Dia a Dia

Provérbio Árabe

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

11 de abril de 2022

“Quando as armas estão prontas, o bom senso vai-se embora.” Todos os povos cantam louvores à paz. Mas todos eles têm seus paióis abarrotados de armas. Os latinos até diziam: “Se queres a paz, prepara-te para a guerra.” Muita gente afirma que nada justifica uma guerra. Eu acho que os armamentos são sinônimo de violência e a violência é sempre sinal de fraqueza. Tem mais: a guerra não começa nos quartéis. Começa no coração humano. Nem sempre a criatura humana tem o coração pacificado e voltado para a paz. Ninguém de bom senso faz uma guerra. O provérbio tem razão: na mesma medida em que o homem se arma, perde o bom senso. Pessoa sem bom senso é pessoa perigosa para a sociedade, porque é desequilibrada. – Frei Clarêncio Neotti, OFM – folhinha já para o dia 21 de abril de 2022 – do calendário “Sagrado Coração de Jesus” da Editora Vozes Ltda. [email protected]
O frei costuma enviar a análise dos provérbios pesquisados por ele com bastante antecedência. Este veio a calhar justamente quando uma triste guerra e de destaque está acontecendo na Europa. Um dos países mais poderosos do mundo, a Rússia, com parte do território na Ásia e outra parte na Europa, resolveu guerrear com um país vizinho, a Ucrânia, que está na Europa. Quando da existência da famosa URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o país invadido pela Rússia fez parte dela. Com o fim da URSS, ficou independente, assim como vários outros que estavam anexados. Não vem ao caso aqui, comentar sobre a atual guerra, a menção é apenas para mostrar a coincidência do texto com o que está acontecendo agora na Europa.
O bom senso vai-se embora quando as armas estão prontas, preparadas para serem usadas. Um contrassenso todas as nações pregarem a paz, dizerem ser avessas à violência, ou seja, à guerra, e, no entanto, estarem todas armadas com os mais sofisticados artefatos bélicos e prontas para entrar numa briga. Uma briga que, nos dias de hoje, com a tecnologia avançada em todas as áreas e com os segredos que esses países possam manter no mais absoluto sigilo, poderá trazer surpresas desagradáveis para todos os lados e colocar uns países em maiores dificuldades que outros. Se queres a paz, prepara-te para a guerra, diziam os latinos, como afirma o frei.
Uma frase que tem sentido e ao mesmo tempo não. Se quero a paz, preciso estar armado e preparado para guerrear? Se o meu adversário ou inimigo também quer a paz, ele precisa estar armado e preparado para brigar? A impressão que se tem é que os dois não querem brigas, mas, se um deles se atrever a desrespeitar o “tratado de paz”, o outro está preparado para reagir. Respeitam a paz, mas a desconfiança de ambos faz com que estejam prevenidos para um eventual enfrentamento. Acham ser mais difícil uma briga, quando ambos estão preparados para o que der e vier. Portanto, armam-se!
O frei acha que estar armado é sinal de violência e a violência é sinal de fraqueza. Alguém ou um país se arma porque tem medo, se acha fraco e não deseja ser surpreendido pela outra parte? É o que ele acha e tem suas razões.
Diz ainda o frei que a guerra não começa nos quartéis e sim no coração dos homens. Eu acredito que nenhuma batalha com derramamento de sangue comece de um dia para o outro. São situações e desentendimentos antigos que num determinado momento explodem. Há muito envolvimento na contenda que começa lá atrás e um dia desembarca numa guerra. Podemos ver desentendimentos e rivalidades até no nosso próprio país, na nossa própria cidade, entre moradores de uma mesma rua, de ruas diferentes e bairros diferentes. Procura-se a razão, o motivo e na maioria das vezes são futilidades, algo praticamente infantil, no sentido de falta de raciocínio, sem ofensas às crianças, é claro! O sentimento de rivalidade, de desamor ao próximo, acontece até dentro das famílias. Não estou generalizando! A impressão nossa, como diz o frei, é que muitas pessoas não têm uma cultura humanística adequada para conviver pacificamente. Não sei se é orgulho, ganância, “fome” de poder, de ser o maior, o melhor em tudo e estar acima de todos! Enfim, o ser humano é complicado mesmo e só uma boa educação moral e humanística para melhorar a sociedade e fazê-la pensar melhor no bem comum, sem guerras, sem batalhas, sem mortes e sofrimento. Sem bom senso, diz ainda o frei, a pessoa torna-se perigosa para os outros. E como, digo eu!

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no curso normal superior pela Unipac. E-mail: [email protected]