Dia a Dia

Pelo Tempo de Nossos Avós

POR SEBASTIÃO WENCESLAU BORGES

22 de abril de 2021

Cresci ouvindo o povo falar em superstições, que evocam azar, mau agouro e sorte. São crendices populares criadas pelos povos mais antigos, e para eles tudo era válido para se proteger. A lista é grande, e algumas superstições resistem ao tempo até os dias atuais.

Eis algumas: Quando armava chuva, para se proteger dos relâmpagos e trovões, virava-se o espelho ao contrário, acendia-se uma vela, e ainda queimava-se o ramo seco da procissão do Domingo de Ramos em honra à Santa Bárbara, pedindo para que ela acalmasse a tempestade! Ferradura com sete furos era pendurada atrás da porta para dar sorte, e dessa superstição muitos diziam: “Se ferradura desse sorte cavalo e burro não puxavam carroça”!

Bater três vezes numa madeira evitava azar, e colocar vassoura atrás da porta com o cabo para baixo fazia com que as visitas chatas fossem embora. Se ficassem duas vassouras juntas num canto da casa haveria briga na família, e se varresse os rastros, afastaria essa pessoa da casa para sempre.

Entrar em casa com o pé esquerdo era agouro, com o pé direito evitava azar, e ao levantar: sempre colocar o pé direito no chão! Andar com um ramo de arruda na orelha, uma pitada de sal no ombro esquerdo, ou um colar com sete cabeças de alho, era para se prevenir de mau olhado ou de má sorte.

Deixar sapatos e chinelos com a sola pra cima era sinal de que alguém da família morreria, e passar debaixo de escada dava azar. Ter um pé de coelho trazia sorte, dinheiro, e ajudava a mulher a engravidar, e dessa, muitos diziam: “Se desse sorte coelho não perderia o pé e vivia no meio de couve ou alface”.

Se deixassem cair um garfo, chegaria visita de um homem na casa, e se caísse uma colher chegaria uma mulher! Cruzar os dedos, fazer figa, era pedir sorte naquele momento, e jogar uma moeda numa fonte de água certamente se realizaria um desejo da pessoa que jogou. Ver uma borboleta voar dava sorte para aquele dia, e se uma coruja cantasse em cima da casa, ou um cachorro uivasse, era sinal que a morte estava rondando alguém daquela família.

Varrer casa à noite atraía azar, dormir virado com os pés para a porta era agouro de morte, e deixar xícara virada com a boca para baixo atrasava a vida. Moça que abria sombrinha dentro de casa ficava pra titia, se comesse na panela e fosse solteira choveria no dia do casamento.

Para conquistar um amor, ferver uma calcinha, fazer café com a água, e oferecer ao pretendente, e se virasse Santo Antônio de cabeça para baixo arrumava namorado ou casamento na certa! Jogar sal grosso num canto da sala trazia sorte, jogar no fogo afastava visitas, vestir roupa do avesso era dinheiro chegando ou sinal de boa noticia, e cruzar facas dava azar.

Sair sempre pela porta que tinha entrado, se saísse por outra não voltava mais! Abrir guarda-chuva dentro de casa, a casa ficava desprotegida, e podia atrair morte. Apontar para uma estrela fazia surgir verruga no dedo, derramar açúcar ou leite dava azar, ao encontrar objetos perdidos davam três pulinhos para São Longuinho, se a palma da mão direita coçasse ia perder dinheiro, e se fosse a esquerda era sinal que iria receber dinheiro.

Orelha esquentar era alguém falando mal de você, se quebrasse um espelho teria sete anos de azar. Criança ao engasgar, a mãe logo dizia: “Sombrai, sombrai” referindo a São Braz, protetor da garganta! E se alguém desse um espirro, todos por perto diziam: ”Deus te abençoe”, ou “Deus te proteja”.

De todas as superstições, a sexta-feira 13 era a mais coberta de medo pelo povo, e a que mais remetia má sorte e preocupação. Até hoje essa data marcante deixa boa parte das pessoas com medo, e se a sexta – feira 13 coincidisse de cair no mês de agosto, aquele dia era de arrepio, dia perigoso, muitos não saíam de casa, não tomavam decisões, não trabalhavam, e tudo de ruim podia acontecer para as pessoas.

Enfim, todos esses costumes de superstições são coisas que já fazem parte de um passado, de um tempo de saudade, e simplicidade, e eram praticadas em nossas famílias pelo tempo de nossos avós. É o tempo passando e a gente “Memoriando”!