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Número de divórcios em Passos aumenta após início da pandemia

Por Gabriella Alux / Redação

16 de outubro de 2021

Foto: Reprodução.

PASSOS –  De janeiro até setembro deste ano, 46 divórcios foram realizados em Passos, o que representa um aumento de 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado (42). Em 2020, o município registrou 59 divórcios, com alta de 18% na comparação com 2019 (50) e de 23% em relação a 2018 (48). Segundo o presidente do Colégio Notarial do Brasil (CNB), seção de Minas Gerais, Victor de Mello e Moraes, efeitos da pandemia no relacionamento entre casais podem estar entre os motivos das separações e a possibilidade de divórcio online facilitou a realização dos processos.

“Os efeitos sociais da pandemia foram sentidos também nos Cartórios de Notas. As incompatibilidades dos casais ficaram mais evidentes com a quarentena e a possibilidade de fazer o divórcio online durante a pandemia facilitou a oficialização do processo. Essa digitalização e informatização dos cartórios, permitindo o divórcio virtual, aumentou muito o acesso e a procura para este serviço. De acordo com a tendência dos últimos meses, a procura por atos online continua em uma crescente constante. Já em relação somente aos divórcios, percebemos pelo atendimento cotidiano que muitos casais ainda sofrem com os efeitos da pandemia. Em Passos-MG, por exemplo, 2021 já conta com 46 divórcios até o mês de setembro, contra 42 em 2020 e 37 em 2019”, disse Moraes.

Para a advogada Fernanda Leite Abreu, que atua na área de Direito de Família, no Cartório do 2º Ofício da Comarca de Passos, a pandemia e o procedimento digital também são apontados como motivos para o aumento no número de divórcios.

“Nosso escritório também registrou aumento significativo dos casos de divórcio na pandemia, e a principal motivação, foi a enorme dificuldade de convivência entre os cônjuges dentro do ambiente doméstico, afinal, a rotina de sair para trabalhar em tempo integral, todos os dias, foi trocada pelo home office. Com isso, os atritos, por motivos variados, tornaram-se insuportáveis para alguns. Antes da pandemia, o casal tinha suas ‘válvulas de escape’, como a convivência no ambiente de trabalho, compromissos externos, viagens, e, diante da obrigatoriedade de isolamento, os problemas ficaram consideravelmente mais expostos”, afirma Fernanda.

Segundo ela, os motivos mais comuns para divórcios são as diferenças de gênios, propósitos de vida, modo de criação dos filhos, religião, valores e princípios, entre outro. Fernanda também diz que a falta de diálogo, dificuldades financeiras, alcoolismo, influências externas de familiares e traições também são motivos comuns em casos de separação de casais em Passos. Para a advogada, antes de decidir pelo divórcio, os casais devem procurar ajuda.

“Vimos que, o que a pandemia fez foi intensificar e reforçar os problemas conjugais como um todo, porém, os motivos que levaram os casais a se divorciarem neste período são preexistentes. A pandemia, então, não pode ser considerada como sendo a grande vilã no aumento do número de casos de divórcios em Passos e no Brasil. Ela não é causa, mas sim, consequência de uma série de fatores anteriormente vivenciados e que, diante do isolamento dos cônjuges durante um tempo considerável no mesmo ambiente, tornou-se insuportável a convivência para alguns”, disse a advogada.

Profissional explica que o isolamento social afetou a comunicação de muitos casais

A profissional especializada em inteligência emocional Maria de Fátima Sá e Silva afirma que, em relação a casais com os quais trabalhou durante a pandemia, com o isolamento social, muitos perderam a comunicação. Segundo ela, os casais e famílias tiveram que dividir o mesmo ambiente 24 horas por dia, sete dias por semana e participarem de forma mais ativa da criação e educação dos filhos. Com isso, de acordo com Maria de Fátima, muitos passaram a ter mais problemas nos relacionamentos.

“O trabalho veio para dentro de casa. Então, a mulher conseguiu ver como o marido trabalha e o marido conseguiu ver como a mulher trabalha. Por isso, a maioria dos problemas começou a aparecer, como a falta de comunicação entre o casal e o distanciamento emocional. Muitos têm até uma comunicação direta até mesmo para o que deve ser pago, o que é necessário na casa, entre outras coisas, mas não para o dia a dia. Com a pandemia e o medo de morte, muitos medos apareceram, como o de ficar sozinho, e percebi que muitos casais se sentiram sozinhos, mesmos casados. Com isso, muitos, ou se divorciaram, ou entraram em uma crise feroz”, disse ela.

Maria de Fátima também afirma que, no caso de casais que estavam em crise e se submeteram a um tratamento, a primeira coisa necessária foi reestabelecer o diálogo e o prazer em estar juntos. Segundo ela, a quantidade de divórcios demonstra a falta da prática do perdão, arrependimento, a atenção para com o outro, cuidado, amor, entre outros atributos nos relacionamentos.