Dia a Dia

Provérbio brasileiro

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

15 de fevereiro de 2021

Frei Clarêncio Neotti, OFM, nos premia com um provérbio brasileiro e bastante conhecido da população. Dificilmente acharemos alguém que não conheça tal provérbio: “Cada macaco no seu galho.” Vejamos o que afirma o frei sobre tal provérbio:

Este provérbio é citado quando alguém se intromete indevidamente em assunto dos outros.” – A pessoa que age assim, está tentando se envolver e dar palpites em assuntos que não lhe dizem respeito. Intrometer-se na vida alheia é atitude muito delicada. Às vezes, a intenção é de ajudar e outras vezes é de atrapalhar mesmo. Quando a intenção é de ajudar, a forma como exerce a interferência acaba dando resultado equivocado, ou seja, mais atrapalha, não ajuda em nada. Tal pessoa pode até saber o que está se passando com a outra ou outras, mas, não deveria se intrometer, pois não foi convidada. Pode se oferecer, com muita sutileza, discrição, mas, deve aguardar se será ou não solicitada.

E quando se intromete em assunto do qual não entende coisa nenhuma, atrapalhando mais do que ajudando.” – Em tal circunstância, a situação se torna mais grave ainda. Primeiro, porque a pessoa está se intrometendo sem ser chamada, sem ser solicitada. Segundo, porque está se envolvendo em assunto sobre o qual nada entende. Como poderá ajudar, mesmo que a intenção seja boa, se tem total desconhecimento do problema ou da pendenga? O resultado esperado dificilmente terá um bom desfecho! As consequências dessa intromissão poderão ser desastrosas e criar conflitos. É bom pensar bastante antes de tomar uma atitude totalmente inadequada. É preciso ter muito bom senso!

Existe um princípio de espiritualidade parecido com esse provérbio e que é errado: “Cada um por si e Deus por todos. Um princípio que nasce do egoísmo e por isso digo que é errado.” – Esta frase aí é muito comum se ouvir, principalmente quando se conversa sobre o trabalho, a luta pela vida, solução de problemas, etc. Ela tem um fundo de verdade, depende do ponto de vista. Cada um deve lutar por si, não se “encostando” nos outros para tirar proveito e fazendo “corpo mole”, como dizem.

Mas, o frei também tem razão, pela ótica que ele vê o provérbio. A ótica do egoísmo. Pensar apenas em si próprio, sem se incomodar com os semelhantes, fazendo do egoísmo uma arma para ter sucesso, realizando o que deseja, não é um bom caminho a seguir. O egoísmo é produto da ambição desmedida, irracional e até desumana. Ser egoísta desprezando os valores humanistas, com ambições escancaradas, não levará uma pessoa ao caminho da felicidade. A felicidade nunca será produto do egoísmo extremista.

Certo seria dizer: “Cada um por todos e todos por cada um e que Deus nos abençoe.” – O frei diz, acredito eu, que o correto é que cada pessoa pense em todos: nela própria, na sua família, na comunidade, no seu país. Se todas as pessoas assim agirem, todas serão felizes, realizadas. A sociedade toda estará em paz, pois todas as pessoas desfrutarão dos resultados do esforço de cada uma. Seria isso uma forma de “socialismo cristão”? Pensemos nisso!

O provérbio brasileiro não pode me levar à autossuficiência egoísta, porque, como criatura humana normal, preciso tomar conhecimento das dificuldades dos que me cercam.” – Realmente, como já mencionamos antes, o egoísmo não é qualidade alguma, quando passa do limite ou exagerado demais. Amar a si própria pode e deve ser uma qualidade de cada pessoa. O que não é normal e nem aceitável é o amor-próprio que chega a ser narcisista, aquela pessoa que só se enxerga como a mais bonita, mais saudável e mais importante que qualquer outra, ela é soberana!

Existem outras ao redor dela e que são importantes também! Mas, e as pessoas que se encostam, só querem tirar proveitos, elas deixariam de existir? O caminho a seguir é fazer com que todas as pessoas entrelacem suas mãos no bem comum. Aquelas que destoam, é tentar educá-las, civilizá-las, mesmo que custe tempo e trabalho. Não posso ser solitário. Preciso ser solidário. – A solidão poderá virar uma doença e não fará ninguém feliz. Ser solidário é muito melhor, mais cristão, mais humano e realiza o ser humano.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG. Ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no Curso Normal Superior pela Unipac.