Dia a Dia

Pra Não Dizer Que Eu Não Avisei

PATRÍCIA LOPES PEREIRA SANTOS

12 de Maio de 2022

Parece que foi ontem que recebi a mensagem do editor do jornal falando que haveria um espaço para publicarem os meus textos na “Coluna Dia a Dia” da Folha da Manhã. E, no último dia vinte e nove, fiz um ano como cronista. Ainda sou uma bebê nesta arte, e como tal fico inquieta para conhecer e explorar este novo mundo.

Em outra crônica, falei um pouco sobre como foi difícil assumir a coragem de me expressar por meio da escrita, afinal diferentemente da palavra falada que é “um risco n`água”, a palavra escrita é perene. E se eu escrevesse bobagens?E se ninguém se interessasse pelos meus “causos”? E se as minhas aflições sobre a vida não fizessem sentido para mais ninguém? E se eu tropeçasse no idioma?

Enfim, sempre tive um embate ferrenho com as críticas internas e externas, e hoje, mais madura, reconheço que são elas que nos fazem aprimorar. Ademais, como escreveu o Rei Salomão:”Tudo é vaidade debaixo do Sol”.

E, durante o último ano, todas as vezes que eu encarei o cursor piscando na tela do computador, foram momentos de amadurecimento; neste lugar, me diverti, sofri declamei, vivi e morri.

De frente para a tela do computador, renomeei muitas emoções, ressignifiquei valores e me assustei com alguns sentimentos até então desconhecidos. Também, para que o texto chegasse pronto e de forma leve e divertida, precisei retirar casquinhas dos esfolados da alma.
Só que, escrever na primeira pessoa tornou-se um incômodo para mim, parecia algo meio egocêntrico. Por mais que eu soubesse que este estilo autobiográfico é muito comum para os principiantes na arte da escrita, percebi que foi essa minha limitação que gerou identificação de muitos leitores com as minhas histórias, principalmente nas crônicas geracionais.

Parece-me que este formato tem dado certo, e agradeço a cada leitor, vocês me incentivaram muito.

Dizem que não se mexe em time que está ganhando, mas quando publiquei o texto “Toma lá, dá cá”, iniciei um novo ciclo. Existe uma divergência entre os professores de escrita sobre o conceito do Gênero Crônica, até que veio um agraciado e pacificou a situação dizendo que “crônica é tudo aquilo que a gente chama de crônica”

Então, continuarei escrevendo crônicas, só que agora,algumas delas terão um jeitinho de conto.

Qual a diferença? Para o leitor, nenhuma. Continuarão recebendo histórias breves e concisas. Talvez não muito redondinhas.

Mas, para mim será uma oportunidade para distinguir a Patrícia narradora da Patrícia autora, enquanto na crônica é a minha voz que sobressai; no conto, mesmo que possa ser originário de um fato real, é a narrativa ficcional que revela o viés da história, e esta se estabelece pelo fluir da imaginação. Criar personagens considerando a diversidade humana é uma possibilidade que eu tenho de me conhecer na vida real.

Achei que deveria avisá-los, que neste segundo ano como cronista, como diz Rosa Montero, eu, intencionalmente, “viverei uma tórrida história de amor e salvação com o meu imaginário”. Torço para que apreciem.

PATRÍCIA LOPES PEREIRA SANTOS, graduada em odontologia (PUCMG) e direito (Fadipa), mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional (Unifacef- Franca) e Especialista em Direito Público (Faculdade Newton de Paiva), é servidora pública do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. E-mail: [email protected] gmail.com