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Emissões de gases-estufa

28 de Maio de 2020

Diferentemente do resto do mundo, que deve ter uma redução nas emissões de gases de estufa neste ano diante da recessão provocada pela pandemia de covid-19, o Brasil provavelmente vai registrar um aumento na liberação dos gases que provocam o aquecimento global. Análise feita pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg) do Observatório do Clima estima que a alta pode ser entre 10% e 20% neste ano, em relação aos dados de 2018, porque o País está mantendo em ritmo acelerado a sua principal fonte de gás-estufa, o desmatamento.

Mundo

Para as emissões globais, a expectativa é de queda em torno de 6% por causa da diminuição da atividade industrial e do consumo de combustíveis fósseis. Em nota técnica divulgada na quinta-feira, para avaliar o impacto da pandemia sobre as emissões brasileiras, o grupo aponta que também para o País a pandemia tem, “no agregado, o efeito de potencialmente reduzir as emissões de gases de efeito estufa, com as reduções nos setores vinculados a energia, indústria e resíduos compensando ou neutralizando o aumento nas emissões da pecuária”.

Inversão da curva

Mas o desmatamento, que avança na Amazônia a despeito da pandemia, deve inverter essa curva, estimam os pesquisadores de quatro instituições de pesquisas ambientais, liderados pelo engenheiro florestal Tasso Azevedo. Os quatro primeiros meses deste ano, de acordo com os alertas do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registraram uma perda de 1.202 km² de florestas, valor 55% superior ao observado no mesmo período do ano passado, de 773 km². Abril deu sequência a um recorde batido no primeiro trimestre de 2020 – que trouxe no consolidado o desmatamento mais alto dos últimos dez anos.

Efeitos

Mesmo quando os efeitos da pandemia começaram a ser sentido no Brasil, não houve arrefecimento da motosserra. Entre os meses de março e abril, o Deter identificou uma perda de 732 km², crescimento de 46,6% em relação ao mesmo período de 2019. A tendência de intensificação do corte da floresta, porém, vem desde o ano passado. A partir de 1º de agosto, quando começa a ser considerado o período oficial de cálculo do desmatamento anual, o corte raso atingiu até 30 de abril 5.666 km². Entre agosto de 2018 e abril de 2019, os alertas haviam indicado 2.914 km² desmatados. O aumento é de 94%.

Lembrando que essa taxa é uma estimativa do Deter. O sistema Prodes, que faz a análise mais acurada – e fornece o dado oficial (sempre entre agosto de um ano e julho do seguinte) – geralmente traz números ainda mais altos. Para poder estimar de quanto podem ser as emissões por desmatamento no Brasil neste ano, os pesquisadores fizeram projeções de quanto pode ser a perda da floresta entre maio e julho, normalmente os meses com as mais taxas de devastação.