Destaques Opinião

A leitura é fundamental

20 de julho de 2020

Assim como a oração na forma de alimento espiritual é necessidade básica para a alma – para quem na alma crê – a leitura é fundamental para os que objetivam uma boa qualidade de vida.
Se a leitura é tão importante na vida das pessoas, e de fato é, por que cargas d´água se lê tão pouco no Brasil? Os números são assustadores.

Há cerca de 9 anos atrás, por volta de 2011, uma pesquisa realizada por Retrato da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou que cada brasileiro lia em média 4 títulos por ano. E num dado mais assustador, dava conta de que trinta por cento dos brasileiros nunca compraram um livro, seja para ler ou pelo simples fato de enfeitar uma instante.

A informação vem pelo então Fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional, Dr. José Janguiê Bezerra Diniz, mestre e Doutor em Direito. Paraibano que veio lá de trás, pobreza “chão batido”, “pés descalços”, acreditou no poder do livro e da leitura, decidiu tomar estrada, seguir adiante, estudou, educou-se, galgou postos e triunfou.

Janguiê tem muito a ensinar por tudo que conquistou através do ensino e da boa educação. Entre seus ensinamentos básicos, aponta para a obtenção do sucesso quatro forças extraordinárias: “Educação e trabalho; resiliência e empreendedorismo.

Num aporte explicativo, das quatro forças apontadas, sem dúvida está a resiliência. Em linguagem voltada para os momentos de sempre, principalmente os atuais, é a capacidade que a pessoa tem de dar a volta por cima nas dificuldades. Quando tudo parece estar perdido as forças brotam do fundo do querer e tudo se resolve. Não é fácil.

Vão replicar que os tempos são outros. A leitura de biblioteca está ultrapassada. Cheira a mofo. Estamos na era digital. A internet faz com que tudo se transforme em facilidades. E, sobretudo, temos todas as ferramentas à disposição. Enfim, uma quantidade enorme de conhecimento e informações. Respostas para quase tudo.

Podemos fazê-lo pelo smartphone, computador, pelo celular, pelo tablet etc. E livros “a mancheias”, como aponta um verso do poema de Castro Alves: “Oh! Bendito o que semeia livros à mancheia e manda o povo pensar” – estão superados.

Sim, verdade. Que ótimo! E dirão que podem fazê-lo por tablets e smartphones, esses dispositivos portáteis. Podem ser uma verdadeira biblioteca ambulante. Um mundo inteiro aos pés – melhor dizendo, às mãos.

Então se volta à pergunta: quem se submete a toda essa parafernália – sem a devida colaboração, sem o devido apoio – não terá dificuldades de absorver e entender ideias e textos mais complicados?

Sem dúvida, hoje tudo está mais fácil e mais ágil para se chegar ao conhecimento. Mas e o equilíbrio, o senso crítico, a razão maior de uma boa leitura, o aprimoramento de quem pratica o ato de ler, na correta interpretação?

O que vemos hoje é a preocupação de jovens para a aquisição das melhores marcas de aparelhos de última geração, mas sem a pretensão de exercitar a massa cinzenta através da boa leitura. Arruínam o cartão de crédito dos pais – jamais pela boa intenção do aprimoramento intelectual e cultural.
Não se está aqui semeando ou plantando o ódio nas famílias. Nem pensar. Um simples exemplo. Um iPhone – sonho de consumo de 9 entre 10 jovens de cabeça fresca – serve para quase tudo: tira fotos, envia e-mails, mensagens de texto e imagem, reproduz música e vídeo, entre tantas outras utilidades. E funciona como leitor de livros. Sim, a biblioteca está ali, à disposição.

Mas… Então se lança um desafio. Indague da fissurada juventude o verdadeiro motivo para a aquisição do tão cobiçado aparelho. Um doce para quem ouvir diferente de que é para quase tudo, menos para o ato de adquirir conhecimento técnico e a tão salutar cultura através de belos textos literários.

Disso resulta o que chamamos de exercitar as bobagens de sempre em termos de perspectiva. No máximo, a dor de cabeça para a cobertura do temível cartão de crédito, com as dificuldades financeiras pelas quais estamos passando. Nem há de se falar nos entretenimentos malucos que levam o nada a coisa alguma.

Os livros – lidos de forma ou doutra – são porta de entrada para o triunfo. Dirão outros, ainda: sem livros e cultura se chega à presidência da República. Claro. E depois, empossado e como primeiro mandatário, terá poder para comprar milhões em medicamentos inócuos para o combate à Covid-19. E o povo que se exploda, com a não comprovada eficácia da Cloroquina e hidroxicloroquina.

E o cordão dos puxa-sacos cada vez aumentando e se ferrando mais e levando no fiofó. Lembranças ao presidente da Fiesp e do Ciesp, do Sesi-SP e do Senai-SP, Paulo Skaf, ele que segue internado no hospital Sírio Libanês, no Centro de São Paulo, após ter sido diagnosticado com Coronavírus na última terça (14). Skaf teve agenda com o presidente da República Jair Bolsonaro no dia 3 de julho passado. Ambos na berlinda da sorte.

Na boa leitura dos tempos – daí a necessidade do conhecimento e aprendizado – que o julgamento moral e judicial se façam na boa correção de rumos, a quem assim o merecer. “A leitura continua sendo uma boa amizade”, como apregoava Proust.

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado trabalhista e previdenciário, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna.