Dia a Dia

Um terceiro provérbio popular

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

21 de março de 2022

“Só percebemos o valor da água depois que a fonte seca.” Cada povo expressa esta verdade à sua maneira, tanto que o provérbio se tornou comum a todas as culturas. O provérbio nos ensina a valorizar as coisas que temos e usamos; a respeitar o modo que as coisas têm de se multiplicar; a proteger a vida das coisas. A água precisa da mata ribeirinha. Nenhuma fonte é inesgotável. Preciso respeitar o ciclo da reprodução dos animais e das plantas. Se pego na rede o cardume de peixes, que nada para a desova, não terei peixe no ano que vem. Posso expressar esta verdade também assim: só percebo o valor da vida diante da morte, e então será tarde. Preciso cultivar a vida. Preciso cultivar a natureza vegetal. Preciso cultivar a natureza animal. – Frei Clarêncio Neotti, OFM – folhinha do dia 14 de março de 2022, do calendário “Sagrado Coração de Jesus”, da Editora Vozes Ltda. – [email protected]
Dizem os cientistas e pesquisadores sobre o nosso planeta Terra, que ele existe há bilhões e bilhões de anos, considerando o nosso atual calendário. A água sempre foi produto essencial para a vida do planeta e de todos os seres vivos existentes na Terra. Sem ela nós não existiríamos e se um dia acabar será o fim de quaisquer tipos de vida nela. Só lhe damos o necessário valor, quando ela deixa de chegar em nossa residência. Basta um problema qualquer na sua captação e tratamento, a empresa responsável fecha tudo e ela não chega em casa. Aconteceu por aqui há poucos meses. A empresa foi rápida na solução, haviam furtado um motor no local da captação.
Bem, seguindo o texto do frei, o provérbio existe em todas as culturas, em todos os povos, pois todos sabem muito bem o valor da água. O provérbio tem um significado bem mais amplo, ele mostra para nós o quanto é importante valorizarmos tudo que existe na Terra, pois é nela que vivemos e é dela que dependemos. A água precisa da mata ribeirinha para fluir, as fontes de água não são inesgotáveis. As matas, as plantas, devem ser preservadas. A extinção delas provocará mudanças no clima e por consequência no ciclo de tudo que é vida no planeta. A reprodução da vida animal tem leis que regem o seu ciclo. O frei cita o cardume de peixes nadando para a desova e que se o homem não respeitar, não terá peixes no futuro. O frei nos lembra que: só percebemos o valor da vida quando a morte se aproxima de nós. Às vezes, ela vem mais depressa do que esperamos e aí, já é tarde! Portanto, ele afirma que é necessário que cultivemos a vida. Cada um de nós precisa cuidar da sua própria vida, pois ela é única. Para tanto, é preciso, então, que cultivemos o nosso planeta, a vida vegetal e a vida animal que nele existem. Todos nós dependemos de tudo que a Terra fornece, mesmo sendo necessária a mão do homem para produzir alimentos e todos os demais bens que necessitamos para a nossa sobrevivência. Tudo vem do chão, da terra, enfim. O homem não criou nada, resta a ele apenas saber utilizar com inteligência o que a natureza fornece. Tudo que existe tem a sua razão de ser. Até o que não é bom para o homem. Assim, ele tem de aprender a sobreviver, a se defender, a dar valor para o que é bom. Para quem acredita em Deus, podemos dizer que Ele foi sábio em tudo que fez, inclusive, em tudo que criou para a humanidade. Infelizmente, há uma boa parcela da humanidade que não entende, não enxerga ou não quer enxergar que o Criador nos deu um paraíso. Basta-nos, apenas, saber cultivar tudo o que temos e respeitar o planeta. Para tanto, é preciso que uma palavrinha, apenas, seja abolida de nosso dicionário: a ganância.
Com relação ao uso da água, há uma observação a fazer. Tenho visto, tenho observado em lugares ou casas que frequento, que as pessoas, para lavar um simples copo, uma caneca ou xícara, “arregaçam” a torneira, mandando cerca de 80 a 90% daquela água, tratada, para o ralo das pias. Não pensam que aquela água, desperdiçada, está sendo paga por elas. Estão pagando por algo que não usaram. Seria um belo sinal de inteligência, de bom senso, de pouco caso ou apenas não se deram conta disso? Saber economizar é bom para todos nós, a água é um patrimônio universal. Vejamos um outro exemplo de economia: se eu achar um simples clipe na rua e reutilizá-lo, não estou economizando apenas um ou dois centavos, mas, estou fazendo uma economia de 100%!

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no curso normal superior pela Unipac. E-mail: [email protected]