Dia a Dia

Silva rerum

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

20 de setembro de 2021

“Silva rerum” é uma expressão latina que significa “mata das coisas, ou selva das coisas. Era o título de um caderno, no qual se faziam anotações das frases, receitas, curiosidades e informações que conseguíamos colher no nosso cotidiano. Aqui, então, apresento algumas curiosidades ou informações anotadas há tempos.

Em 21/02/2010, um domingo, a Folha da Manhã publicava, na página 3-A, uma informação do professor e escritor Gilberto Abreu. Dizia que uma lei imperial de Dom Pedro I, de 1827, dava aos médicos e advogados o direito de usar o título de “doutor”. Poderiam usar o título mesmo não tendo defendido tese alguma.

Bem, acredito que haja uma certa lógica na lei de Dom Pedro I, pois, ao salvar uma vida, às vezes, em casos quase que impossíveis, o médico, na prática, defendeu uma tese. O advogado que também consegue ganhar para o seu cliente uma causa difícil, complexa, também, na prática, defendeu uma tese. Portanto, muito justo eles poderem ostentar o título. Acontece que hoje, não são apenas eles ostentando o título. Pelos costumes e práticas populares, há muitos outros profissionais sendo chamados de doutores e, por extensão, ao conseguirem sucesso na profissão, não podemos negar que também estejam defendendo suas teses. Oficialmente, para terem o título de doutor, todos, realmente, precisam passar pelos cursos de doutorado e enfrentar as bancas examinadoras no final. De qualquer forma, não conheço ninguém que não goste de ser chamado de doutor. O que importa é a capacidade de cada um.

“Percepção é tudo.” A frase é do professor Celso Matsuda, da escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Segundo ele, uma pesquisa da UCLA – Universidade da Califórnia, EUA, diz que a credibilidade de uma pessoa é medida assim: 55% pela linguagem corporal, 38% pelo tom e voz e 7% pelas palavras. – Bem, partindo da veracidade da pesquisa, podemos entender como certos oradores conseguem cativar parte ou grande parte de seus ouvintes pela eloquência e pelo jogo corporal, com suas gesticulações corretas e algumas, até exageradas. Quando o exagero é grande, passa do limite, é porque as palavras, na verdade, são fúteis e nada dizem. Percepção, do latim “perceptio”, significa conseguir perceber alguma coisa. Perceber os estímulos corporais, visuais, faciais, as gesticulações, o tom, a voz e o modo de falar. Vale observar tudo isso, principalmente na fala de gente que tenta enganar os outros com a sua qualidade de “ator fracassado”.

–Há muitos e muitos séculos, o filósofo Aristóteles, 384 a.C., nascido em Estagira, na Macedônia, que estava sob a influência da Grécia e onde se falava o grego, pronunciava esta frase: “ A coragem é a primeira das qualidades humanas, porque é a que garante as outras.” O filósofo faleceu em 322 a.C. em Atenas, na Grécia. Realmente, é um pensamento para fazer com que nos detenhamos para raciocinar. Somos dotados de muitas e muitas qualidades. Há quem diga, já ouvi isso num programa de televisão ou em jornal, que se fizermos uma relação das qualidades que temos, encontraremos no mínimo cinquenta. Falava-se apenas de qualidades, não de defeitos. Estes, acredito que encontraremos até mais, se formos sinceros com nós mesmos. Se, contudo, conseguimos achar no mínimo cinquenta qualidades nossas, teremos de dar razão ao filósofo Aristóteles. Será partindo da qualidade “coragem” que estaremos descobrindo todas as outras. É preciso que sejamos sinceros e não inventemos qualidades que não sejam nossas. –

Alvim Toffler, nascido em 04/10/1928 em Nova Iorque e falecido em 27/06/2016 em Los Angeles, foi um escritor doutorado em letras e com ideias projetadas para o futuro, um futurista. É sua, entre outras, a frase: “A mudança não só é necessária à vida. É a própria vida.” Se levarmos ao pé da letra, veremos que a nossa própria vida é uma mudança constante, inclusive no nosso corpo. Desde a concepção sofremos mudanças constantes até o nascimento, o desenvolvimento e o envelhecimento. É preciso entender também que o desenrolar de nossa vida pede mudanças dia a dia, pois, somos animais racionais ávidos por melhoras, progressos e sobrevivência. Que sejam as nossas ambições satisfatórias para nós, mas, também para a sociedade, na qual estamos inseridos.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no curso normal superior pela Unipac E-mail: [email protected]