Dia a Dia

Um segundo provérbio português

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

20 de dezembro de 2021

“Onde todos mandam e ninguém obedece, tudo fenece. ” Provérbio muito prático. Tanto a comunidade quanto a família só podem crescer se nelas há alguma organização. Alguns povos se organizam em torno da monarquia: um rei tem a última palavra de mando. Outros em torno da oligarquia: um restrito grupo tem a última decisão. Outros em torno da democracia: o povo escolhe por certo tempo quem vai dirigir os negócios do país. Não importa a forma de mando. É importante que haja um comando. Na família também há um comando: pai e mãe. Os dois precisam tomar cuidado para que seu modo de mandar coincida. Uma comunidade sem diretoria não cresce. E quando a diretoria está brigada, a comunidade fenece, murcha, enfraquece e pode chegar a morrer. A anarquia (falta de comando) mata a comunidade. – Frei Clarêncio Neotti, OFM – folhinha de 15/11/2021- E-mail: [email protected]

Partamos do princípio que “mandar” é uma arte. É preciso saber mandar, saber exercer a autoridade outorgada ou conquistada. É um provérbio prático, como diz o frei, porque sabendo praticá-lo dentro dos princípios da ética, da moral e pelo bem daqueles que são comandados, os resultados serão sempre os melhores possíveis. Uma situação é a teoria, a outra é realmente a prática. Dificilmente haverá consenso absoluto entre mandatários e subordinados a eles, mesmo que por tempo determinado e com o poder destes trocarem aqueles. Sempre haverá oposições e conflitos de interesses. Num regime monárquico, no qual as coroas do rei passam de pai para filhos, é a tradição que impera. Hoje, os reis, salvo algumas exceções, não têm mais o poder de antigamente. Mesmo naquele tempo, em que o poder era absoluto, havia traições, assassinatos e derrubadas de poderosos. O que ainda faz alguns países manterem a monarquia, ou seja, um dos motivos, é a atração turística que tais regimes conseguem. O caso da Inglaterra, talvez seja o principal exemplo. Lá, a monarquia traz rendas para o país e o regime é uma monarquia parlamentarista. Por outro lado, há uma monarquia com outros nomes, nomes específicos do país, principalmente, nos países árabes. São tradições difíceis de serem quebradas. Também há a “monarquia” em forma de ditaduras corruptas, sangrentas, mas não entraremos em detalhes aqui. Há também as chamadas oligarquias, citadas pelo frei. Lembro-me muito bem, quando exercia a atividade contábil em São Paulo, de um cliente de origem judaica, que me disse na época que a França era governada por cerca de quinhentas famílias poderosas. Acredito que, seja lá o regime político que for, sempre haverá uma oligarquia.

Seja do poder econômico, do poder de banqueiros, industriais ou mesmo do poder militar, como acontece nas ditaduras comunistas. O comunismo só existe porque o poder militar é cooptado, assim penso eu. A democracia, a forma preferida por muitos países, mesmo com suas variantes e legislações diferenciadas entre eles, pode não ser o regime perfeito, porque nada é perfeito entre os humanos, mas, ainda é o melhor que existe, ao menos por enquanto. É aquele que diz que o poder emana do povo, é o governo do povo pelo povo. É o povo que escolhe seus governantes. Mas, há regras para isso, os candidatos que se apresentam não são escolhidos pelo povo, mas sim pelos participantes de um partido político. Em todos os casos, continuo afirmando que ainda não apareceu algo melhor.

Diz o frei que não importa a forma de mando, o importante é ter um comando. Concordo, desde que seja sempre pelo bem da comunidade. No caso da família, que hoje uns e outros pretendem destruir com ideias malucas, o comando parte dos pais. Os dois, pai e mãe precisam estar sintonizados com suas ideias e ideais. Precisam saber educar e orientar os filhos para o futuro deles. Não pode haver desafinação na conduta da educação, pois ela vem do berço, desde quando nascem os filhos. Filhos sadios, educados e bem orientados são o reflexo da competência dos pais que souberam se impor com amor e afeição ao produto de sua união. Qualquer organização familiar, comunitária, societária ou religiosa, se não tiver um comando adequado estará fadada ao fracasso ou até à anarquia.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no curso normal superior pela Unipac. E-mail: [email protected]