Destaques Do Leitor

A sineta do gato e a Lava Jato

11 de setembro de 2020

Às vezes, é mais difícil desfazer as coisas do que as construir; o exemplo mais marcante é o da correção de erros que implica em destruição. A reflexão inspirou-me uma paródia da fábula de Esopo. Ei-la: “A entusiasmada unanimidade determinou a decisão dos ratos de colocar a sineta no gato. Um deles, levado pela vaidade de herói celebrado, fazendo uso do artifício de drogas tranquilizantes no felino, realiza a tarefa, sob aplausos gerais. Mas feito o trabalho, surgiu um novo problema, que, aliás, deveria ter sido previsto: os passeios noturnos do gato não deixavam os ratos descansar, em razão do pavor despertado pelo constante tilintar da sineta, numa interminável vigília. Resolveram, então, tirar a sineta. Quem o faria?”

Eis o problema dos processos da Lava Jato: quem ousará fazer o feio, corrigindo os malfeitos de relevantes atores processuais, tendo como consequência a determinação de restituição de dinheiros e anulação de processos de Lula? Por sorte de Esopo, na sua fábula ninguém ousou botar a sineta no gato; não foi preciso desfazer nada e nem dar a resposta.

Raul Moreira Pinto – Passos/MG

Dedicação dos professores

Com o novo formato de aulas a distância que surgiu em muitas escolas e nas universidades com a quarentena, cada vez mais professores e alunos têm tido que se adaptar a esse tipo de ensino. Muito se discute sobre a importância de levar em conta os aspectos acerca da realidade de acesso às aulas e aprendizado dos alunos nesse formato, mas pouco se fala sobre a perspectiva dos professores, que também encontram dificuldades nesse processo.

Viralizaram nas redes vídeos de professores se emocionando com os alunos que ligam as câmeras durante as aulas, um ato que parece simples, mas que faz toda a diferença para um professor, que, além de ter que se adaptar para dar aulas on-line, muitas vezes tem que fazer isso olhando para uma tela e sem a interação dos alunos, que é tão cara ao desenvolvimento da aula. É preciso que se pense, também, para além das dificuldades enfrentadas pelos discentes, no lado desses profissionais docentes que têm se esforçado em meio a uma série de impedimentos para continuar dando as aulas e possibilitando o aprendizado dos alunos.

Eduardo Martins – Belo Horizonte/MG