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1,5 tonelada de peixe morre na Lagoinha depois de ‘chuva de fuligem’

Por Gabriella Alux / Redação

14 de setembro de 2021

“O oxigênio na Lagoinha estava a 0,6 miligramas por litro de água, sendo que o recomendado é sete miligramas por litros de água”, declarou secretário de Meio Ambiente./ Foto: Reprodução.

S. S. PARAÍSO – Cerca de uma tonelada e meia de peixes morreu na Lagoinha, em São Sebastião do Paraíso, depois que uma “chuva de fuligem” ocorrida na última quinta-feira, 9, ocasionou problemas no nível de oxigenação da água. Durante o sábado, 11, a prefeitura autorizou a captura dos peixes, principalmente com redes e tarrafas, para tentar retirar os animais ainda vivos e soltá-los em represas, sítios, fazendas e outros locais com níveis adequados de oxigênio.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente do município, Renan Jorge Preto, a decisão da liberação para captura teve o objetivo de permitir condições de sobrevivência para alguns peixes e foi tomada diante do cenário visto não apenas na Lagoinha, mas em diversos pontos da zona rural do município que também foram afetados pela fuligem.

Segundo ele, em nenhum momento, a liberação, que foi apenas para captura e soltura, permitia o uso dos peixes para alimentação, uma vez que não foram feitas análises ou necrópsias que permitiriam o consumo com segurança.

“O que resta é terminar a retirada dos peixes que morreram, que foi em torno de 1,5 mil quilos mesmo e, agora, é trabalhar para revitalizar a Lagoinha o mais rápido possível, pois já era uma vontade da atual gestão. Queremos realmente retirar toda essa lama do fundo que vem se acumulando há muitos anos, impactando diretamente na qualidade da água e, aos poucos, substituir a água poluída por uma água limpa. Vamos fazer com qualidade, para poder voltar a criar peixes e, de fato, melhorar a questão da Lagoinha ser um cartão-postal da nossa cidade”, disse o secretário.

Renan também afirma que a morte dos peixes foi causada pela incidência da chuva com fuligem, o que gerou aumento de matéria orgânica na água e um meio favorável para a proliferação de bactérias e micro-organismos. Segundo ele, uma das consequências do aumento de micro-organismos foi a alta no consumo de oxigênio e a queda drástica de sua concentração na água.

“O oxigênio normal para criação de peixes é de cinco miligramas por litro de água e, se possível, até acima disso, mais ou menos em torno de sete. O que a gente conhece de limite e tolerância da maioria dos peixes é de até quatro miligramas por litro, sendo que, nesse nível, há um estresse para o peixe, pois já não é uma condição ideal. Na Lagoinha, encontramos, com análises laboratoriais, algo em torno de 0,6 e 0,7 miligramas por litro de água”, explicou.

O secretário afirma que, ao detectar a falta de oxigênio dissolvido na água, foi iniciado um trabalho para aumentar a aeração da Lagoinha. Ele conta que, apesar de já funcionarem constantemente dois aeradores e mais um poço tubular, que em épocas de estiagem funciona para colocar água limpa e ajudar a manter o nível do líquido, também foi colocado dois barcos circulando para causar uma turbulência e gerar maior oxigenação na água.

“Nenhum desses trabalhos foram suficientes. Fomos analisando a concentração do oxigênio, e em alguns momentos aumentaram de 0,6 para um pouco mais de dois miligramas por litro, mas, depois, voltava a cair novamente, então, realmente, nada foi suficiente para salvar os peixes”, disse o secretário.

Ontem, a Prefeitura de Paraíso realizou uma força tarefa de manutenção e limpeza da Lagoinha e arredores. Segundo a administração, inicialmente, a suspeita pela morte dos peixes era o nível de acidez, mas a análise da água apontou que o pH estava equilibrado, em torno de 7,7. Estão sendo realizadas a retirada dos peixes mortos e de garrafas que foram jogadas neste fim de semana na lagoa, bem como a poda de árvores e varrição de todo o entorno da Lagoinha.