Destaques Do Leitor

A palavra conta

11 de dezembro de 2020

Um leitor, em carta no jornal de domingo, 6/12, diz não estar preocupado com a palavra presidencial, tendo-a como de somenos importância. Acho que não é assim. A honra da palavra empenhada; a dignidade da palavra veraz; a palavra conciliadora que afasta o ódio; a palavra que consola e que compartilha as dores; a palavra da crença na Ciência.

Não são meras palavras apenas com conteúdo semântico; são valores e princípios, passados de pai para filho entre os homens de bem e que não podem ser desprezados pelo fato de uma administração ser eventualmente boa (afirmação da qual discordo totalmente); o custo ético dessa licença é excessivamente alto. Tomando de empréstimo o lema do movimento negro nos EUA, words matter. Pelo que se mostra, no plano moral sairemos da atual administração e da pandemia bem piores do que somos.

Raul Moreira Pinto – Passos/MG


Oportunismo macabro

Como a Constituição estabelece que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, esperava-se que as gestões de políticas públicas nesse sentido fossem geridas harmonicamente entre os governantes. No entanto, sobre a vacinação contra a covid-19, assiste-se a um cruel embate entre os chefes desses poderes, com destaque para Jair Bolsonaro e João Doria. Não há nenhum resquício de boas intenções de nenhum dos lados nesta briga.

A questão de fundo são as eleições vindouras. As quase 180 mil mortes, os milhões de contaminados e as milhares de famílias afetadas e enlutadas são vilmente utilizados como um lúgubre calçamento às pretensões políticas desses dois personagens. Daí conclui-se, sem qualquer dúvida, que no Brasil pratica-se uma enganosa e ordinária política, cujo palco é um ringue de vale-tudo, sem qualquer regra, e agora também ausente o respeito com os brasileiros afetados por essa tragédia. O aproveitamento desta catástrofe sanitária que vivemos está a exibir um vil oportunismo macabro e desumano.

Honyldo Roberto Pereira Pinto – Ribeirão Preto/SP