Destaques Do Leitor

A praça e os bancos do jardim

18 de junho de 2020

Praça’ – uma definição bem ampla (do latim: platea), espaço público, livre, que propicie convivência e/ou recreação. Brincar no Coreto, o antigo! Trocar de canto, pique-esconde, salve cadeia! As árvores de ficus quadradas e redondas, e as divisões de canteiros delimitadas pela plantinha murta que, se jogadas ao fogo, estalavam como pipoca e, se dobradas e levadas à boca, emitiam sons de animais e pássaros com o inocente sopro das crianças criativas. E as hortênsias? E roseiras? Tudo modelado e podado pelas mãos habilidosas do saudoso Boanerges.

A iluminação com postes ornamentais de madeira. O Quadrado, a Praça nova, a Praça principal, a Praça da Matriz, a mesma Praça e os mesmos bancos. Aqueles… Quem viveu a antiga Praça, sabe! Aqueles bancos com suas incrustações dos nomes e empresas representativas de seus patrocinadores, só lembranças. Quem vive agora a nova Praça, eis aqui uma apresentação daqueles bancos para que conheçam cada doador à época, em distribuição sequencial, no sentido horário (da esquerda para a direita), a partir do primeiro, situado de frente para a Matriz na lateral superior esquerda. Assim e, sucessiva e internamente, circundando o inesquecível “Coreto”.

Nº 1 – José Emídio de Mello, escrivão de Paz. Nº 2 – Artur Freire, Escrivão do 2º Ofício. Nº 3 – Irmãos Correa, Biguatinga. Nº 4 – José Felipe Elias, Biguatinga. Nº 5 – José Lopes Miranda, Corretor. Nº 6 – Manoel Martins de Souza, Casa Econômica. Nº 7 – Empresa Força e Luz, Siqueira Meirelles Junqueira & Cia Ltda. Nº 8 – Tondinelli & Cia Ltda. Nº 9 – Jacinto Ferreira Júlio, Farmácia Popular. N° 10 – Francisco Murta, Farmácia NS Aparecida. Nº 11 – Jacob Miguel Sabbag, Bazar Avenida Guaxupé. Nº 12 – Francisco Antônio Bueno, Dentista. Nº 13 – Dr Geraldo Virgínio dos Santos, médico. Nº 14 – Pedro Jorge Chama, Casa Chama. Nº 15 – Antônio Miguel Nasser, Casa Nasser. Nº 16 – Nicolau José, Casa Síria. Nº 17 Nady Campos, Primeiro Tabelião.

Boas lembranças e nossas homenagens a eles. No vaivém das inúmeras voltas na Praça, uma paradinha em cada banco e o questionamento: “Quem era ele”? A Praça é nossa. A Praça é do povo e de todos nós, onde tudo acontecia… Ela é de quem gosta dela. É do churrasquinho do Roque, do churrasquinho do Alfredo Izidoro, do pastel da Vanderléia, das quitandas da Rosinha e do suco da Jéssica. É saudosismo. E não é bobagem. É tradição. E de época histórica, que o modernismo cruel deu direito até de levar ao chão o monumental Coreto, símbolo de gerações, juntamente com os bancos.

De qualquer maneira, os mais antigos da cidade terão oportunidade de sonhar com o passado e recordar. Mas a Praça? Ela foi remodelada. Os tradicionais bancos? Retirados. O que não conseguiram mudar (os gestores modernos) são as juras solenes naquela Praça, naquele banco, que se transformaram de encontros a casamentos e à formação de famílias.

Fernando de Miranda Jorge – Jacuí/MG