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A sorte em suas mãos

POR DÉCIO MARTINS CANÇADO

22 de setembro de 2020

É muito comum vermos reportagens na TV mostrando torcedores de futebol, especialmente em final de campeonato, acreditando, piamente, que se vestirem a mesma camisa, se sentarem no mesmo local, fizerem todo o ritual do último jogo quando seu time venceu a partida, tudo dará certo e ele ganhará o jogo. Entretanto, ao analisarmos este histórico, ficou comprovado que todo tipo de superstição, de ‘mandinga’, de rituais não puderam decidir os resultados ou modificar a forma de jogar dos atletas. Será que poderíamos dizer que não ‘tiveram sorte’? Racionalmente, sabemos que tudo depende muito mais de preparação física e psicológica do time, de esquema tático e treinamento, de iniciativa do técnico e dos jogadores, entre outras coisas.

Muito se ouve falar que algumas pessoas têm sorte, enquanto outras, nem tanto. Seria isso verdade? Afinal, existe realmente o fator ‘sorte’ na vida das pessoas? Conversando recentemente com uma aluna, ela me dizia que dois colegas seus prestaram o Vestibular, sendo que um deles conseguiu ser aprovado em uma Faculdade Federal, enquanto o outro não teve tanta “sorte”. Refleti com ela que não se tratava simplesmente de sorte; que a história de vida de cada um deles é totalmente diferente e que isso influenciou, e muito, nos resultados que eles conseguiram.
Senão vejamos: em primeiro lugar, cada um dos vestibulandos tem uma ‘genética’ diferente, pois herdaram de seus pais algumas características que determinaram suas aptidões, suas habilidades e seus interesses. Em segundo lugar, a educação que receberam, em casa e na escola, também foi diferente.

O poder aquisitivo de cada família, o incentivo à leitura por parte dos pais, desde cedo, o local onde cresceram, os relacionamentos, a qualidade e o empenho dos Professores que tiveram, desde a pré-escola até o final do ensino médio, o material didático que utilizaram, os cursos paralelos que frequentaram, como Inglês e Informática, entre outras coisas, fizeram a diferença.

É lógico que, para que um fato ocorra, existe também uma previsão matemática, baseada na Teoria das Probabilidades, quando se pode prever que alguma coisa acontecerá, dentro de uma determinada porcentagem. Por exemplo, uma moeda jogada ao ar terá sempre ‘cinquenta por cento’ de probabilidade de cair do lado ‘cara’ ou ‘coroa’. Um ‘dadinho’, que tem seis faces, ao ser arremessado, apresentará ‘dezesseis e meio por cento’ de chances de cair com o número cinco para cima. Da mesma forma, também existirá a probabilidade de que um assunto mais conhecido por um vestibulando sejamais pedido em uma prova, mas, em momento algum, poderemos estar falando do fator ‘sorte’, que possivelmente alguns tenham mais que outros.

A vida das pessoas não pode ser entendida como um jogo, como uma moeda arremessada ao acaso.
De acordo com a Psicologia moderna, “a SORTE é uma conquista racional que se obtém com esforço, disciplina e otimismo.” Não poderemos aceitar passivamente o que acontece conosco, usando desculpas, como o Destino ou o Acaso. Então “por que algumas pessoas são bem-aventuradas e outras não? Preste atenção à sua volta.

Você já reparou no seu trabalho, entre seus amigos ou mesmo na sua família, como alguém sempre se sobressai aos demais? É aquele indivíduo cuja vida parece mais leve, doce e fácil, pois para ele tudo tende a dar certo. Por outro lado, existem pessoas que passam a impressão de terem sido marcadas pelo chamado ‘azar’. Vão mal nos negócios, nos relacionamentos, vivem se queixando de doenças e insatisfações.

O mundo está cheio de gente assim, mas a pergunta recorrente é: até onde o que acontece a todas elas está relacionado com o fator ‘sorte’?. Ela existe mesmo ou não passa de uma crença, alimentada ao longo dos tempos na tentativa de explicar situações que não conseguimos compreender? Outra dúvida: se ela pode ser conquistada, o que devemos fazer para nos tornamos merecedores? A fim de responder a esses questionamentos, pesquisadores e curiosos vivem estudando o assunto. Alguns desses trabalhos, transformados em livros, demonstram que sorte não é mera casualidade, como se imagina, muito menos uma dádiva do universo para poucos privilegiados.

A promessa dos estudiosos é a de que qualquer pessoa pode tê-la, basta ‘criar’ as condições e ir atrás.
“Os sortudos fazem a ‘boa sorte’ acontecer por meio de comportamento e atitudes mentais”, resume o psicólogo inglês Richard Wiseman, um dos mais respeitados profissionais do Reino Unido e especialista no tema.