Dia a Dia

Quanto custa sua reputação?

POR FERNANDO SCUCUGLIA

21 de julho de 2021

Em 2017, uma pesquisa da Nielsen, com consumidores em todo o mundo, mostrou que 81% dos consumidores acreditavam fortemente que as empresas devem ajudar a melhorar o meio ambiente, e mais de 60% dos consumidores estão muito ou extremamente preocupados com a poluição do ar, da água, com o uso de embalagens e resíduos de alimentos.

Boa parte destes entrevistados são da chamada geração “Z”, a primeira que nasceu em um ambiente completamente digital, e que cresceu vivenciando o protagonismo que as mídias digitais (Facebook, Youtube, Twitter, Instagram) trouxeram para o dito “cidadão comum”. Recentemente, observamos a força da chamada “política de cancelamento” nestas mídias, e as terríveis consequências aos indivíduos, produtos e empresas, neste mundo cada vez conectado, globalizado e engajado.

Com uma rápida busca no Google, podemos observar que os investidores por todo o mundo se envolvem cada vez mais com o conceito de “investimento responsável”, impulsionados pela crescente conscientização de questões como mudanças climáticas, diversidade de gênero e impacto do uso de plásticos no meio ambiente.

A pandemia aflorou algumas questões essenciais ao cidadão comum, principalmente a interdependência que temos como indivíduos, nações e empresas; nossa capacidade e poder de influenciar nosso próprio destino e futuro. Essa nova visão do mundo e de nossa capacidade de influenciá-lo não é uma tendência passageira, mas sim uma nova realidade.

Como forma de buscar esta “aderência” à nova realidade, as empresas têm adotado as práticas conhecidas como ESG. Este termo, que surgiu pela primeira vez no final de 2004, numa iniciativa chamada Who Cares Wins, da ONU (Organização das Nações Unidas) em parceria com instituições financeiras – advém do termo em inglês Environmental, Social and Governance. Ele foi criado como uma métrica para avaliar o desempenho das instituições em relação às práticas ambientais, sociais e de governança, explicitando e acompanhando a performance destas companhias frente a tais temáticas.

É com grande satisfação que reconhecemos que nosso segmento já tem excelentes bases em termos de sustentabilidade e adequação ao tema. O processo de fabricação de celulose no Brasil é reconhecido pelas melhores práticas de manejo florestal do mundo. Produzimos 100% de nossa celulose por meio de florestas sustentáveis e certificadas.

Em termos de processos industriais, temos um circuito bem fechado, com aproveitamento dos principais fluxos internos de processo. O consumo de água para fabricação de celulose, assim como a geração e efluentes, tem diminuído significativamente ao longo dos últimos anos, com o desenvolvimento de equipamentos e processos mais eficientes em termos ambientais.

O impacto das emissões gasosas também tem sido reduzido, por meio dos sistemas de abatimento de alta eficiência e aproveitamento destes fluxos para fabricação de outros subprodutos, tais como metanol e ácido sulfúrico.

A geração de energia é um capítulo à parte em nossa história que nos traz muito orgulho. Há algumas décadas, éramos consumidores de energia. A partir de combustíveis de fontes renováveis provenientes das nossas próprias operações (como o licor negro e a biomassa proveniente de resíduos das operações florestais) e investimentos em tecnologias de alta eficiência energética, nos tornamos autossuficientes e passamos a comercializar parte da energia elétrica excedente produzida. O setor de celulose e papel é hoje reconhecido por contribuir com significativo incremento na quantidade de energia renovável na matriz energética brasileira.

As empresas do setor têm apresentado à sociedade programas de responsabilidade social consistentes com as demandas regionais em que estão inseridas, e têm causado transformações significativas e positivas nas comunidades em seu entorno. Estamos melhorando a qualidade de vida e a expectativa de crescimento econômico de milhares de pessoas. Continua…

FERNANDO SCUCUGLIA, diretor de Celulose e Energia da Valmet na América do Sul.