transformação. Isso não dependerá só da Igreja, mas de todos. Desde já, as pessoas precisam abraçar e acolher esta bela obra – o maior santuário de Santa Rita no mundo -, e ele é de Cássia, ele é da nossa região. Então, precisamos nos sentir orgulhosos, agradecidos, comprometidos e esperançosos.