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Secretária teria recusado força-tarefa para a Upa, diz ex-diretor técnico

Por Gabriella Alux / Redação

15 de janeiro de 2022

Foto: Divulgação.

PASSOS – O ex-diretor técnico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Passos Flávio Ferreira, que deixou o cargo na última quinta-feira, disse que a secretária de Saúde do município, Vanessa Cristina Silva Freire, teria recusado mobilizar uma força-tarefa para auxiliar no atendimento na UPA.

“A resposta que eu tive foi que a escala da UPA é de minha responsabilidade. Para deixar claro, essa realmente é uma atribuição técnica do diretor, a questão da escala, mas esse tom de conversa me pegou nesta minha última tentativa de contato para sanar a situação. Não é assim que a gente trata funcionário, ainda mais vindo de uma chefe, pois ela é a secretária de Saúde e eu era apenas o diretor de uma unidade. E isso não foi a primeira vez, então espero que consigam se mobilizar para ter médicos à noite, mas, diante desta resposta, como é de minha responsabilidade e não tenho como produzir médicos de uma hora para outra, preferi sair para que a responsabilidade não caia sobre mim. Que caia sobre quem for responsável e, se não for o diretor técnico, é a secretária de Saúde”, disse Ferreira em uma rede social.

A saúde no município enfrenta uma situação caótica com o aumento na procura por atendimento em casos de suspeita de covid e de pessoas com sintomas gripais. Entre 3 de janeiro e esta sexta-feira, segundo boletins epidemiológicos divulgados pela prefeitura, foram 3.355 casos confirmados de covid-19.

Entre segunda-feira, 10, e ontem, 14, o número de novos casos chegou a 2.013 e dois óbitos foram registrados. Nesta sexta-feira, o município atingiu 15.079 casos confirmados e 324 óbitos desde o início da pandemia.

Na Santa Casa de Passos, a taxa de ocupação na Enfermaria Covid-19 nesta sexta-feira era de 90%, com 19 dos 21 ocupados. Na UTI Covid-19, cinco dos dez leitos estavam ocupados. Segundo o hospital, na UTI Neonatal, um dos cinco leitos também estava com paciente e o número de pacientes internados para tratamento de covid estava em 25, sendo 22 adultos e três crianças.

Em uma entrevista a uma TV online na tarde desta sexta-feira, o ex-diretor técnico da UPA afirmou que a procura por atendimento nesta semana superou mil pessoas por dia e que a unidade corria o risco de ficar sem médico plantonista na noite de ontem.

Segundo Ferreira, alguns profissionais de saúde testaram positivo para a covid-19 e precisaram ser afastados, deixando vaga a escala de plantão noturno. A prefeitura confirmou ter recebido o pedido de exoneração de Ferreira do cargo de diretor, mas, até a tarde de ontem, ainda não havia indicado outra pessoa para a função.

Questionada sobre a afirmação de Ferreira, a secretária de Saúde, disse que não procede.

“A única coisa que disse foi que não podia mobilizar os médicos das unidades básicas de saúde para a UPA, uma vez que a secretaria já estaria programando outras estratégias para direcionar esses profissionais da atenção básica”.

Segundo ela, há muitos médicos afastados devido à infeção pela covid e a pasta enfrenta dificuldade para conseguir mais profissionais. Vanessa afirma que, ontem, a secretaria conseguiu um profissional por meio de contrato emergencial e providenciou a atuação de acadêmicos de Medicina das duas universidades de Passos (Uemg e Faculdade Atenas) para dar suporte e auxiliar no período noturno que, segundo ela, é o que tem tido maior tumulto e aglomeração.

A secretária também afirmou que, nas unidades básicas de saúde, o período da tarde é utilizado para o atendimento a pessoas com sintomas gripais. De acordo com a secretária, a pasta fez um chamamento para conseguir mais cinco médico, dois com carga de 40 horas e três com carga de 20 horas.

“O volume de demanda está muito grande, principalmente quanto ao atendimento de pessoas com gripe. Eu, com pouca ferramenta de pessoal para poder trabalhar, principalmente porque tiveram vários entraves, como ausência de médico no centro de covid por ter testado positivo para a doença e atraso nos testes por conta da chuva, não posso fazer uma coisa que possivelmente saia do planejamento e do orçamento direcionado para a pasta. Já tinha vários encaminhamentos para que esse ano pudesse ser melhor, mas aí veio todo o alerta e as novas transmissões, que atrapalhou um pouco. Então, tive e estou tendo muita dificuldade”, disse Vanessa.