Dia a Dia

Dia a Dia: Requisitos para ser um bom professor – Parte 4 (final)

Por Luiz Guilherme Whinter de Castro

13 de abril de 2020

Sistema imunológico extra. Este requisito eu acho muito importante. Pelas grandes dificuldades que o professor passa e enfrenta, ele tem de ser uma pessoa muito saudável, resistente e com uma capacidade imunológica fora do comum. É quase dizer que ele precisa ser um herói, igual os das histórias em quadrinhos ou do cinema. Mas, mesmo assim, precisa se cuidar contra as doenças transmissíveis e as pestes que surgem de quando em quando. Ninguém, por mais forte e saudável que seja, está totalmente imune às doenças que possam atingir nossa saúde. Aliás, estamos vivendo uma peste no momento atua!

Bem, ainda consta no texto: dizem que é muito fácil ser professor. Será? Para completar nosso texto, lembro-me de uma frase dizendo que a pessoa que trabalha naquilo que gosta, que ama, passa a vida sem trabalhar. Acredito, então, que para os professores vocacionados, isso possa funcionar. Não significa que não encontrarão muitos espinhos pela frente. E como encontrarão! Para os professores que entraram na profissão sem muita ou nenhuma vocação, mas, por questão de necessidade e falta de opção, não será nada fácil ser professor. Terão de aguentar, de se acomodar e fazer o melhor possível. Afinal, escola e alunos não têm culpa alguma disso. Portanto, o que vale mesmo é dedicação. Se um dia, tais professores tiverem a sorte de realização naquilo que gostam, que sejam felizes. O mais importante é não desmoralizar e nem prejudicar o setor de ensino e fazer por ele tudo que for necessário.

 

Considerando os requisitos apresentados para ser um bom professor, concluímos que o professor, na verdade, tem de fazer milagres.

Hoje, o ensino sofre diversos problemas. Um dos principais deles é a formação do professor. A demanda por cursos de formação aumentou muito no Brasil em função do aumento da população também. O número de escolas cresceu bastante e houve a necessidade de aumentar também o número de profissionais do ensino para atender um número maior de alunos de ano para ano. Muitos cursos superiores foram sendo criados tanto pelos governos e também por entidades particulares. Muitos cursos com excelente qualidade, formando gente com boa capacidade. É claro que qualquer pessoa formada num curso superior só crescerá depois na sua capacidade após algum tempo de experiência.

 

Tal fato é normal em qualquer atividade. Por outro lado, infelizmente, houve vários cursos formando alunos sem dar a eles o necessário suporte, ou seja, fazendo de conta que ensinavam e eles fazendo de conta que aprendiam. Diploma na mão, caminho aberto para entrar no “mercado de trabalho”, aí aparecem as desilusões, as decepções. Não conseguem ter sucesso em concursos na rede pública. Quando tentam, em boas escolas, conseguir uma colocação, também não são bem sucedidos em uma entrevista. Quando conseguem uma vaga e oportunidade, apanham bastante até se conscientizarem que o aprendizado que tiveram não foi suficiente. Mas, com dedicação, esforço e usando a inteligência vão trilhando o caminho, apanhando aqui, acolá, mas o desempenho vai se aperfeiçoando. É por essas e outras que tanto os governos como as escolas particulares, também subordinadas às leis governamentais, precisam constantemente promover cursos, palestras, conferências, simpósios, estágios, etc. É para que os professores possam acompanhar a evolução do ensino. Em termos de desenvolvimento e progresso, o mundo não para, caminha e a passos largos com as tecnologias modernas. O problema é a famosa perfumaria nesses encontros. Algumas vezes, muito blá-blá-blá, para pouco conteúdo!

Quanta lembrança eu tenho da Cartilha da Lili, dos painéis que a minha professora colocava pendurados na parede ou quadro negro da sala de aula do curso primário, com lindas e sugestivas paisagens, mandando que nós fizéssemos uma redação, criássemos uma pequena história (não uso “estória”), por mais bobinha que fosse a nossa criação. Mas, ela depois lia, corrigia e comentava. Assim, íamos aprendendo. Se não conseguimos ser bons, por mais esforços que tenhamos feito, o ônus compete à nós. Só podemos agradecer a todos os professores e saber que fizeram o possível e muitas vezes o impossível ou até milagres!?

 

Luiz Guilherme Whinter de Castro professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG – ex-professor do ensino técnico comercial – formado no curso normal superior pela Unipac. E-mail: luiz guilherme wintherdecastro.