Dia a Dia

Provérbio popular

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

12 de julho de 2021

Uma das causas do fracasso na vida é deixar para amanhã o que se pode fazer hoje e, depois, fazer tudo apressadamente.” Já os velhos latinos ensinavam a não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Tem gente que vai adiando os compromissos o quanto pode e quando não pode mais, os cumpre de qualquer jeito. São parentes desta categoria os que dizem: “No fim tudo vai dar certo”, e deixam as coisas correrem. Talvez seja bom lembrar a frase de Jesus a Judas: “O que tens a fazer faze-o logo” (Jo 13,27). Feliz de quem pode programar seus deveres e os cumpre com serenidade e competência. O que está programado para hoje faço hoje. O que está programado para amanhã faço amanhã e entre hoje e amanhã durmo meu sono tranquilo. – Frei Clarêncio Neotti, OFM

Após esta análise aí, sintetizando um provérbio popular, vamos usar aqui a palavra correta para essa atitude de deixar para depois o que precisaria ser feito agora ou hoje ainda: procrastinação. Aliás, tempos atrás, eu me lembro de ter lido um artigo neste jornal sobre o assunto, o verbo “procrastinar”. É um verbo transitivo direto e intransitivo, com o significado de adiar, deixar para depois ou para o outro dia, postergar, delongar e mais alguns sinônimos. “Na gíria, ou linguagem mais popular, poderíamos dizer: empurrar com a barriga.

Diz o frei, que os velhos latinos, os antigos, com a sua sabedoria, pregavam que o que se pode fazer hoje, não pode ficar para amanhã. Eu digo que é preciso que se faça dentro do tempo que é necessário fazer, a não ser que haja motivos muito justificáveis para postergar a tarefa. Motivos tais como: uma doença, um acidente, um imprevisto de última hora que impeça ou dificulte o trabalho. Se eu tenho de realizar uma tarefa e dependo de um determinado material que não chegou no prazo certo, há uma justificativa.

Há pessoas que adiam compromissos, levam na base de uma certa irresponsabilidade, levianamente, com justificações inaceitáveis. Quando são cobradas e elas não têm mais como justificar, não têm mais desculpas para dar, acabam tendo de cumprir o trabalho de forma apressada, de forma incorreta, imprecisa. São as que deixam correr soltas as coisas. Aproveitam-se de uma famosa frase que se ouve ou se lê em alguns conselhos de autoajuda e que diz: no fim, vai dar tudo certo, ou ainda, no fim dará tudo certo. Acontece que tal procedimento é um risco, pois, nem sempre tal “filosofia” tem um final feliz. Conforme o caso, haverá sérias consequências desagradáveis.

Ainda há uma citação de Jesus Cristo dirigindo-se a Judas e lembrada aqui por frei Clarêncio Neotti, OFM: “O que tens a fazer faze-o logo” (Jo 13,27). Bem, se o próprio Jesus Cristo deu tão excelente conselho, quem somos nós para não ouvir, não seguir ou desconsiderar tal ensinamento? O frei ainda nos ensina que é feliz aquele que pode programar seus compromissos de trabalho ou deveres e consegue cumprir com tranquilidade, com seriedade, competência e resultados satisfatórios. Ainda ensina que uma pessoa deve dizer que o que está programado para hoje ela fará hoje. O que está programado para amanhã ela fará amanhã. Entre o hoje e o amanhã ela poderá dizer que dormirá um sono tranquilo, pois estará em paz com sua consciência, por cumprir seus deveres.

A procrastinação, na verdade, é um “defeito”, diríamos assim, um problema de comportamento. Várias publicações na mídia têm tratado desse assunto. Procuram entender o que causa tal “fenômeno” na vida das pessoas e tentam mostrar caminhos para que tal procedimento seja vencido por uma maior compreensão da realidade. Realidade que significa não procrastinar. Há também quem considere tal comportamento como um aliado da preguiça.

A preguiça é um dos sete pecados capitais, segundo preceitos religiosos. Concordando ou não com este conceito, na verdade, a preguiça pode mesmo ser uma grande aliada da postergação ou procrastinação, como queiram! Em qualquer curso sério de orientação administrativa, tal assunto é tratado no sentido de fazer as pessoas entenderem que as tarefas, as decisões, têm a sua hora certa, não podem ser banalizadas ao bel-prazer de quem é o responsável por elas. Haverá sempre consequências por isso!

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC formado no Curso Normal Superior pela Unipac.