Dia a Dia

Psicanálise e Atividades Criativas

HÉLIO DE LIMA JÚNIOR

18 de março de 2022

O uso da arte na saúde mental visa estimular o potencial criativo do ser humano, através da expressão dos seus conflitos internos, na tentativa de obter o desenvolvimento cognitivo e emocional na reconstrução da realidade.
Nota-se que a execução das atividades criativas na área da saúde mental, vem promover a capacidade do sujeito em dar forma, configurar a matéria e o processo de criação. Todavia, as atividades criativas têm o propósito de reconhecer e experimentar as transferências simbólicas, do homem à materialidade das coisas.
Para a psicanálise, a sublimação, é uma operação fundamental que está em jogo na criação de qualquer objeto de arte, ou seja, algo novo que pode surpreender, ou causar estranheza. A criação artística é um alimento cultural muito conveniente, visando retratar os feitos históricos e as relações sociais do ser humano. Esta criação implica na disposição legítima e natural do homem para estimular sua capacidade e potencial.
Segundo Jacques Lacan, o famoso Psicanalista Francês, expõe: “que o homem está implicado nos processos simbólicos, que nenhum outro animal tem igual acesso, entretanto, as expressões das atividades criativas buscam à integração e significação de uma série de feitos. Com a ajuda deste processo de exteriorização e criação, o ser humano busca entender sua dimensão psíquica, pois as atividades criativas oferecem condições para a construção de formas, eventos, cenas, situações e ocasiões fictícias.
De acordo com a Psiquiatra, Psicanalista Argentina, Maria Cristina Melgar, diz que “os processos psíquicos, as paixões, os lutos e os traumas podem mobilizar e descompensar o ego, produzindo cortes na dimensão simbólica. No entanto, a realização de atividades criativas poderá aflorar novos caminhos”. Ademais, o desconhecido, o irrepresentável e o imprevisível encontram-se na criatividade psíquica potencial para construção de imagens, pensamentos e palavras. Entretanto, Melgar enfatiza: “que a paixão mostra a produção criadora dos artistas e escritores, onde o amor marca e transforma sua existência”.
As atividades criativas são possibilidades para pôr ordem à loucura, porque as pessoas trabalham com a subjetividade de imagens e sentimentos; realizando diversos tipos de formas e selecionando os materiais, conjugando-os, compondo-os e construindo-os.
A Psicanalista, Pediatra Francesa, Fançoise Dolto expôs que: o ser humano é um ser de linguagem, de desejo, de conhecimento e de comunicação intrapsíquica; permitindo que haja uma maior abertura à cultura, conseguindo obter saídas na existência através das compensações culturais.
No Brasil nota-se a importância que foi o trabalho da Psiquiatra, Dra. Nise da Silveira, com reconhecimento internacional na dimensão da saúde mental. A referida Psiquiatra ressaltava que: “os desenhos e as pinturas possuem propriedades terapêuticas, uma vez que permitem os pacientes dar-lhes formas as emoções, mobilizando as forças curativas”.
Finalizo, ressaltando a citação da Psicanalista, Françoise Dolto, que: “Saúde mental é a alegria de viver”.

HÉLIO DE LIMA JÚNIOR – psicólogo, psicanalista, mestre em Psicologia Social Aplicada e Psicanálise, doutor em Saúde Coletiva em Itaú de Minas e Passos. E-mail: [email protected]