Dia a Dia

Uma vida nova

POR DÉCIO MARTINS CANÇADO

16 de março de 2021

“Amanhecer o dia e saber que continuamos vivos, especialmente, para quem desfruta de boa saúde, tem condições de sobreviver com dignidade, uma família equilibrada,entre outras coisas, é algo muito gratificante. Sabemos que nossa vida,assim como a de todos os seres vivos, é somente uma passagem por este planeta terra, mas dificilmente queremos partir.

Sempre existirá alguma coisa para concretizar, a esperança de realizar um sonho, a permanência da companhia de um ente querido que precise de nós, um trabalho por ser feito, o medo do desconhecido, enfim, a morte continua sendo adiada, por mais certa que ela seja.

A esperança de vida renasce a cada dia, principalmente quando nos deparamos enfermos. A espiritualidade,nesses momentos, encaminha-nos até Deus e se torna mais forte e mais presente.Passamos a acreditar no poder espiritual de cura, a sentir a presença do Divino em nossa existência, e logo descobrimos que somos limitados e carentes de algo que transcenda o material e o lógico.

O homem é um ser de corpo e espírito, assim acreditamos. O lado espiritual nos fortalece e impulsiona a ter esperança, a crer que depois desta vida, há outra dimensão, para a qual estamos predestinados e que nos foi preparada, através da ressurreição. É uma questão de fé.

Ser acometido por uma doença leva-nos a pensar que não somos nada, perante a lei do universo. Um simples ser vivo microscópico, que nem conseguimos enxergar, por ser tão pequeno, tem o poder de levar qualquer um à morte. De nossa parte, como seres que têm discernimento, e livre arbítrio, é inconcebível que ajamos de maneira tão inconsequente: bebemos demais, fumamos, gastamos sem critério, dirigimos muito rápido, ficamos acordados até mais tarde que o normal, acordamos muito cansados, lemos pouco, assistimos a TV demais, utilizamos o computador, a internet e o celular por muito tempo ao dia, e rezamos raramente. Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Falamos demais, comunicamos de menos. Amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a ‘sobreviver’, mas não a ‘viver’; adicionamos anos à nossa vida e não ‘vida’ aos nossos anos. Fomos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um vizinho ou falar com o companheiro de trabalho.

Conquistamos o espaço exterior, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas ‘maiores’: edifícios, máquinas, empresas, cidades… mas pouquíssimas ‘melhores’. Poluímos o ar, as águas e, também, a alma; dominamos o átomo, mas não o nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar, e não, a esperar.

Construímos uma quantidade maior de computadores para armazenar mais informações, produzir mais cópias, mas nos comunicamos menos. Estamos na era da alimentação rápida – ‘fastfood’ – e da digestão lenta; do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de mais de um emprego, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados, vazios. Essa é a era das viagens rápidas, encontros lentos, fraldas e moral descartáveis, das relações rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas ‘mágicas’, que evitam a vida, as preocupações e todo tipo de dor, que nos fazem crescer e nos tornarmos mais fortes e sábios.

Vivemos um momento de incontáveis coisas nas vitrines, de muitas lojas nos shoppings, inúmeras opções de escolha, e muito pouco na cozinha de muitos. Uma era em que milhares de mensagens e de e-mails são ‘compartilhados’ diariamente, permitindo que você divida profundas reflexões ou, simplesmente, clique ‘delete’.

Procure passar mais tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Lembre-se de distribuir abraços para seus amigos, pois isso não lhe custa um centavo sequer. De dizer ‘eu te amo’ para quem você convive no dia a dia, inclusive, seus filhos, mas, em primeiro lugar, ame… ame muito. Já disseram que o segredo da vida é não ter tudo que se quer, mas amar tudo o que se tem”.