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A simplicidade traz a felicidade?

25 de julho de 2020

Quando o meu filho Heitor tinha 3 anos, conquistei uma promoção no meu trabalho que me deixou extremamente feliz. Como forma de demonstrar aquela sensação de bem-estar na qual eu me encontrava, levei-o até uma loja de brinquedos e disse a ele que poderia escolher qualquer coisa. Ele andou pela loja toda e pegou um carrinho de plástico menor que o bracinho dele. Perguntei com surpresa se era aquele mesmo e ele saiu correndo, colocando o carrinho debaixo do braço.

A partir daquele dia, sempre faço uma reflexão sobre o que é felicidade. É possível que ela se instale em nós e fique permanentemente? Aquele ato do Heitor me fez pensar sobre a simplicidade. Ser simples não tem nada a ver com a posse de bens ou a falta deles. É um processo de descomplicar a vida. Simplicidade vem do Latim SIMPLEX, “único, simples” mais PLICARE, “dobrar”. Essa junção significa algo que foi dobrado apenas uma única vez, aquilo que pode ser aberto facilmente, que não apresenta complicações.

Precisamos lembrar que as nossas felicidades são processos advindos da simplicidade. Ao alcançarmos uma felicidade já estamos em busca de outra. Esta é a dinâmica da vida que nos mostra que os sucessos são provenientes dos fracassos e, muitas vezes, de nossas tristezas. Até Deus teve que mostrar a sua divindade por meio da simplicidade e do sofrimento humano para que pudéssemos refletir sobre a nossa potencialidade de seres de amor.

Aristóteles, filósofo do século IV a.C., disse que a nossa felicidade está condicionada à nossa atenção nas virtudes da nossa “alma racional”, pois quando estamos atentos de verdade em nossos momentos presentes, é como se utilizássemos o passado apenas como um molde para não cometermos outros erros e, do mesmo modo, é como se encarássemos o futuro como algo projetado, sonhado, apenas.

É preciso dizer que vivenciar o futuro e o passado como se eles estivessem presentes, tem sido uma forma de degradação da nossa condição humana. Ser simples requer estar no presente. Preste atenção na origem da palavra “dobrado uma única vez”, “sem complicação”. Assim, lembrar do passado para aprender e projetar o futuro apenas como norte é um meio simples de adquirir a felicidade, que está em nossas atitudes diárias e até em nossas derrotas.

Para termos sensações de bem-estar, façamos o seguinte: admitir que somos humanos e falhamos; praticar atividade física, curtir mais a simplicidade na vida, aprender com os momentos difíceis, dar ênfase em nossos relacionamentos e ter atitude de gratidão. Amém! Viu como estudar a origem das palavras nos ajuda a entender a nossa língua portuguesa?

PROF. ANDERSON JACOB ROCHA. Doutor em Língua Portuguesa. Autor do livro: A Linguagem da Felicidade. Instagram: @prof_andersonjacob. Youtube: Prof. Dr. Anderson Jacob