Destaques Geral

Academias e Igrejas discordam de novo decreto em Piumhi

Por Laura Oliveira Hostalácio / Folha com Onda Oeste FM

20 de Maio de 2020

Foto: Divulgação (Agência Brasil)

PIUMHI – Após o novo decreto ser publicado nesta segunda-feira, 18, houve grande repercussão dos cidadãos de Piumhi a respeito das mudanças. Durante a tarde do mesmo dia, educadores físicos e donos de academias se organizaram em manifestação para questionar o fechamento de tais estabelecimentos. O Padre Antônio de Simoni, da paróquia Santo Antônio, representando as paróquias da cidade, também se posicionou na mídia dizendo que as igrejas católicas não vão aderir às normas do novo decreto municipal e pretendem continuar fechadas.

As igrejas católicas não vão abrir para celebração presencial, elas estão abertas para os fiéis visitarem, mas nós não teremos celebração presencial”, afirmou Padre Antônio. De acordo com ele, a decisão foi feita a partir do decreto do Bispo da Diocese em que pertence, “o decreto do Bispo é por tempo indeterminado”. Além do decreto do Bispo, o Padre também relatou outros motivos, como o restrito número de pessoas para as celebrações.

Nós temos dificuldade de escolher 30 pessoas para participar”, afirmou ele, “como é que nós vamos olhar para as pessoas que chegarem na igreja e dizer ‘volte para casa, você não vai poder participar da missa’?”.

Padre Antônio também mostrou preocupação com as pessoas idosas, por estarem em situação de risco. De acordo com ele, a maior parte da população que participa das celebrações tem mais de 60 anos. Ele também exemplificou durante entrevista o caso do atual Bispo de Governador Valadares que, como Padre Antônio afirmou, flexibilizou seu decreto e precisou voltar atrás, devido ao aumento de casos de COVID-19 no local. Assim, ele finalizou dizendo que “a vida é mais importante que a eucaristia. Preservar a vida é mais importante do que a
eucaristia”.

Academias

Os profissionais de educação física e proprietários de academias também se mostraram contrários ao novo decreto, porém por outros motivos. Eles repudiaram a medida de fechar novamente os estabelecimentos e se uniram para manifestar duas vezes no dia da publicação. Primeiramente em frente à prefeitura e, mais tarde, em frente à Câmara Municipal dos Vereadores.

Entre os proprietários manifestantes estava Jamil Castro. Ele declarou que a luta não era apenas dos profissionais de academias, mas também dos próprios alunos. De acordo com o Jamil, desde que houve a abertura das academias, todas as medidas restritivas foram cumpridas. “Deu tudo certo, a gente percebe que há muito tempo não tem um caso sequer, uma suspeita de COVID em nossa cidade. Então nós fomos surpreendidos”, afirmou ele.

A principal justificativa para a reabertura das academias é a promoção de saúde. De acordo com Jamil, o exercício físico fortalece o sistema imunológico e dificulta que as pessoas adoeçam.

Nós sabemos que o Covid-19 ataca pessoas que estão debilitadas fisicamente, com falta de vitaminas no organismo. Temos certeza, a partir da ciência, a partir do empirismo, que a atividade física é um dos melhores remédios para prevenir, se não todas, muitas doenças”, afirmou ele.

Ele justificou que, após a abertura, percebeu a mudança dos alunos quanto a falta de exercícios, agravando casos de hipertensão e obesidade.

Outra manifestante foi Mariane Morais, que também é proprietária de uma academia. Para ela outra grande preocupação é que, com a nova proibição, haverá dificuldades para manter as contas, os salários dos empregados e aluguéis. “Todos que já pagaram”, disse ela, “vão querer o seu dinheiro de volta, e nós temos despesas”.