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Inhotim amplia o horário de funcionamento

ARTES VISUAIS

6 de janeiro de 2022

Galeria Mata apresenta a exposição "Abdias Nascimento, Tunga e o Museu de Arte Negra"./ Foto: Reprodução.

Com o intuito de atender a alta procura por visitação em janeiro, o Instituto Inhotim amplia seu funcionamento ao longo deste primeiro mês de 2022. Desde ontem, 5, o museu de arte contemporânea a céu aberto localizado em Brumadinho passa a funcionar às quartas-feiras, no mesmo horário das quintas e sextas, ou seja, das 9h30 às 16h30. Aos sábados e domingos, as visitas acontecem entre 9h30 e 17h30.

Apesar da ampliação do funcionamento, o Inhotim segue os protocolos de segurança contra a covid-19. A capacidade máxima permanece em 1,5 mil pessoas por dia e ingressos devem ser adquiridos com antecedência por meio da plataforma Sympla. Espaços confinados e de interação seguem interditados e as galerias abertas ao público funcionam com número limitado de visitantes. O uso de máscaras é obrigatório em todo o espaço.

Além das galerias e obras permanentes, estão em cartaz duas exposições temporárias inauguradas em dezembro de 2021: “Abdias Nascimento, Tunga e o Museu de Arte Negra”, na Galeria Mata, e “Deslocamentos”, na Galeria Fonte.

A primeira, realizada por Inhotim em parceria com o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros (Ipeafro), conta com 90 obras, entre pinturas, desenhos, fotografias e instalações que evidenciam o diálogo e a conexão artística entre Abdias do Nascimento (1914-2011) e Tunga (1952-2016). O acervo pertence ao Museu de Arte Negra (MAN), idealizado por Abdias.

“A exposição faz parte de um projeto maior, fruto da parceria que vem acontecendo há mais de um ano com o Ipeafro. É muito simbólico que esteja na Galeria Mata, uma das primeiras do Inhotim. É como se fosse a introdução de um museu dentro do museu, no caso o MAN dentro do Inhotim”, explica o curador assistente Deri Andrade.

Os trabalhos têm como base os preceitos de uma cultura africana que dialoga com as bases da formação cultural do Brasil.

“É uma série de obras que não necessariamente foram produzidas por artistas negros. Elas têm no seu cerne cosmovisões trazidas de África”, afirma o curador.

A coletiva “Deslocamentos” trata de questões relativas à ocupação, ao compartilhamento e à migração em diferentes territórios. Curadores do museu colocaram em diálogo obras de Cerith Wyn Evans, Gordon Matta-Clark, Jorge Macchi, Laura Lima, Matheus Rocha Pitta, On Kawara, Raquel Garbelotti, Rivane Neuenschwander, Rodrigo Matheus, Rubens Mano e Sara Ramo.

Os trabalhos fazem parte do acervo do Instituto Inhotim, vários deles nunca foram expostos. Deri Andrade diz que o tema da mostra não deve ser associado apenas ao deslocamento territorial.
Além das duas exposições, os visitantes podem conferir as aquisições de 2021 do museu. Desde agosto, o Jardim Sombra e Água Fresca abriga o site specific “O espaço físico pode ser um lugar abstrato, complexo e em construção”, de Rommulo Vieira Conceição, baiano radicado em Porto Alegre. Na Galeria Praça está “PROPAGANDA”, obra de Lucia Koch, gaúcha radicada em São Paulo.

Ao longo de janeiro, o Inhotim promoverá o circuito de visitas mediadas para quem quiser se aprofundar e conhecer mais a fundo artistas, obras e a história da instituição. A programação traz a visita panorâmica, que consiste na reflexão sobre o espaço do Inhotim e seus acervos. Com duração de 90 minutos, ela acontece às 11h e às 14h, tendo como ponto de partida a recepção de Inhotim.